Educação Projeto usa até 'emoji com cocô' para divertir e alfabetizar

Projeto usa até 'emoji com cocô' para divertir e alfabetizar

Projeto 'Falabetizando' auxilia professores da rede pública com estudantes que têm dificuldade no processo de aprendizagem

Rosana Mendes Ribeiro criadora do Falabetizando

Rosana Mendes Ribeiro criadora do Falabetizando

Arquivo Pessoal

Rafael Vinhas Marinho, 12 anos, é autista e precisa de acompanhante terapêutica para auxiliar em todas as atividades do dia. Quando chegou na escola estadual Dep. Augusto do Amaral, na Vila Lageado, região oeste de São Paulo, o menino ainda não sabia ler, nem escrever.

"Tivemos de ir aprendendo a lidar com o Rafael, aos poucos fomos entendendo o processo de aprendizagem dele", conta a diretora da escola, Rosani Molina. "Quando veio a pandemia, ficamos realmente preocupados com o desenvolvimento porque o Rafael não conseguiria acompanhar as aulas online, como ele tem uma acompanhante, demos o material e o livro Falabetizando para a família."

Roseli Miranda é psicóloga especializada no método ABA e acompanha Rafael em todas as atividades do dia. "Para uma criança autista, as imagens são importantes para a memorização, como o livro tem desenho de bocas, ele entendeu o som das letras, nesse processo de alfabetização, ele já reconhece as sílabas simples e começa a formar algumas palavras", explica. 

Criança é alfabetizada a partir do som das palavras e associação com imagem

Criança é alfabetizada a partir do som das palavras e associação com imagem

Divulgação

Matriculado no sexto ano, Rafael ganhou um exemplar do livro Falabetizando, elaborado pela fonoaudióloga educacional Rosana Mendes Ribeiro. O projeto nasceu da experiência de Rosana como mãe de uma menina com necessidades especiais e da luta com o processo de aprendizagem na filha nas escolas.

Contar história estimula a alfabetização na quarentena

"Percebi que as escolas matriculavam, mas não incluíam a minha filha, não havia um material específico que desse conta das necessidades de aprendizagem dela", conta Rosana. "Quando minha filha era pequena, saí do consultório médico com o prognóstico de que ela jamais seria capaz de ler, escrever e fazer as operações matemáticas básicas, hoje, aos 22 anos, ela trabalha, lê muito bem e administra a conta bancária sozinha."

"Senti que minha filha era só um número para a escola", desabafa mãe

Diante desse desafio, Rosana elaborou um material que tinha como base respeitar a singularidade e as necessidades de cada criança no processo de alfabetização. Unindo imagem, som e letras, as crianças são capazes de memorizar e associar o som com as letras. "A linguagem oral facilita a escrita, quando a criança percebe o som das letras fica mais fácil de associar e escrever", explica.

Para tornar a memorização mais fácil, o livro é recheado de imagens coloridas e emojis, que fazem sucesso com os estudantes. "Os alunos aprendem de maneira divertida, estimulando a criatividade, é muito importante valorizar o emocional, quando uma crianca vê um emoji fazendo cocô, ela ri e não vai esquecer o som da letra C."

"Ouvi de um menino: 'gosto muito desse livro porque a autora estava bem feliz em fazer esse livro para as crianças aprenderem a ler e a escrever' e fiquei muito emocionada porque ele entendeu exatamente o meu propósito", diz Rosana. 

Estudantes que não estão acompanham o processo de aprendizagem tem apoio com aulas de reforço

Estudantes que não estão acompanham o processo de aprendizagem tem apoio com aulas de reforço

Divulgação

Durante a pandemia e com o apoio da Roche, o Falabetizando passou a ser distribuído em escolas públicas com o objetivo de auxiliar na alfabetização de crianças, principalmente aquelas em situação de vulnerabilidade social. Situação vivida por Agatha e Dérick, que estudam na escola estadual Alfredo Paulino, também na zona oeste de São Paulo.

Os dois alunos estão matriculadas no terceiro ano do ensino fundamental, mas precisam de apoio na aprendizagem. Sem acesso adequado à internet, a escola fez a busca ativa no período de pandemia para garantir que as crianças continuassem na escola e continuassem com o processo de aprendizagem.

"Neste ano, para diminuir a defasagem de aprendizado, pedimos que eles estejam todos os dias na escola", explica a diretora Ana Cristina Roia. "Uma professora chama separadamente as crianças e trabalha com o livro, mesmo com máscara, a movimentação da boca e o som das palavras e já tivemos progressos expressivos com os alunos", conta. "Os emojis fazem sucesso, eles se divertem e aprendem."

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