Educação Vale tudo para ensinar: professor usa o Tik Tok e cria régua para ajudar nas fórmulas de química

Vale tudo para ensinar: professor usa o Tik Tok e cria régua para ajudar nas fórmulas de química

Ideia surgiu diante da dificuldade dos estudantes copiarem os desenhos; professora usa sotaques para atrair alunos para as aulas de linguagem

Professor esteve à frente de todos os processos de criação da Régua Orgânica

Professor esteve à frente de todos os processos de criação da Régua Orgânica

Divulgação/ Arquivo pessoal

Com vídeos que ultrapassam 4 milhões de visualizações na plataforma do TikTok, o professor Allan Rodrigues (@1moldeallan) dá aulas de química orgânica e é sucesso na internet.

Após perceber durante a aula as dificuldades que os alunos tinham em copiar os desenhos das moléculas, as chamadas fórmulas bastão, o professor resolveu criar uma régua de química orgânica para facilitar a vida dos estudantes em sala de aula.

Ele explica que os desenhos são complexos. "Os alunos, por não terem prática em desenhar, acabam se desgastando e perdendo tempo no momento que precisam copiar do quadro para o caderno", explica. Ainda, segundo o professor, os benefícios do uso da régua são muitos. "Além de velocidade de cópia, o aluno consegue ter mais organização e pode compreender melhor o conteúdo." Outro ponto de destaque avaliado por Rodrigues é que alguns vestibulares do país aceitam o uso da régua, desde que seja fabricada em material transparente.

A confecção do produto durou quatro anos e o professor esteve à frente de todos os processos, desde a modelagem 3D, ao material a ser produzido até a escolha das cores. "Foi muito bom participar de todo o processo criativo", conta.

Para Rodrigues, o professor já possui a prática quando escreve as fórmulas em bastão no quadro/lousa. "Acabamos que somos mais rápidos que os alunos e é justamente no momento da explicação, quando o aluno ainda está copiando os desenhos, que acaba perdendo a atenção."  Para o professor, o uso da régua oferece uma organização no caderno, harmonia das moléculas, com o mesmo tamanho, e isso ajuda o aluno no momento de revisão dos estudos.

Já nas redes sociais, Rodrigues apresenta conteúdos que normalmente os alunos têm dúvidas. "O TikTok é uma rede social rápida, com vídeos curtos e objetivos. Eu olho para aquilo que eu ensino em sala de aula e tento encaixar algo que possa caber em um vídeo de 60 segundos, por exemplo", diz.

"Eu recebo muitas sugestões com tópicos dentro da química orgânica para produzir os vídeos e se tem alguém pedindo, é claro que tem outras pessoas com a mesma dúvida." 

Outro ponto destacado por ele é que o 'mundo' está na internet. "É importante o professor estar conectado com este mundo virtual, além de aumentar a visibilidade, aumentam as chances para novas oportunidades, seja um emprego novo e até mesmo compartilhar seu conhecimento com outras pessoas além do seu público. Precisamos caminhar junto com o tempo, não podemos ficar para tras."

TikTok e educação

Thaynan Fumian, 27 anos, é formada em letras e ensino bilíngue pela UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro). Trabalha atualmente como professora de linguagens no Senac São Paulo e produz conteúdos nas plataformas digitais, como TikTok e Instagram para os alunos.

A professora conta que começou a fazer vídeos com imitações de "sotaques" e então viralizou entre os estudantes. "Meus alunos me inspiram e eles também gostam dos conteúdos que faço. A era digital quebra esse paradigma da imagem séria do professor e traz proximidade entre a gente", relata.

Thaynan utiliza o TikTok para ensinar

Thaynan utiliza o TikTok para ensinar

Divulgação

Victor Muniz Ferreira é especialista quando o assunto é meios multimídia. Para ele, os professores e todos os outros profissionais da área educacional, ainda estão se preparando para este momento digital. "As pessoas estão se adaptando com as plataformas disponíveis, como o TikTok, e passam a criar novas formas para poder ensinar", explica.

Ferreira ainda destaca que o TikTok não é a salvação da educação e tão pouco o vilão e sim uma ferramenta. "É preciso ter atenção na forma que o educador irá mediar o conhecimento através desta plataforma", explica. O especialista cita uma frase do filósofo Paulo Freire: ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo. Os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo. "Se a gente não estiver preparado para as novas adaptações no meio digital, todos perdem", conclui Ferreira.

*Estagiário do R7 sob supervisão de Karla Dunder

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