Educação Estudante brasileiro cria metaverso, conquista prêmio internacional e vaga em universidade nos EUA

Estudante brasileiro cria metaverso, conquista prêmio internacional e vaga em universidade nos EUA

Henrique Hissa desenvolveu um projeto de realidade virtual como uma ferramenta complementar às aulas e atividades escolares

Estudante Henrique Hissa desenvolveu projeto de imersão no metaverso

Estudante Henrique Hissa desenvolveu projeto de imersão no metaverso

Arquivo Pessoal

Henrique Hissa, 18 anos, ainda estava no ensino médio quando criou um metaverso para ajudar outros estudantes com as aulas de biologia. O projeto “Development of Immersive Metaverses Applied to Astrobiology Teaching” (Desenvolvimento de tecnologias de alta imersão no ensino de Astrobiologia) levou o terceiro lugar na Isef (Regeneron International Science and Engineering Fair) — a "Copa do Mundo" das competições de ciências — e garantiu ao jovem uma vaga em uma universidade nos Estados Unidos.

Enquanto muitos tentam entender o que é o metaverso, Hissa passou dois anos pesquisando e desenvolvendo um projeto que amplia o acesso à educação usando alta tecnologia. "A proposta foi apresentar uma ferramenta que pode acrescentar no processo de educação, ajudar estudantes a estudar, sem, jamais, substituir a experiência em sala de aula", explica Hissa.

Com a orientação do professor Tiago Bodê, Hissa criou um ambiente virtual para auxiliar no desenvolvimento de competências cobradas pela BNCC (Base Nacional Comum Curricular) a partir de problemas e desafios. Com um óculos de realidade virtual é possível fazer uma imersão nos ambientes e na narrativa desenvolvida pelo estudante.

Foram dedicados dois anos para o desenvolvimento do projeto. No primeiro ano, Hissa desenvolveu os conceitos e desenhou o ambiente virtual e em 2021 o projeto foi contemplado pela Febrace (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia), realizada todos os anos na USP (Universidade de São Paulo). "Com a premiação na Febrace, pude participar pela primeira vez da Isef, mas por conta da pandemia, a feira foi realizada virtualmente."

A segunda fase do projeto contou o com desenvolvimento do ambiente virtual. "Em todas as etapas utilizei softwares gratuitos, de uso aberto e com open source, mostrando que é possível desenvolver projetos sem barreiras; já o computador e o óculos de realidade virtual foram cedidos pela escola." 

Com o projeto concluído, veio a premiação na Mostratec (Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia) e nova seleção para participar da Isef. "Fui presencialmente como um dos representantes da delegação brasileira e foi uma experiência incrível, tanto na parceria com os colegas como durante as apresentações."

A Isef reuniu 1.750 finalistas de 63 países e o brasileiro Henrique Hissa ficou em terceiro lugar. "Ele ficou entre os três melhores do mundo na feira que representa a 'copa do mundo da ciência' e mostra que se houver incentivo, a pesquisa produzida no Brasil tem muita qualidade", avalia do professor do Colégio Dante Alighieri e orientador do projeto,Tiago Bodê. 

Antes do Isef, o estudante brasileiro recebeu mais de 20 prêmios por sua pesquisa científica, contando o primeiro lugar na Febrace e na Mostratec, o Prêmio da Federação como o melhor projeto do de pré-iniciação científica do Estado de São Paulo e o National Youth Science Foundation, prêmio concedido pelo consulado americano.  

O prêmio internacional abriu portas para universidades nos Estados Unidos. Em setembro deste ano ele começa os estudos na Universidade de Minnesota. "Vou fazer o curso de ciência da computação, mas pretendo voltar ao Brasil e contribuir para diminuir as desigualdades do país", conclui.

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