Revisitando o Gin

Colunista resgata a história de um dos destilados mais consumidos no mundo

Colunista resgata a história de um dos destilados mais consumidos no mundo

Colunista resgata a história de um dos destilados mais consumidos no mundo

Folha de Pernambuco

Em abril de 2016 escrevi sobre esta adorável e perfumada bebida destilada. De lá pra cá, ela só ganhou espaço no gosto popular, aqui e alhures, especialmente na Europa. Espaço não só em consumo, mas também em sofisticação. Garrafas que mais parecem obras de arte. Com conteúdos tão elaborados que mais lembram receitas miraculosas de magos, como o famoso Merlin. O que me reporta a um pouco de suas características básicas e história. Pedindo seu perdão para transcrever o que escrevi em 2016. Que se você leu, tenho certeza, jogou fora. Então...: “Seu nome deriva do francês genièvre e do holandês jenever, ambos significando zimbro, componente básico e obrigatório do gin, que lhe confere o aroma típico. Mas vários componentes aromáticos (casca de frutas cítricas, aniz, angélica, canela, cardamomo, coentro, açafrão, alcaçuz, pepino, amêndoas, noz-moscada, rosa, acácia e outros) podem ser adicionados à base alcoólica, que é sempre derivada de elementos botânicos, tais como grãos, beterraba, batata, cana, uva, etc.

Os tipos de gin se diferenciam pela forma de elaboração. Há os que apenas adicionam os agentes aromáticos ao álcool, outros são destilados na presença destes agentes – com variáveis no processo de produção, incluindo diferentes alambiques e métodos de destilação. Os rótulos podem estampar os termos distilled gin, gin e London dry gin – os dois últimos sendo mais comuns – além de outras denominações, como sua origem geográfica (ex. Plymouth Gin). Os registros mais antigos desta bebida datam do século XIII, na enciclopédia Der Naturen Bloeme. No final dos anos 1500 era usada pelos soldados, antes das batalhas, por seu efeito calmante. Seia isso mesmo? Mas quem ficou com o crédito de sua invenção, pelo fato de tê-la aperfeiçoado e usado com fins terapêuticos, foi o médico holandês Franciscus Sylvius, em meados do século XVII. As indicações eram múltiplas: problemas renais, estomacais, gota, cálculos de vesícula... Pois é, Dr. Franciscus, quando eu digo a meus clientes que bebidas alcoólicas, consumidas criteriosamente, fazem bem à saúde, muitos me olham de cara atravessada! Mas quem realmente disseminou o consumo do gin foi o rei holandês Guilherme III, de Orange. Que lá pelos idos de 1688 destituiu e assumiu o trono de seu sogro – também seu tio – James, rei de Inglaterra. Genrinho bom, esse! Será que vem daí a má fama de genros? Bem, o fato é que Guilherme levou o gin para a corte inglesa, cujos súditos gostaram da bebida. Repassando pelo foco medicinal, soldados britânicos, que atuavam nas colônias tropicais, usavam quinino na prevenção de malária.”

(NOTA: base da hoje tão debatida cloroquina). “Para melhorar seu gosto amargo, dissolviam em água carbonatada (na essência, água tônica) e adicionavam gin. Criando assim o famoso drinque gin e tônica”. Naquele artigo mencionei as marcas mais conhecidas – Tanqueray, Beefeater e Gordon’s – e destaquei outras, tais como: Monkey 47, Martin Miller’s, The Botanist, The London no. 1, Bloom, Tanqueray no. 10 e Star of Bombay. Quatro anos depois, a lista é quase infindável. Se você aprecia, entre na internet e pesquise. Vai ficar pasmo. E maravilhado com a beleza das garrafas. Feitas pra lhe inspirar!

Faltando dizer que a motivação dessa revisita ao gin foi homenagear tia Maria Lia, que deixou nosso mundo, dias atrás. Ela que tanto amava essa saborosa bebida. Tim, tim, brinde à vida. Enquanto a temos.

*É médico e enólogo e escreve quinzenalmente neste espaço