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Um abraço e um sorriso, em tempos de brutalidade política

Ricardo Nunes surpreende com contato físico inesperado e desmonta adversário. Mas segue exposto a chuvas e ventanias

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Guilherme Boulos (esq) e Ricardo Nunes se abraçam em debate do segundo turno das eleições de São Paulo FELIPE MARQUES/ZIMEL PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO — 14.10.2024

Na política feita de símbolos, um abraço e um sorriso em tempos de hostilidade podem ter resultado virtuoso. O surpreendente gesto do prefeito Ricardo Nunes no debate desta segunda-feira desmonta um ciclo de agressões e provocações iniciado no primeiro turno da campanha mais analisada e escrutinada do país.

Guilherme Boulos chegou para o embate beneficiado por um fato inesperado - a tempestade seguida de um apagão - que lhe caiu no colo como um presente. O prefeito, que disputa a eleição ainda no cargo, tinha a vidraça ainda mais exposta e rota, diante do trunfo do adversário.

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Ao sair de sua tribuna e aproximar-se fisicamente do adversário no momento em que o emedebista lhe fazia duras críticas, Boulos atravessou a linha do racional para o simbólico. Foi para o olho-no-olho, para o “diga isso olhando na minha cara”. Uma cena que remonta os momentos mais tensos do confronto entre Lula e Bolsonaro em 2022.

O psolista assumiu o risco do imprevisível. E ele veio. Boulos se aproxima lentamente, e Nunes reage com o contato físico inesperado. Rompe a barreira da animosidade, com um gesto amistoso. Pego de surpresa, não restou a Boulos alternativa senão corresponder, desajeitadamente.

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Bolsonaro foi menos feliz ao tentar o mesmo com Lula. Faltou ao então presidente a espontaneidade que sobrou em Nunes. Escolado, Lula não mordeu a isca. E a organização do debate tremeu nas bases.

Na noite desta segunda, o surpreendente abraço de Nunes a Boulos arrebatou a atenção da audiência e ainda ecoa no dia seguinte. O complemento ainda estava por vir: “Você não vai me intimidar. Eu vim da periferia do parque Santo Antônio, não tenho medo de nada, só de Deus.”

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Pode ter soado cabotino ou até hipócrita aos mais críticos. Mas o prefeito pós-graduou na simbologia política e pode ter “jantado” o adversário neste lance de poucos segundos.

Faltam, no entanto, dez longos dias até o segundo turno. Uma eternidade para quem está na chuva e exposto a vendavais.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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