Condenado por atentado em Madri é extraditado para a Espanha

Carlos García Juliá, um dos autores do 'massacre de Atocha', em 1974, estava foragido desde 1994 e foi preso em São Paulo, em dezembro de 2018

Juliá na época do massacre, no fim dos anos 1970

Juliá na época do massacre, no fim dos anos 1970

Reprodução

Carlos García Juliá, condenado por participar de um atentado terrorista em Madri, em 1977, e que estava preso no Brasil desde dezembro de 2018, foi extraditado nesta quinta-feira (6) para a Espanha.

Fontes da Polícia Federal informaram à Agência Efe que García Juliá, cuja extradição foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado, embarcou em um voo comercial da companhia Iberia que decolou no aeroporto internacional de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, pouco depois das 16h (de Brasília) rumo a Madri. Ele chegou ao terminal acompanhado pelo cônsul espanhol na capital paulista, Ángel Vázquez.

Condenado a 193 anos

O ex-integrante do grupo de extrema-direita Fuerza Nueva foi condenado na Espanha em 1980 como um dos autores do massacre cometido três anos antes e em que foram assassinados três advogados trabalhistas, um estudante de direito e um funcionário administrativo na capital do país, em uma ação terrorista que tinha como alvo um líder do Partido Comunista local.

García Juliá, que cumpriu 14 dos 193 anos de prisão aos que foi condenado, estava foragido da justiça espanhola desde o início dos anos 90. Ele foi preso em dezembro de 2018 em São Paulo, onde vivia com identidade venezuelana falsa e trabalhava como motorista de Uber.

Antes de ser preso no Brasil, o espanhol, que tinha 24 anos quando cometeu a chacina, também viveu em outros países da América Latina, como Paraguai e Bolívia.

Extradição para a Espanha

Depois de o paradeiro de García Juliá ser revelado, o Tribunal Nacional Espanhol solicitou a extradição alegando que a sentença que lhe foi imposta não estava prescrita e que ele ainda tinha 3.855 dias de prisão para cumprir.

A extradição do extremista espanhol havia sido autorizada pelo Supremo Tribunal Federal em agosto de 2019 e dependia apenas da confirmação pelo governo brasileiro, o que ocorreu no início deste ano.

Amanhã, o embaixador espanhol no Brasil, Fernando García Casas, deve receber o ministro da Justiça, Sérgio Moro, em Brasília, para agradecer oficialmente ao Brasil pela colaboração para que García Juliá fosse extraditado.