Em coletiva nesta quinta-feira (31), na Embaixada da Rússia no Brasil, o embaixador russo, Alexey Labetskiy, disse que não está de acordo com a suposta tese de que os Brics se contrapõem ao G7. “Nunca. Os Brics foram criados como fórum de cooperação em prol de desenvolvimento dos membros. A tese de que os Brics são contra o G7 é uma invenção dos politólogos que querem impor o mundo unipolar que já não existe", afirmou o diplomata.O G7 é o grupo dos sete países mais industrializados do mundo mais a União Europeia. Participam, além do bloco europeu, Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. A Rússia já fez parte do grupo (que se chamava G8), mas foi suspensa em 2014 por causa do conflito em torno da anexação da Crimeia.Sobre o encontro do G20 em novembro, no Rio de Janeiro, Labetskiy afirmou que o chefe da delegação russa será anunciado em breve. “Nós partilhamos os objetivos que foram declarados pela presidência brasileira do G20, e entre estes objetivos as questões geopolíticas não figuram. As questões geopolíticas figuram só nas cabeças dos que querem punir a Rússia", afirmou. “A delegação russa será de nível alto", acrescentou.O G20 é o grupo que reúne as principais economias do mundo mais a União Africana e a União Europeia.O presidente Vladimir Putin não virá ao Brasil, segundo o Kremlin, para não tirar o foco de atenção do encontro. Putin tem um pedido de prisão decretado pelo Tribunal Penal Internacional por supostos crimes de guerra cometidos durante a invasão da Ucrânia. A decisão do presidente russo de não vir foi tomada quatro dias após o procurador-geral da Ucrânia pedir ao Brasil que cumprisse o mandado de prisão contra Putin caso ele viesse ao evento.A cúpula de líderes do G20 será realizada entre os dias 18 e 19 de novembro e terá a participação dos 19 países-membros do grupo, além da União Europeia e da União Africana.Labetskiy disse também que a Rússia compartilha de todos os objetivos declarados pela presidência brasileira no G20. “Na semana passada, por exemplo, participei de dois eventos importantes. Fui ao encontro dos procuradores-gerais do G20, no Rio de Janeiro. Foi importante, e nosso procurador-geral participou também. Depois, chefiei a delegação russa no estudo das questões ligadas à corrupção, em Natal [RN]. Daqui a cinco dias, vamos ter o início do G20 parlamentar em Brasília. Labetskiy comentou também as sanções impostas à Rússia por países do Ocidente.“As sanções empreendidas contra a Rússia influenciaram nossa economia e nosso setor bancário. Mas essa influência, em sua maior parte, foi inesperada para quem aplicou as sanções porque puxou nosso desenvolvimento econômico e reabriu o desenvolvimento técnico e militar. E o crescimento da economia da Rússia está duas vezes maior que o crescimento dos países assim chamados desenvolvidos", afirmou. O espaço que vai sediar a reunião do G20 no Rio de Janeiro já está pronto para receber as lideranças mundiais.Na quarta-feira (30), foi entregue a obra de revitalização do Museu de Arte Moderna. Participaram da cerimônia o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), a primeira-dama da República, Janja da Silva, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.