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Como está a guerra entre Rússia e Ucrânia após 6 meses de conflito?

Em meio aos intensos confrontos no leste do país, nação comandada por Volodmir Zelenski tenta viver e resistir à invasão

Internacional|Lucas Ferreira, do R7


Bombardeios em cidades ucranianas continuam dia após dia nestes seis meses de guerra
Bombardeios em cidades ucranianas continuam dia após dia nestes seis meses de guerra

guerra entre Rússia e Ucrânia completa seis meses nesta quarta-feira (24). Durante esses 181 dias, o mundo acompanhou a tomada da usina de Chernobyl, a saga dos ucranianos que tentavam fugir do país, assim como as bombas na maternidade de Mariupol e o massacre de Bucha.

Atualmente os principais confrontos da guerra acontecem no leste da Ucrânia, onde estão localizadas as regiões separatistas de Donetsk e Lugansk. A forte ligação da área com a Rússia, por sinal, foi usada como pretexto pelo presidente Vladimir Putin para iniciar o conflito.

O avanço contínuo das forças armadas na região, porém, não é visto pelo professor de relações internacionais da ESPM Gunther Rudzit como uma grande vitória. Para o especialista, a demora para controlar um exército menor traz um gosto “amargo” aos triunfos russos.

“O avanço no leste é uma vitória com certeza, mas com um gosto muito amargo porque as forças armadas da Rússia não conseguiram derrotar um oponente muito menor, e ao mesmo tempo estão sofrendo um desgaste de material e vida humana muito grande”, afirma Rudzit ao R7.

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O professor de direitos humanos da Universidade Estácio de Sá Douglas Galiazzo destaca a resistência ucraniana, que transforma a guerra em um constante jogo de ganhos e perdas entre os dois lados do conflito.

“Não dá para cravar uma vitória da Rússia no leste. Ainda é um ambiente que é cheio de ganhos e perdas. Há sinais de resistência da Ucrânia, logo não há nenhum espaço em que não possa haver uma reação ucraniana”, explica Galiazzo ao R7.

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O controle russo cada dia maior na região onde ficam as repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk, reconhecidas pelo governo de Putin momentos antes do início da guerra, podem tornar a área uma nova Crimeia, segundo Rudzit.

“Assim que o governo russo achar que já conquistou o que queria e que pode ocupar, é praticamente certo que haverá um processo igual ao da Crimeia em 2014. Ou seja, um referendo onde a maioria pode votar pela anexação da região pela Rússia.”

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Galiazzo segue a mesma linha de Rudzit e estipula que uma anexação oficial feita pelo governo de Putin pode ser repetida no final da guerra, o que segundo o especialista pode levar anos.

“Essas são as duas grandes regiões em que realmente a intenção é a anexação pela Rússia. Entretanto, a gente só vai descobrir esse novo formato geopolítico da Rússia, da intenção em anexar [Donetsk e Lugansk], nos próximos meses ou até mesmo anos, com o fim dessa guerra.”

A Crimeia, península ao sul no território da Ucrânia, foi anexada pela Rússia em 2014, após tropas de Moscou tomarem a região sem resistência ucraniana, na época comandada pelo presidente interino Oleksandr Turchynov.

Negociações entre Rússia e Ucrânia

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Rússia e Ucrânia sentaram à mesa de negociações junto a ONU e Turquia para discutir maneiras de escoar o trigo ucraniano — produto importante para o combate à fome em diversas partes do mundo, em especial no Chifre da África, formado por Djibout, Eritreia, Etiópia e Somália.

O entendimento entre as partes trouxe a esperança de que Putin e Volodmir Zelenski finalmente pudessem conversar sobre um acordo que levasse ao cessar-fogo, ou seja, à interrupção da guerra. Entretanto, a situação segue longe de ser resolvida.

O presidente da Ucrânia já afirmou que não negociará enquanto tropas russas estiverem no país e o mandatário da Rússia não dá indícios de que pensa em ceder os territórios conquistados nesses seis meses de guerra.

“A liberação das exportações de grãos não significa possibilidade de cessar-fogo. Até porque o que interessa à Rússia vai além disso, vai à vontade de fazer frente à Otan”, diz Galiazzo.

A guerra lenta e arrastada entre as partes começa a gerar dificuldades logísticas para a Rússia. Segundo Rudzit, o avanço “lento de forma geral” é um reflexo dos bombardeios ucranianos que levam à falta de combustível e munição.

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O rigoroso inverno no Leste Europeu se aproxima e traz mais um ingrediente para o maior conflito no continente desde a Segunda Guerra Mundial.

“Grandes guerras foram definidas, foram encerradas, quando surge o inverno. Acho que são dois países que já estão habituados ao frio. Realmente é uma incerteza. Não é fácil cravar, opinar, falar, quem poderia se beneficiar do clima”, explica Galiazzo.

Rudzit, por outro lado, não vê vantagens para ninguém com a chegada do inverno, além do sofrimento do povo ucraniano para manter o aquecimento elétrico e a gás das residências durante a estação mais gelada do ano.

“Não acredito que o inverno vá beneficiar nenhum dos dois lados, pois impossibilitará grandes movimentações militares. A população ucraniana sofrerá muito mais por falta de infraestrutura para energia, calefação e até mesmo de alimentos”, conclui Rudzit.

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