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Em discurso após derrota, Boulos diz que campanha foi marcada por ‘mentiras e ataques’

Candidato acionou TSE contra acusações de que PCC teria orientado voto nele; Boulos terminou a disputa em 2º lugar

Eleições 2024|Ana Isabel Mansur, do R7, em Brasília

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Boulos teve 40,65% dos votos YURI MURAKAMI/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO - 27.10.2024

O candidato derrotado à Prefeitura de São Paulo (SP) Guilherme Boulos (PSOL) declarou neste domingo (27) que a campanha eleitoral deste ano foi “definida por mentiras e ataques”. Em pronunciamento a apoiadores ao lado da candidata a vice Marta Suplicy (PT) e do ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, Boulos agradeceu o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da militância dos partidos aliados. O deputado federal foi derrotado pelo atual prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), que teve 59,35% dos votos. Boulos recebeu 40,65%.

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“Não vou fazer aqui um discurso de perdedor, porque a gente perdeu uma eleição, mas nessa campanha a gente recuperou a dignidade da esquerda brasileira. A gente mostrou que é possível fazer política de outro jeito, olho no olho, debatendo com o povo, de peito aberto, nas praças, nas ruas”, afirmou, ao agradecer aos 2.323.901 paulistanos que votaram nele.

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“Nos momentos mais difíceis dessa campanha, o presidente Lula me chamou e me disse: ‘siga em frente e seja quem você é‘. Eu quero te dizer, presidente, que sei que está assistindo, que você é uma inspiração e que você sempre terá aqui um companheiro leal, por toda a vida”, acrescentou.

Mais cedo neste domingo (27), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que, durante a campanha, foram realizadas interceptações de mensagens de membros do PCC. Segundo o governador, os textos orientavam voto em Boulos. Tarcísio também relatou que o governo paulista trocou informações do caso com o TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral-SP).

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No entanto, procurado pelo R7, o tribunal negou ter recebido relatório de inteligência e informações sobre supostas orientações eleitorais de integrantes de facção criminosa, na capital paulista. “Não chegou ao conhecimento do TRE-SP nenhum relatório de inteligência nem nenhuma informação oficial sobre esse caso específico. O Tribunal soube do caso pela imprensa. Após a divulgação do caso, o candidato a prefeito de São Paulo Guilherme Boulos entrou com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) na 1ª Zona Eleitoral por abuso de poder político e abuso no uso dos meios de comunicação”, destacou, em nota, o órgão eleitoral.

Depois da fala, a campanha de Boulos apresentou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) uma notícia-crime contra o governador de São Paulo e Ricardo Nunes. A ação está sob relatoria do ministro Nunes Marques.

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Apoio no segundo turno

Durante o pronunciamento, o candidato do PSOL aproveitou para agradecer o apoio recebido pelos adversários do primeiro turno. Boulos citou nominalmente Tábata Amaral (PSB), que ficou em quarto lugar, com 9,91%, e José Luiz Datena (PSDB), que terminou a disputa em quinto, com 1,84%.

“Quero agradecer a militância aguerrida dos partidos que tiveram conosco ao longo dessa caminhada e aqueles que se juntaram a nós no segundo turno, em especial Tábata Amaral e PSB. Eu sei o tanto o Datena se arriscou e abriu mão como jornalista ao nos apoiar no segundo turno e sei que declarou esse apoio de coração, e, por isso, faço questão de agradecer aqui de público, depois do resultado eleitoral”, destacou Boulos.

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Em vídeo divulgado em 12 de outubro, Datena declarou voto em Boulos, ao alegar ser “contra o crime organizado em São Paulo e contra a infiltração do crime organizado no poder público”. Inicialmente, o tucano tinha afirmado que não apoiaria nenhum candidato em eventual segundo turno.

Dias depois, o PSDB reafirmou apoio a Nunes. “A deliberação foi tomada logo após o fechamento das urnas em 6 de outubro, e com a definição de que o adversário de Nunes é um representante do lulopetismo, do extremo e da radicalização que sempre combatemos. Por coerência histórica, o PSDB não poderia deixar de indicar neste segundo turno a candidatura do prefeito Ricardo Nunes”, informou a legenda.

Críticas a adversários

Boulos afirmou “se preocupar” com o futuro de São Paulo. “O que é a infiltração do bolsonarismo e do crime organizado na prefeitura da maior cidade do Brasil... Nós aguentamos isso a campanha inteira, [mas] não foi suficiente. Eu espero que o povo de São Paulo e do Brasil tenha forças para evitar o pior”, desejou.

O candidato derrotado também encorajou os apoiadores. “Eu quero terminar dando uma mensagem para muitas pessoas, milhares de pessoas, que hoje, depois que saiu o resultado eleitoral, vieram chorando, entristecidos. Ergam a cabeça. Nossa luta não começou hoje e não acaba aqui. Eu tenho muita confiança que, apesar do resultado eleitoral, não só aqui em São Paulo, mas em todo o Brasil, que o futuro vai ser nosso. Ao povo mais sofrido dessa cidade: o ideal e o sonho de justiça social e de uma sociedade mais humana vai prevalecer”, completou.

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