Cultura de estudo. Faz sentido para você?

Reprodução/Record TV

Pra mim faz. Muito. E explico. Considero “cultura de estudo” o mero costume de associar a instrução formal (escola, colégio, faculdade) com o que vamos fazer no futuro. Profissão. Trabalho. Sucesso associado a aprendizados (livros em especial) e vivências, como viagens, intercâmbios, etc.

A Universidade de São Paulo, a USP, divulgou recentemente que teve mais matriculas de estudantes de escolas públicas que particulares. Resultado de políticas de inclusão, segundo eles próprios.

Vamos pensar sobre isso?

Frequentar o ambiente escolar é tarefa agradável e desagradável, ao mesmo tempo, para ricos e pobres.

Enfado e alegria. Na escola, mais que instrução, convivemos, testamos habilidades sociais, convivemos e, sobretudo, compartilhamos visões de mundo. Mas temos um problema no Brasil Na minha opinião, bem evidente e identificável.

Ora, no nosso país se estabeleceu um Aparthaid educacional (não se assuste com o termo!) Houve um incentivo massivo às escolas particulares num determinado momento histórico. Sendo assim, a troca de experiências entre filhos de ricos e de pobres (vamos ser diretos, né?) passou a ser cada vez mais distante. Realidades que não se conectaram mais. Divisão. Rico escola particular. Pobre, escola pública.

Já parou pra pensar como isso é ruim pra nós?

A pobreza neste país está muito relacionada à falta de oportunidades por mero nascimento. Nascer pobre aqui não é igual a nascer pobre em países socialmente mais desenvolvidos. Vamos parar com isso né?
A escola pública deixou de ter ser a local de trocas. A divisão está feita. A “cultura do estudo” migrou para a escola particular restando apenas aos professores tentar defendê-la. Impossível.

Convivência. Entenda isso, por favor. A didática sozinha não vai funcionar. É preciso aprender com o próximo. Inspirar-se no diferente.

Como resolve? Não tenho essa resposta.

Mas as tão criticadas cotas ajudam a aproximar ricos e pobres sim. Se não dá na escola, que seja na faculdade. Na Universidade. Ali vamos tentar encurtar distâncias. Um pouco mais difícil porque os alunos já estarão mais velhos. Com mais “defesas sociais e psicológicas” que as crianças. Mas é um caminho.

Essa troca de experiências, mesmo que truncada,  vai acrescentar novos assuntos nas mesas de almoço familiares, conversas com amigos, outros papos, outros pensamentos.

Não perderemos com isso.

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