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Conheça o veneno usado pelos polvos para ‘acasalamento seguro’ descoberto por biólogos

Veneno usado pelos machos contém tetrodotoxina, uma substância letal que provoca paralisação instantânea

Internacional|Do R7

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Os polvos de anéis azuis são considerados um dos animais mais perigosos do mar
Os polvos de anéis azuis são considerados um dos animais mais perigosos do mar Reprodução/ Museu Australiano - Dra. Isobel Bennett

Os humanos não são os únicos a adotar estratégias para garantir uma reprodução segura. No reino animal, algumas espécies desenvolvem métodos peculiares para evitar riscos durante o processo de acasalamento. No caso do polvo-de-linhas-azuis (Hapalochlaena fasciata), encontrado nas águas da Austrália, os machos recorreram a um truque venenoso para sobreviver à experiência.

Pesquisadores da Universidade de Queensland, em Santa Lúcia, descobriram que os machos dessa espécie aplicam uma mordida tóxica nas fêmeas antes do acasalamento. O motivo? As fêmeas são pelo menos duas vezes maiores e não hesitam em devorar seus parceiros, caso tenham a oportunidade.


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Uma dose de veneno

O veneno usado pelos polvos machos contém tetrodotoxina, uma substância letal também presente no baiacu. Essa toxina paralisa presas e, no caso do acasalamento, imobiliza temporariamente as fêmeas, garantindo que o macho consiga se reproduzir antes de ser atacado.

Os pesquisadores observaram que, durante experimentos em laboratório, os machos injetam saliva carregada de veneno diretamente na aorta das fêmeas. Como resultado, a taxa de respiração das fêmeas caía drasticamente, chegando a uma paralisação total após cerca de oito minutos.


As fêmeas ficam pálidas, com as pupilas contraídas e os reflexos a estímulos luminosos desaparecem – sinais clássicos de envenenamento por tetrodotoxina.

Enquanto a fêmea permanecia imóvel, o macho conseguia se reproduzir com sucesso. O efeito passava gradualmente, e, assim que as fêmeas recuperavam os movimentos, afastavam seus parceiros.


Sobrevivência e consequências

Nenhuma das fêmeas submetidas ao experimento morreu em decorrência da mordida, sugerindo que possuem certa resistência à toxina. No entanto, todas apresentaram inchaços e ferimentos no local da mordida. Mesmo assim, entre 3 e 29 dias após o acasalamento, todas botaram ovos.

Esse comportamento não é exclusivo do polvo-de-linhas-azuis. Outras espécies menores de polvo também desenvolveram formas de evitar o canibalismo reprodutivo. Alguns machos utilizam um braço especializado e alongado para transferir esperma à distância, reduzindo o risco de serem devorados por suas parceiras.

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