Educação Como um estudante da rede pública foi parar em Harvard

Como um estudante da rede pública foi parar em Harvard

Arthur de Oliveira Abrantes conta suas estratégias para conseguir uma vaga na tradicional e concorrida universidade americana

Brasileiro em Harvard

Arthur Abrantes cursa Ciências da computação e Psicologia

Arthur Abrantes cursa Ciências da computação e Psicologia

Reprodução

Arthur de Oliveira Abrantes, de 20 anos, é um exemplo de superação e de como saber usar bem as oportunidades que surgem na vida. O jovem que nasceu em Paracatu, no interior de Minas Gerais, e sempre estudou em escola públicas foi aprovado em Harvard, uma das mais tradicionais universidades dos Estados Unidos, e em mais seis instituições.

O estudante, que não se julga gênio, contou ao R7 como nasceu a vontade de estudar fora do Brasil e os caminhos que tomou para tornar o sonho realidade.

“Sabia que seria difícil ser aprovado, mas vi que não era impossível e decidi tentar”

Infância simples

Abrantes é o mais novo de quatro filhos. O pai é mecânico e a mãe técnica em enfermagem. “A minha infância foi muito parecida com a de muitos outros meninos. Eu gostava muito de videogames e de jogar bola na rua com meus amigos. Honestamente, eu podia jogar bola o dia inteiro, fizesse chuva fizesse sol, e só parava para ir à escola. E durante as férias, eu geralmente ia para a casa dos meus avós num sítio e ficava lá por dois meses seguidos”, conta. Uma infância comum.

Nascimento de um sonho

O jovem foi aprovado para cursar o ensino médio no Instituto Federal do Triângulo Mineiro, uma escola pública de tempo integral. Já no primeiro ano, começou a pensar sobre vestibular, qual curso escolher e em qual faculdade no Brasil queria estudar. “Pensei em fazer engenharia, até porque eu era bom em exatas”. Depois de ler uma reportagem, o estudante descobriu que poderia estudar no exterior e se sentiu desafiado.

“Descobri que o processo era bem diferente do brasileiro, mais caro e mais seletivo, dependendo da universidade. Lá não basta fazer uma prova, um vestibular como é aqui. Na verdade, as universidades nos Estados Unidos levam em conta todo o seu histórico escolar de notas e atividades durante o ensino médio”, diz. A universidades americanas também levam em consideração a história de vida do candidato e as suas conquistas.

“Sabia que seria difícil ser aprovado, mas vi que não era impossível e decidi tentar”. O primeiro passo foi aprender o idioma. Abrantes baixou aplicativos e começou a estudar por conta própria. “Comecei a me dedicar a aprender inglês, a manter boas notas, e a fazer coisas legais fora da sala de aula como modo de me preparar para o processo”.

Criando uma estratégia

Como as universidades levam em consideração o perfil completo dos alunos, não basta ter boas notas. “Não é uma coisa só que faz uma universidade te aceitar ou não. Não basta ter boas notas, eles também avaliam as respostas para redações com temas bem pessoais, além das cartas de recomendações assinadas pelos professores."

Desta forma, todos os detalhes são preciosos para ingressar em uma universidade. “Durante o ensino médio, me envolvi em atividades extras ao mesmo tempo que aprendia inglês. Usei a internet e pesquisei o que as universidades procuravam num aluno e pensei em como eu poderia mostrar para elas que eu era um desses estudantes que eles procuravam”.

Pesquisando na internet, Abrantes percebeu que as universidades preferem receber os alunos que se envolvam em atividades extras, mas aquelas que fazem sentido para o estudante. “Procurei fazer coisas que me interessavam como esportes, música entre outras atividades e acabou dando certo”.

Vida em Harvard

Há dois anos em Harvard, Abrantes conta que a experiência vai muito além do mundo acadêmico. “Eu aprendi muitas coisas só pela oportunidade de estar aqui. Existem muitas coisas que você aprende só morando com os outros alunos de todas as partes do mundo, conversando com professores que são considerados os melhores nas suas áreas, indo a conferências para ouvir autoridades mundiais no campo da ciência, política etc. Nesse sentido, Harvard é muito mais do que eu imaginava”.

Arthur junto com os colegas de curso

Arthur junto com os colegas de curso

Reprodução

Uma das experiências mais emblemáticas para o jovem estudante é a troca cultural. “Aqui nos Estados Unidos tenho contato com estudantes de todas as partes do mundo, o que acaba expandindo minha visão de mundo. Tenho amigos que foram diretamente afetados pela guerra na Síria, colegas que vieram de alguma ilha bem pequena no meio do Pacífico ou de algum país de que eu nunca tinha ouvido falar antes. Esse contato quebra estereótipos e, apesar de algumas diferenças, percebo que temos muitas coisas em comum também”.

“Eu aprendi muitas coisas só pela oportunidade de estar aqui"

Ao mesmo tempo que as oportunidades são grandiosas, a pressão e o volume de matérias são proporcionais. “Este é o lado ruim, estou sempre muito ocupado e não consigo aproveitar tudo que gostaria. Apesar de minha carga horária de aulas girar em torno de 3 horas por dia, tenho muitas tarefas que consomem quase todo o tempo fora da sala de aula, isso é estressante, as coisas se acumulam”. Mas não deixa de ser um preparo para lidar com as pressões do mercado de trabalho.

Planos para o futuro

Abrantes optou por Computação como curso principal e Psicologia como curso secundário. O projeto de vida dele é montar um negócio próprio e a meta é aliar a tecnologia ao conhecimento mais humano. E neste momento, a intenção é voltar para o Brasil e construir a vida por aqui.