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Educação
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Aula online traz dificuldade a aluno com transtorno de aprendizagem

Constatação é de estudo do Instituto ABCD, que aponta que 85% desse público foi afetado pelo ensino remoto na pandemia

Educação|Alex Gonçalves, do R7*


Pesquisa do Instituto ABCD mostra o desempenho escolar no país de alunos com TEAp
Pesquisa do Instituto ABCD mostra o desempenho escolar no país de alunos com TEAp

De acordo com estudo realizado pelo Instituto ABCD em parceria com a Cisco do Brasil e o Instituto IT Mídia, 85% dos estudantes com TEAp (Transtorno Específico de Aprendizagem) têm dificuldade de aprendizado com o ensino remoto durante a pandemia de Covid-19. 

O relatório chega na Semana da Dislexia, que acontece até a próxima segunda-feira (11), e reúne informações sobre as dificuldades de acesso ao diagnóstico e o impacto da pandemia no desempenho escolar, além de custo emocional e financeiro gerado na vida do disléxico e dos familiares.

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Juliana Amorina, diretora-presidente do Instituto ABCD, explica que o TEAp é uma condição persistente, de origem neurobiológica, que afeta a aprendizagem e que pode ser explicada por déficits em múltiplos componentes cognitivos. "Estamos falando de uma alteração do neurodesenvolvimento, o que significa que a pessoa com TEAp nasce com dislexia, discalculia ou disortografia", diz. "E essa condição irá acompanhá-la ao longo de sua vida."

Segundo a Associação Americana de Psiquiatria, no Brasil estima-se que sejam cerca de 10 milhões as pessoas com TEAp. Já em escala mundial de 5% a 15% da população tem Transtorno Específico de Aprendizagem.

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O estudo feito pelo Instituto ABCD também evidencia os dados negativos da pandemia em relação à educação. Em novembro de 2020, mais de 5 milhões de brasileiros entre 6 e 17 anos de idade não tinham acesso à educação, sendo que 40% deles na faixa de 6 a 10 anos (ensino fundamental). Segundo a FGV (Fundação Getulio Vargas), alunos dos anos finais do ensino fundamental deixaram de aprender até 72% do que era esperado em 2020. 

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Outro dado impactante que o estudo traz é que o ensino remoto acentuou as discrepâncias socioeconômicas na educação, com uma grande parcela dos estudantes (especialmente da rede pública) com pouco ou nenhum acesso a equipamentos, recursos tecnológicos, internet e materiais pedagógicos.

Segundo as famílias de crianças e jovens com TEAp entrevistadas na pesquisa, predominaram as aulas online nas escolas particulares, enquanto as escolas públicas implementaram aulas gravadas com orientações aos pais sobre as atividades e uso de apostilas, livros e atividades para impressão.

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Grafiteiro Binho Ribeiro realizou painel na Etec Carlos de Campos (SP) na Semana da Dislexia
Grafiteiro Binho Ribeiro realizou painel na Etec Carlos de Campos (SP) na Semana da Dislexia

Além das dificuldades de acesso, houve também limitações de atenção, motivação e memorização da aprendizagem, devido à ausência da mediação do docente presencial e da modelagem dos pares.

Cerca de 78,8% das famílias relataram que não receberam orientações específicas sobre o estudo a distância e 85,4% afirmaram que não houve encaminhamento de atividades específicas para os alunos com TEAp por parte da escola.

Uso de tecnologia para aprendizagem

Somente 43,1% das famílias entrevistadas relataram ter recebido orientações sobre o uso da tecnologia como apoio pedagógico no ensino remoto durante a pandemia. Apenas 2,2% receberam essas orientações da equipe pedagógica. A principal fonte de orientações citada foi profissionais da área da saúde (29,9%).

Outro dado relevante é que uma parte das famílias usou informações por conta própria: 5,1% responderam que as orientações vieram de outros pais e 5,1% fizeram a própria pesquisa. O corretor de texto foi o recurso tecnológico mais utilizado pelos adultos com TEAp que participaram do levantamento, enquanto as famílias relataram o uso da calculadora (tecnologia genérica, não específica ao apoio das dificuldades de aprendizagem).

De acordo com Juliana Amorina, o próximo passo é realizar um trabalho em conjunto com os profissionais da educação para identificar quais adaptações pedagógicas estão sendo realizadas em sala de aula. "Essas crianças continuam na escola com ou sem o diagnóstico de TEAp. O que muda por exemplo na vida de pessoas com dislexia são as adaptações que o professor irá oferecer para a inclusão", conclui.

Foram enviados três questionários, um para cada grupo de respondentes, entre 9 de junho

e 7 de julho de 2021. Ao todo, foram obtidas 304 respostas válidas de todas as regiões do

Brasil (92 municípios de 17 estados).

Impactos 

- 80% das crianças e jovens com dislexia têm tristeza, ansiedade e/ou baixa autoestima.

- 72,7% dos adultos enfrentam dificuldades na vida profissional devido à dislexia.

- 89% dos diagnósticos foram realizados em serviços particulares.

- 47% das famílias investiram mais de R$ 2.000 no diagnóstico.

- As famílias com crianças e adolescentes com dislexia gastam R$ 800 mensais em acompanhamento especializado.

- 85% dos alunos não tiveram adaptações no ensino remoto.

- 44% das famílias que têm renda superior a R$ 20.900 avaliaram o desempenho da escola como bom ou ótimo e apenas 4,5% das famílias com renda até R$ 2.090 avaliaram o desempenho da escola como bom.

*Estagiário do R7 sob supervisão de Márcio Pinho

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