Despertar a curiosidade, ser desafiado e incorporar jogos podem ser grandes diferenciais no aprendizado, ao criar uma conexão com os conteúdos estudados e desenvolver autonomia durante o processo. Segundo o resultado do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) 2022, divulgado nesta terça-feira (5), os alunos brasileiros de 15 anos pontuaram 379 em matemática, 410 em leitura e 403 em ciências. Apesar da avaliação positiva da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), por apresentar estabilidade, o resultado classificou o Brasil como abaixo da média. Para Kelly Ket Sacardi, coordenadora de matemática do Colégio Rio Branco, os estudantes conseguem melhorar o seu desempenho com atividades que vão além do ambiente acadêmico. Elas ajudam na criação de soluções de problemas do cotidiano e desenvolvem habilidades analíticas e críticas. As matérias se fixam na mente dos jovens quando é relacionada a algo palpável. "O aprendizado precisa ser mais envolvente e lúcido, relacionando-se a situações do mundo real, incorporando atividades práticas, jogos e simulações", sugere Kelly. Métodos escolares mais tradicionais não são deixados de lado. Práticas consistentes de exercícios e revisão do conteúdo estudado constroem confiança e ajudam na progressão do conhecimento. "Os estudantes precisam perceber que o que aprendem faz sentido com o seu cotidiano", é a dica de Patrícia Nogueira, diretora-geral pedagógica do Colégio Pentágono. Para a parte de leitura, uma das três áreas avaliadas pelo Pisa, os alunos devem ficar atentos em localizar as informações, para interpretá-las e avaliá-las. Em matemática, é preciso treinar habilidades de formular e entender a relação entre os dados. Por último, as competências de ciências são potencializadas ao se relacionarem com as mudanças climáticas, tempestades, inundações em locais inusitados e o que está acontecendo agora em Maceió. Ainda, Kelly lembra de atividades de lazer que trazem aprendizagem, como visitas a museus, participações em competições e eventos. Célio Tasinafo, diretor pedagógico no Colégio Oficina do Estudante, explica que a falta desses conhecimentos impacta a vida de todos e qualquer momento, desde o cotidiano como a perspectiva geral — seja em fazer compras, se planejar financeiramente, controlar horários e realizar simples cálculos. "Sem conhecimentos matemáticos básicos, os cidadãos têm enorme dificuldade para organizar e planejar sua sobrevivência, aquisição e manutenção de bens", diz Tasinafo.• Clique aqui e receba as notícias do R7 no seu WhatsApp • Compartilhe esta notícia pelo WhatsApp • Compartilhe esta notícia pelo Telegram • Assine a newsletter R7 em Ponto Para Jefferson Mello, diretor de ensino da Escola Vereda, o desempenho dos alunos se reflete nas oportunidades de ter sucesso no mercado de trabalho, já que, na maioria das vezes, o processo para entrar em uma instituição de ensino superior demanda conhecimentos estudados em sala de aula. E o estudo em universidades, por sua vez, é frequentemente atrelado em trilhar uma carreira profissional de sucesso. "A gente percebe que estudantes mais desfavorecidos e aqueles que têm resultados mais baixos em leitura, em matemática e ciências apresentam um leque de opções muito restrito quando a gente fala de opção profissional", diz Mello.*Sob a supervisão de Pedro MarquesFuvest: conheça as escritoras que compõem as primeiras listas de obras obrigatórias só com mulheres