”Ela morreu em vão?”, filha de motorista morta na queda de viaduto em BH pede justiça
Ana Clara Santos da Conceição, que tinha cinco anos na época, estava no micro-ônibus com a mãe e sobreviveu
Minas Gerais|Do R7, com Gabriel Rodrigues, da Record Minas
A queda do viaduto Batalha dos Guararapes, na avenida Pedro I, na região norte de Belo Horizonte, completa 10 anos nesta quarta-feira (3). O desabamento da estrutura matou duas pessoas e deixou mais de 20 feridas.
Entre as vítimas, estava Hanna Cristina dos Santos, de 24 anos, que dirigia o ônibus atingido pelo viaduto. A filha dela, de 5 anos, também estava no coletivo e sobreviveu. Em entrevista à Record Minas, a adolescente falou sobre o dia.
“Eu lembro de tudo. Ela pediu para eu ir para trás, ficar perto da minha tia. No que fui para trás, já escutei um barulho muito forte. Eu batei a cabeça na escada e voltei. Aí eu meio que desmaiei. Quando voltei, vi a minha mãe daquele jeito e comecei a gritar”, contou Ana Clara Santos da Conceição.
Uma década depois do acidente, a jovem ainda fala sobre como tem sido viver sem a presença da mãe. “É muito angustiante. Eu sei o que passa na minha cabeça todos os dias sem ela porque não é fácil a gente crescer sem mãe, principalmente na idade que eu estou. Eu me vejo em muitas situações que eu precisaria dela. Eu tenho minha vó, minha tia, meu pai, minha família que me apoia muito, mas não é a minha mãe e nunca vai ser. “Ela morreu em vão? Eu sei que ela salvou muitas vidas, mas a minha mãe morreu, a filha da minha avó morreu.
Além Hanna Cristina, Charlys do Nascimento, também de 24 anos, não sobreviveu. Ele estava em um carro que passava sob o viaduto no momento do desabamento.
A revitalização pretendia melhorar a mobilidade para a Copa do Mundo realizada no Brasil naquele ano. Até hoje, o viaduto não foi reconstruído. No local, sinais eletrônicos foram implantados como uma tentativa de resolver o problema de mobilidade da região. Além deles, 23 pessoas ficaram feridas, sendo seis operários da obra e 17 passageiros que estavam em um micro-ônibus.
Em 2020, dos 11 indiciados, seis pessoas foram condenadas, sendo cinco por homicídio culposo e uma pessoa por homicídio doloso. Afetados pelo desabamento do viaduto, moradores de condomínios muito próximos da obra, no bairro São João Batista, também pedem indenização, mas não receberam nada até o momento.
Confira as notas na íntegra:
Prefeitura de BH
“A Prefeitura de Belo Horizonte informa que, desde 2014, com a entrada em vigor da NBR 6118/2014, possui contrato com empresa especializada para executar serviços de consultoria e avaliação de projetos de infraestrutura (viadutos, canais, contenções, etc.) e edificações.
É Importante destacar que a manutenção em viadutos, pontes, túneis e passarelas do município é um processo contínuo composto pelas seguintes fases: mapeamento, diagnóstico para avaliar as condições gerais da estrutura e do pavimento e recomendações de intervenções. A Prefeitura de Belo Horizonte possui um contrato específico para a manutenção preventiva e corretiva dessas estruturas. Em Belo Horizonte são 144 viadutos cadastrados.”
Consol
“A CONSOL já prestou todos esclarecimentos à Justiça e à Prefeitura Municipal sobre o projeto do Viaduto Batalha dos Guararapes. A empresa não participou do controle de qualidade de execução do viaduto e, por ser projetista, por evidente também não participou da sua construção.
Vale ressaltar que a CONSOL participou da Supervisão e do Controle de Qualidade no início da execução das obras de duplicação da Avenida Dom Pedro I. Durante o período em que participou, não ocorreu nenhum problema técnico nas obras dos viadutos, passarelas e trincheiras executadas. O contrato encerrou antes mesmo do início da construção do Viaduto Batalha dos Guararapes.”
Cowan
“A Construtora Cowan S/A registra que nunca foi condenada em definitivo em nenhum dos processos que tramitam sobre o assunto da trágica queda do Viaduto Batalha dos Guararapes. E mais, a Construtora Cowan não tem medido e não medirá esforços para comprovar sua inocência neste evento, que ocorreu em razão exclusivamente de uma falha do projeto executivo elaborado pela CONSOL, contratado pela Prefeitura de Belo Horizonte, conforme já constatado em inúmeros laudos periciais e técnicos, incluindo o laudo técnico do instituto de Criminalística de Minas Gerais.”