São Paulo Doria diz que, se eleito, não dialogará com “movimentos que invadem propriedade”

Doria diz que, se eleito, não dialogará com “movimentos que invadem propriedade”

Em entrevista ao R7, candidato falou sobre temas polêmicos e propostas para a cidade

  • São Paulo | Giorgia Cavicchioli, do R7*

Doria fez duras críticas ao adversário petista, Fernando Haddad

Doria fez duras críticas ao adversário petista, Fernando Haddad

Divulgação

Com um jornal debaixo do braço, o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, João Doria, chegou pedindo desculpas pelo atraso à sala em que guarda dezenas de fotos suas com pessoas famosas. O empresário recebeu a reportagem do R7 para uma entrevista exclusiva em seu escritório na zona sul da cidade.

Sempre com os braços sobre a mesa, ele disse que quer fazer a gestão da eficiência, caso saia vitorioso nas urnas. Colocou a saúde como a área mais problemática da administração municipal e garantiu que movimentos de moradia que “invadem propriedade”, como o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), não terão tratamento de diálogo em sua gestão.

Em momentos mais descontraídos, Doria confessou que mudou sua rotina alimentar por conta da campanha, quando acrescentou os populares pastel e coxinha no cardápio.

Na maior parte da conversa, foi calmo e solicito e só mostrou exaltação quando o assunto foi o PT e o atual governo municipal, comandado pelo adversário Fernando Haddad. Entre duras críticas ao partido, ele afirmou que o programa municipal para reabilitação de viciados na Cracolândia, “De Braços Abertos”,  deixa os dependentes químicos “de braços abertos para a morte”.

O tucano destacou, no entanto, iniciativas do atual governo que pretende manter caso seja eleito, como as ciclovias, os corredores de ônibus e a abertura da avenida Paulista aos domingos para lazer.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista

R7: Como o senhor está se preparando para a maratona da campanha? Alguma dieta especial, tratamento estético ou acompanhamento psicológico?

João Doria: Só acrescentei na dieta o pastel e a coxinha. O resto, tudo normal. Eu me cuido bem. Eu não bebo, eu não fumo e tenho boa alimentação. Durmo pouco, embora durma bem. Eu tenho boa disciplina. Acordo às 6h30 e durmo tarde, entre 2h30 e 3h. Para a campanha, eu estou mantendo o mesmo ritmo.

R7: Seu estilo de roupa foi objeto de debate público. O senhor passou a adotar mesmo um estilo mais descontraído durante a campanha? Tem um personal stylist?

JD: Esse tênis tem exatamente um ano. É a roupa que eu tenho utilizado na campanha. Não teve um look especial, não teve um preparo especial para o debate. É exatamente a roupa que eu tenho utilizado. No dia a dia você vai me encontrar sempre assim.

R7: Uma das críticas que o senhor enfrenta é o distanciamento das camadas mais pobres da população. Como pretende se aproximar do eleitor da periferia?

JD: A crítica é improcedente. Eu, até a semana que vem, vou completar 200 visitas à periferia de São Paulo. São 200 visitas e não são visitas rápidas. São visitas de duas, três, às vezes quatro horas intensas, debatendo com a população, visitando a comunidade, conversando com as pessoas. Então, isso ampliou muito a visibilidade, a convivência e o trato com a população que vive na periferia, especialmente na zona leste, zona sul e parte também da zona norte.

Eu não julgo ninguém pela roupa ou pela condição sócio econômica e acho também que as pessoas não vão fazer um julgamento a meu respeito em função disso. Eu jamais estabeleci qualquer discriminação por alguém que tenha uma origem humilde, que tenha uma diferença de cor, de sexo, ou uma pessoa com deficiência. Portanto, eu não vejo razão para qualquer discriminação em relação a mim.

A frequência na periferia vai continuar e vamos continuar gastando sola de sapato.

R7: Quais são seus projetos para a periferia?

JD: Geração de emprego e oportunidade, principalmente facilitando a geração de negócios na cidade de São Paulo. Como facilitar? Tirando a burocracia, estimulando micro, pequeno e médios empresários nas suas iniciativas, estimulando a construção civil onde também a burocracia é enorme, atraindo investimentos nacionais e internacionais e estimulando o empreendedorismo.

Outra coisa é facilitar o sistema de transporte. Diminuir o tempo de deslocamento entre a casa das pessoas que vivem na periferia e a região central da cidade. Vamos manter os corredores exclusivos e melhorar essa função. Com isso, você vai aumentar o número de passageiros com conforto e funcionalidade. Outro ponto é a habitação popular. São Paulo tem um déficit enorme de habitação. Temos que diminuir esse déficit construindo e gerando novas habitações populares.

R7: O senhor vai dialogar com movimentos como o MTST?

JD: Não são só esses movimentos que existem na capital de São Paulo. Existem vários outros movimentos importantes, sérios e respeitosos que não invadem propriedades. Movimentos que invadem propriedade não terão tratamento de diálogo com o prefeito. Ele não vai apoiar movimentos de invasão. Vai apoiar movimentos de inclusão.

