Minas Gerais Entenda os problemas na barragem que ameaça Barão de Cocais (MG)

Entenda os problemas na barragem que ameaça Barão de Cocais (MG)

População tem enfrentado dificuldade em entender riscos da Barragem Sul Superior e sua relação com o talude que está desmoronando

  • Minas Gerais | Márcio Neves, enviado especial do R7 a Barão de Cocais (MG)

Problemas tanto na área da mina, como na barragem têm gerado dúvidas

Problemas tanto na área da mina, como na barragem têm gerado dúvidas

Márcio Neves/R7

Nos últimos quatro meses a população de Barão de Cocais tem sofrido com a possibilidade do rompimento de uma barragem de rejeitos de minérios de uma mina desativada da Vale.

Esta possibilidade já fez centenas de pessoas serem removidas de uma área de maior risco e motivou a necessidade de treinamento de evacuação em várias áreas da cidade classificadas como zonas de risco, o que tem tirado o sono de moradores da pequena cidade de 32 mil habitantes.

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No vídeo abaixo, é possível identificar os elementos que existem nesta mina e estão diretamente relacionados aos riscos que Barão de Cocais enfrenta, segundo os órgãos de controle de mineradoras, defesa civil e engenheiros consultados pelo R7.

Risco na barragem

A barragem Sul Superior, armazena lama de rejeitos do minério de ferro que era extraído na mina de Gongo Soco até 2016. São 6 bilhões de litros de rejeitos, o equivalente a 2.500 piscinas olímpicas. 

Após o acidente que deixou centenas de mortos em Brumadinho, a ANM (Agência Nacional de Mineração), órgão do Governo Federal, decidiu fazer um pente fino na segurança de barragens que utilizavam o mesmo metódo de construção da que rompeu em 25 de janeiro, entre elas a barragem Sul Superior da Mina de Gongo Soco. 

No dia 7 de fevereiro, a Vale informou à ANM, que o Fator de Segurança, um indicator matemático baseado em medições feitas na estrutura da barragem, estava abaixo das normas.

De acordo com as regras, quando isto acontece, é declarado emergência na barragem, o que exigiu tocar as sirenes, providenciar a evacuação das áreas mais próximas da barragem, chamadas de ZAS (Zonas de Alto Salvamento), e deflagrar a série de treinamentos de evacuação e monitoramento constante da estabilidade da barragem Sul Superior.

Tudo isto está previsto em protocolos de segurança e são considerados normais, para que, em uma situação de emergência, o número de vítimas e danos sejam os menores possíveis.

O desmoronamento do talude

O talude é uma construção de terra feita nas bordas de um determinado local para dar maior estabilidade. Ele pode ser feito durante uma escavação ou construído.

No caso da Mina de Gongo Soco, um talude escavado no entorno da cava, o buraco onde eram extraídos os minérios, e que hoje tem mais de 100 metros de água, começou a desmoronar, fazendo com que a terra, pedras e tudo que esteja acima dele também fique instável e possa cair.

Ele passou a ser monitorado pelos técnicos que trabalham com a situação em Barão de Cocais, pois há uma suspeita de que a queda desse talude, possa provocar uma onda de choque que afete a estabilidade da barragem Sul Superior, que já apresenta problemas, mesmo estando a 1.500 metros de distância do talude que está desmoronando.

Tanto a Vale, como a Defesa Civil, e engenheiros ouvidos pelo R7 afirmaram que não há estudos que possam indicar que a queda do talude nesta distância, ainda mais amortecido pela água da cava da mina, possa oferecer uma onda de impacto significante para provocar o rompimento da barragem.

Barragem Sul Inferior

A barragem Sul Inferior foi construída para reter a água dos rejeitos da barragem Sul Superior, que por sua vez é bombeado para utilização nos processo de mineração e manutenção da mina de Gongo Soco, mesmo após ela ter sido desativada em 2016.

Ela não oferece risco, mas pode ser destruída por um rompimento da barragem Sul Superior, liberando milhares de litros de água de rejeitos juntamente com a lama da barragem acima.

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