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Irã é acusado de esconder segredos nucleares; agência da ONU teme ‘bomba atômica’

Último relatório da AIEA aponta falta de cooperação e transparência do país persa, que se aproxima cada vez mais das armas de destruição em massa

Blog do Zamataro|Luiz Felipe ZamataroOpens in new window

Líder supremo vistoria cada passo do programa nuclear

Em um congresso em Viena, na Áustria, os diretores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão ligado às Nações Unidas, foram duros com o Irã. O diretor-geral da agência, Rafael Grossi, chegou a falar em “preocupação” e medo que Teerã mude a doutrina pacífica do programa atômico e comece a enriquecer urânio a ponto de construir armas e bombas nucleares.

E, segundo eles, essa situação pode estar bem mais perto do que todos imaginam: “A agência perdeu a continuidade do conhecimento em relação à produção e inventário de centrífugas, rotores e foles, água pesada e concentrado de minério de urânio. Já se passaram mais de três anos desde que o Irã parou de aplicar provisoriamente seu Protocolo Adicional e, portanto, também faz mais de três anos desde que a agência conseguiu realizar acesso complementar no Irã.”

Ninguém sabe em que pé está o programa nuclear iraniano. Na sequência o trecho de Grossi que mais chama atenção: “Você notará que o estoque de urânio enriquecido do Irã continua a aumentar, incluindo o enriquecido em até 60%.”

Para ficar claro, o urânio que é encontrado na natureza tem uma concentração de 99,27% da variante U-238 e somente 0,72% de U-235, que é a usada para combustível e armas nucleares.

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Ou seja, o chamado “urânio enriquecido” é o que tem alta concentração da variante U-235. E aí vem o seguinte cálculo:

Quando enriquecido em até 5%, o urânio pode ser usado como combustível de usinas nucleares.

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Quando enriquecido em até 20%, o urânio pode ser usado para pesquisas.

Até esse momento, qualquer programa nuclear é visto como pacífico.

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Mas, segundo agência, o urânio do Irã já está enriquecido em 60%. Para chegar em 90%, que é o usado em armas nucleares, não demora muito. Por isso, a preocupação da agência.

Em nota, o Irã rebateu todas as acusações do órgão e voltou a garantir que o programa é totalmente pacífico. Considerou a decisão da AIEA como “politicamente motivada” e que o país segue empenhado em continuar a parceria.

Mas não citaram a declaração do assessor do supremo líder do país, o aiatolá Ali Khamenei, há cerca de um mês.

Veja o que ele disse em entrevista: “Não temos a decisão de construir uma bomba nuclear, mas se a existência do Irã for ameaçada, não haverá outra escolha a não ser mudar nossa doutrina militar”.

A tensão continua no Oriente Médio.


Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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