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Qual o segredo do bambu para se tornar o prato principal na dieta do panda?

Componente da planta pode facilitar a adaptação desses animais de uma dieta carnívora para uma baseada em vegetais

Internacional|Do R7

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Panda-gigante Qing Bao, que vive no Zoológico Nacional de Washington, nos Estados Unidos Roshan Patel/Instituto Nacional de Biologia da Conservação e Zoológico do Smithsonian

Os pandas-gigantes têm sistemas digestivos típicos de carnívoros. No entanto, o bambu é sua principal fonte de alimento. Como isso é possível? Agora, um estudo ajuda a desvendar como o hábito alimentar do animal foi moldado por essa planta.

“Nosso estudo provou que o bambu usado como alimento por pandas-gigantes afeta a mudança de seus hábitos alimentares”, diz Feng Li, pesquisador da China West Normal University e autor sênior do estudo publicado na Frontiers in Veterinary Science.


Em sua evolução, os pandas-gigantes desenvolveram várias características, por exemplo, pseudopolegares para agarrar bambu e dentes planos que são bem adequados para esmagá-lo, o que torna possível que eles vivam de plantas.

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O que aconteceu?

Todos os organismos vivos têm DNA, que armazena a informação genética em uma célula, e RNA, que carrega e transfere essa informação. MicroRNAs (miRNA) são pequenos RNAs não codificantes que desempenham um papel importante na expressão genética, o processo de transformar a informação codificada em um gene em uma função. O miRNA de plantas pode ser absorvido através dos alimentos.


Pesquisadores na China exploraram se o miRNA derivado de plantas pode entrar nos sistemas dos pandas-gigantes e regular a expressão genética e, assim, auxiliar na adaptação a uma dieta baseada em bambu.

“Mostramos que miRNAs derivados de plantas estão presentes no sangue de pandas-gigantes”, diz Li.


Como foi a descoberta?

Os pesquisadores coletaram amostras de sangue de sete pandas-gigantes, incluindo três fêmeas adultas, três machos adultos e uma fêmea jovem. Nessas amostras, eles encontraram 57 miRNAs que provavelmente eram derivados de bambu.

“O miRNA no bambu pode entrar no corpo dos pandas-gigantes por meio da dieta, ser absorvido pelo intestino, entrar na circulação sanguínea e então regular quando o RNA do panda-gigante transfere informações, desempenhando assim um papel na regulação da expressão genética dos pandas gigantes”, afirma Li.


Esses miRNAs derivados de plantas podem regular diferentes processos fisiológicos, incluindo crescimento e desenvolvimento, ritmos biológicos, comportamento e respostas imunológicas.

“O miRNA no bambu também está envolvido na regulação do olfato, paladar e vias de dopamina dos pandas-gigantes, todos relacionados aos seus hábitos alimentares”, afirma Li.

Os pesquisadores acreditam que, à medida que os pandas comem mais bambu durante sua fase de crescimento, certos miRNAs se acumulam, modulam a expressão genética e auxiliam na adaptação ao sabor do bambu.

Esses miRNAs também podem influenciar o olfato dos pandas-gigantes e permitir que eles escolham os pedaços mais frescos e nutritivos das plantas de bambu. Consequentemente, os miRNAs do bambu podem facilitar a adaptação dos pandas-gigantes de uma dieta carnívora para uma dieta baseada em vegetais.

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