R7: O PT entrou com uma ação judicial questionando sua candidatura porque não se afastou da presidência de seu grupo empresarial. O senhor pretende continuar tocando seus negócios normalmente?

JD: Isso é ridículo. Não tem o menor sentido. Nós estamos absolutamente dentro da lei. É mais ou menos como você proibir candidatos de trabalharem e terem renda para fazer campanha. Isso é ridículo. Isso não tem a menor procedência e mostra o medo do PT em relação a nossa candidatura. O que nós deveríamos, eu digo à população de São Paulo, era pedir o impedimento do PT que tanto roubou o País e mentiu. Esses sim deveriam ser impedidos.

R7: Dentre suas bandeiras, quais o senhor pretende tornar a marca de sua gestão caso seja eleito?

JD: A marca da eficiência. São Paulo precisa ter marca de eficiência de gestão. Coisa que não tem.

R7: Mas tem um projeto em alguma área específica?

JD: Saúde. O ponto mais grave da prefeitura de São Paulo, onde ela atua muito mal. A maioria delas [das unidades de saúde] não funciona à noite. Então, a população pobre não pode ficar doente de noite. Só pode ficar doente de dia, porque se ficar doente de noite não vai ter uma UBS aberta. Exceto pouquíssimas que você vai ter que fazer um deslocamento de quilômetros para poder atender quando a unidade mais próxima da sua casa está fechada à noite

Coxinha e pastel passaram a fazer parte do cardápio do tucano

Coxinha e pastel passaram a fazer parte do cardápio do tucano

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R7: Com relação à atual gestão, quais políticas o senhor pretende manter e quais mudaria?

JD: De negativo, a falta de planejamento e de ações eficientes. Equipe ruim, time ruim e um não cumprimento das metas. O prefeito Fernando Haddad, infelizmente, é um não cumpridor de metas. Das poucas coisas que podem ser mantidas são as ciclovias e, mesmo assim, reavaliando em algumas áreas. Os corredores de ônibus serão mantidos e aprimorados para melhorar a eficiência do transporte.

R7: Uma das formas de aprimorar, na sua opinião, seria a privatização?

JD: Não. Seria o caso da desestatização. Você utilizar o Estado onde ele é preciso: saúde, educação, habitação, transporte público e geração de emprego. Essas são áreas onde o Estado é imprescindível, tem que estar presente. Em outras áreas, parceria com o setor privado, seguindo bons exemplos do governo do Estado.

R7: Caso não vença as eleições, aceitaria assumir a frente de alguma secretaria municipal?

JD: Eu quero te dizer que eu vou vencer as eleições e a pasta que nós vamos vencer é a Prefeitura de São Paulo. Não tem plano B. Nós vamos vencer as eleições.

R7: A sua candidatura causou um racha dentro do PSDB. Como estão as relações agora?

JD: A nossa campanha é a campanha para a população do Estado de São Paulo como um todo. O PSDB sempre caminhou unido e não vai ser diferente nessa campanha. O andar da carruagem vai incorporando, vai diminuindo essas resistências e vamos agregando todos na mesma bandeira. O presidente Fernando Henrique nos apoia, já declarou inclusive. O senador Aloysio Nunes Ferreira, que apoiou o Andrea Matarazzo, esteve presente na nossa convenção. O senador Aécio Neves também fez uma declaração gravada.

R7: Como o senhor ainda é pouco conhecido do eleitor, vamos fazer um “bate-bola” para apresentar sua opinião sobre questões polêmicas da cidade.

Abertura da avenida Paulista para lazer aos domingos

JD: O tempo demonstrou que a população abraçou a ideia e ideais abraçadas pela população devem ser mantidas e melhoradas. Eu nunca fui contra a utilização da paulista. Nós tínhamos dúvidas se as duas pistas deveriam ser utilizadas para o lazer.

R7: Cracolândia

JD: Temos uma proposta completamente diferente da do prefeito Fernando Haddad, que é uma proposta fracassada. Cresceu o número de dependentes e o número de traficantes. Esse programa Braços Abertos virou braços abertos para a morte. Um programa equivocado, ruim. Nós vamos apoiar o programa Recomeço, que é um programa organizado pelo governo do Estado.

R7: Abertura das vias para blocos de Carnaval

JD: É preciso reestudar. O fechamento de ruas e praças para atividades de lazer vai ser estimulado na nossa gestão. No Carnaval, é preciso descentralizar para evitar que algumas áreas da Vila Madalena sofram consequências desastrosas de um número muito excessivo de pessoas nos quatro dias do Carnaval

R7: Redução das velocidades nas vias

JD: Nós vamos acabar com a indústria da multa. Essa verdadeira obsessão pelas multas da gestão Fernando Haddad vai acabar. Vamos manter os radares, mas não vamos ter mais pistolinhas. O problema de acidentes não é só pela velocidade. O uso de celular é o maior índice de acidentes. É preciso educar, orientar e circunstancialmente multar. Mas não multar, multar e multar.

R7: Uber

JD: Eu sou a favor dos taxistas e dos aplicativos. Eu acho que tem espaço para todos. Não podemos barrar as tecnologias, desde que elas tenham um sentimento de equidade.

*Colaborou Plínio Aguiar, estagiário do R7

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