Internacional Israel e países do Golfo negociam pacto histórico de cooperação

Israel e países do Golfo negociam pacto histórico de cooperação

Aproximação ocorre após hostilidade entre Israel e Arábia Saudita ficar em segundo plano por motivos estratégicos e econômicos

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Ministro discursa durante Assembleia da ONU

Ministro discursa durante Assembleia da ONU

Eduardo Munoz/Reuters/26-09-19

A recente aproximação entre Arábia Saudita e Israel tem redefinido o mapa de tensões no Oriente Médio. O isolamento que caracterizava a situação de Israel em relação aos países árabes passou a sofrer uma espécie de "degelo", em função de interesses comerciais e estratégicos.

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No início de outubro, o ministro das Relações Exteriores israelense, Israel Katz, declarou, no Twitter, que tem buscado costurar alianças com países antes hostis a Israel, em uma movimentação que já dura meses. E deu a entender que a sintonia da Arábia Saudita, que agltuina aliados na região, com os Estados Unidos foi fundamental para fortalecer as conversas.

"Recentemente, com o apoio dos Estados Unidos, venho promovendo uma iniciativa política para assinar um tratado de não agressão com os países do Golfo Pérsico. Um passo histórico porá um fim ao conflito e promoverá a cooperação civil até que sejam concluídos acordos de paz", afirmou Katz.

Por ser um tema de segurança nacional, acima da política, tal situação independe da definição sobre o futuro primeiro-ministro de Israel, já que as negociações para um governo de união ainda prosseguem, após as últimas eleições de setembro.

Ultimamente, os governos israelense e saudita vêm mantendo uma cooperação econômica, militar e de segurança. A hostilidade histórica entre os dois países, que não possuem relações formais, passou a ficar em segundo plano, justamente porque ambos têm neste momento um inimigo em comum, o Irã. Além do vínculo com o governo americano.

Tal situação deu brecha para Israel trocar o isolamento por uma trégua diplomática com uma parte dos países da região, apoiadores da Arábia. Neste sentido, o governo israelense considera que houve um ganho na diplomacia que, pelo menos, passou de inexistente para parcial.

A declaração de Katz praticamente confirma a informação, divulgada neste mês pelo Canal 12 de TV israelense, de que um "pacto histórico" está sendo negociado entre Israel e vários países do Golfo Pérsico, voltado à não-agressão e a contratos comerciais e de cooperação. Há também, segundo o veículo, a intenção de se definir "formas de lidar com a ameaça iraniana." 

Já teria sido elaborado até um texto preliminar que se refere especificamente à cooperação na luta contra o terror e na promoção de interesses econômicos.

Encontros anteriores

O mais recente pano de fundo das negociações foi a última Assembleia Geral da ONU, em 26 de setembro, na qual Katz, que também é ministro da Inteligência, se reuniu, segundo o canal, com chanceleres dos países árabes.

No seu discurso, o ministro israelense abordou alguns pontos das negociações.

"Não temos conflito com os Estados do Golfo e temos interesses comuns no campo da segurança contra a ameaça iraniana, bem como no desenvolvimento de muitas iniciativas civis conjuntas", disse ele.

Não ficaram claros, segundo a reportagem, quais países árabes farão parte do acordo. Mas Katz vem se reunindo com importantes representantes de nações locais.

Em novembro de 2018, Katz já havia viajado para Omã para participar de uma conferência internacional. Na ocasião, ele ressaltou outro instrumento para a integração: o desenvolvimento tecnológico.

"Na minha opinião, a cooperação entre Israel e os Estados do Golfo pode e deve ser ampliada. Israel também tem muito a oferecer em questões de dessalinização e irrigação da água, agricultura e medicina."

Posição do Bahrein

No final de julho, após ter participado de reunião em Abu Dhabi, Katz conversou com Khalid bin Ahmed Al Khalifa, ministro das Relações Exteriores do Bahrein, durante evento organizado pelo Departamento de Estado dos EUA em Washington.

Khalifa confirmou que está havendo a aproximação e, antes de outra conferência, em Manama, Bahrein, disse que a atual negociação poderia se tornar um novo Camp David, acordo que selou a paz entre Israel em Egito, em 1977.

“Por mais que Camp David 1 tenha sido um importante passo, após a visita do presidente Anwar Al Sadat, se isso (a conferência) for bem-sucedida, nos concentrarmos no plano proposto e tivermos o apoio necessário, este pode ser o segundo (Camp David)”, disse Khalifa, ao The Times of Israel.

E, apesar de discordâncias em relação à questão palestina, ainda não resolvida, Khalifa afirmou que seu governo já não discute o direito de Israel existir.

“Israel é um país da região e está lá para ficar, isso está claro”, completou.

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