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Argentinos vão às urnas e 'voto com o bolso' pode decidir eleição

País está em recessão econômica há um ano, com inflação galopante, a mais alta taxa de desemprego em 13 anos e um índice de pobreza cada vez maior

Internacional|Da EFE


País está em recessão econômica há um ano e meio
País está em recessão econômica há um ano e meio

A grave crise econômica na Argentina foi o principal tema dos candidatos à presidência na campanha para o primeiro turno das eleições, e seus efeitos foram determinantes para posicionar o peronista Alberto Fernández como favorito nas pesquisas de intenção de voto em relação ao atual mandatário, Mauricio Macri, no duelo que terão nas urnas no domingo (27).

Em meio a um contexto econômico adverso - o país está em recessão há um ano e meio, com inflação galopante, a mais alta taxa de desemprego em 13 anos e um índice de pobreza cada vez maior -, Macri reconheceu o duro impacto de suas medidas de ajuste, mas pediu uma nova oportunidade com a promessa de uma nova etapa de crescimento.

Depois do surpreendente resultado das eleições primárias de agosto, nas quais Fernández - que tem como candidata a vice em sua chapa a ex-presidente Cristina Kirchner - derrotou Macri por 16 pontos percentuais de vantagem, o chamado "voto com o bolso" pode acabar pesando para que os argentinos recoloquem um peronista no poder.

Uma virada improvável ou o retorno do peronismo

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Embora todas as pesquisas apontem o contrário, Macri acredita em uma vitória de virada e que disputará um segundo turno com Fernández em 24 de novembro.

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O atual presidente, de 60 anos, esbanjou confiança em todos os comícios que realizou desde a derrota nas primárias e, só no último mês, percorreu mais de 30 cidades para tentar convencer eleitores a apostar em seu projeto de governo.

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Por outro lado, Alberto Fernández, apontado em todas as pesquisas como favorito a ser eleito já em primeiro turno, focou a campanha em responsabilizar Macri pela crise econômica e está otimista em sacramentar a vitória sem a necessidade de uma segunda votação.

Em Mar del Prata, cidade com maior índice de desemprego do país, e acompanhado por Cristina Kirchner, que quase não participou dos atos de campanha, Alberto Fernández, que tem a mesma idade de seu concorrente, comemorou na quinta-feira a unidade do peronismo, e afirmou que seu programa de governo tem "a mesma essência que o povo quer".

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Além da crise econômica, outro fator determinante neste pleito é que, depois de anos de divisões, o peronismo deixou de lado as diferenças.

Para a analista política Mariel Fornoni, diretora da empresa de consultoria M&F, as campanhas dos dois candidatos foram adequadas ao cenário das eleições primárias de agosto.

"Macri fez uma campanha para o milagre, e Fernández tentou não fazer nada que possa prejudicar sua vantagem", disse Fornoni à Agência Efe.

Dentro da estratégia de Fernández, destaca-se o fato de que Cristina, alvo de vários processos por corrupção durante seu período no poder, ficou praticamente ausente da campanha, já que desperta amor e ódio de forma equilibrada entre o eleitorado.

Inquietação nos mercados

Na contagem regressiva para as eleições, a incerteza nos mercados, que dão como certa a vitória de Alberto Fernández, se aprofundou pelo rumo que a economia argentina tomará a partir da próxima semana.

Nos últimos dias, o dólar voltou a subir, e o ritmo de queda das reservas aumentou com investidores que se protegem na moeda americana diante de eventuais novos sobressaltos financeiros e por temor de que os controles cambiais decretados em setembro por Macri se aprofundem depois do pleito.

Para Jorge Arias, da consultora Polilat, os mercados "optaram por Macri antes das eleições primárias, e agora decidiram acelerar a incerteza, o que provocou a fuga de dólares e filas de clientes nos bancos tentando proteger seu capital".

Ganhe quem ganhar no pleito de domingo, cuja apuração preliminar o governo prometeu que será "ágil e transparente", terá que enfrentar um desolador panorama econômico, e o desafio mais urgente será renegociar a dívida que asfixia a Argentina.

No final de setembro, a dívida do país chegava a US$ 315 bilhões (o equivalente a 68% do PIB), dos quais US$ 126 bilhões estão em mãos de credores privados, e US$ 75 bilhões correspondem a dívidas com organizações internacionais.

O Fundo Monetário Internacional (FMI), que já liberou US$ 45 bilhões à Argentina do total de US$ 56,3 bilhões que concedeu ao país, deixou para depois das eleições o restante do valor, inicialmente previsto para setembro, até conhecer os planos econômicos do próximo governo.

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