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Entenda a disparada do dólar que já atingiu alta de 8,8% neste ano

A moeda americana ultrapassou a barreira dos R$ 5,30 e fechou, na sexta-feira (7), em R$ 5,32, maior cotação dede janeiro de 2023

Conta em Dia|Ana VinhasOpens in new window

Dólar já valorizou 8,8% desde o começo do ano (Valter Campanato/Agência Brasil - 08.03.2022)

O dólar superou a barreira dos R$ 5,30, após a valorização escalar nesta última semana. A moeda americana fechou na sexta-feira (7) em R$ 5,32, maior cotação dede janeiro de 2023. A alta já acumula 8,8% desde o início deste ano.

O movimento da última semana reflete vários motivos, como a queda de preços das commodities, como petróleo, a desconfiança com mercados emergentes, após as eleições no México e na Índia, os dados econômicos dos Estados Unidos, a perspectiva de aberto monetário e a percepção de risco fiscal no Brasil.

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Para Claudia Moreno, economista do C6 Bank, a desvalorização do real, que vinha desde o começo do ano, se intensificou nas últimas semanas. “Quando a gente olha outras moedas emergentes, a gente vê que elas também registraram depreciação, mas a do real foi mais acentuada do que a média”, afirma Claudia.

Ela destaca que há uma forte pressão de fatores domésticos na depreciação do real. Rumores de mudança do arcabouço fiscal circularam na sexta-feira, após reunião do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, com representantes das instituições financeiras.

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“A gente entende que são fatores mais domésticos, coisas que estão acontecendo aqui no Brasil. Um fator relevante é o fiscal. Temos uma dívida líquida bastante elevada e a perspectiva que ela vai continuar subindo. Existe agora uma discussão sobre o orçamento do governo federal, que os gastos obrigatórios estão subindo e os discricionários, ficando muito comprimidos. Isso pode gerar um problema no futuro para a dinâmica do arcabouço fiscal. Então acho que tudo isso pode estar atrapalhando o comportamento do real”, acrescenta a economista.

Gráfico da taxa de câmbio (Reprodução/Banco Central)

Valéria Vanessa Eduardo, mestre e professora do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Anhanguera, cita a influência da taxa de juros nos Estados Unidos.

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Ela explica que, quando a demanda por produtos e serviços aumenta, os preços também sobem e estimulam a inflação. A taxa básica de juros (Selic no Brasil e Fed Interest Rate nos EUA) influencia outras taxas de juros no país, como empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras. Assim, taxas baixas incentivam o acesso ao crédito e estimulam a economia e taxas altas dificultam o crédito e, por isso, podem controlar a inflação.

“Após a pandemia, muitos países enfrentaram uma onda de inflação. Para combatê-la, a solução adotada foi elevar as taxas de juros. Com o acompanhamento nos indicadores da inflação, o Brasil foi reduzindo a taxa Selic, de 13,75% ao ano (2022) para 10,5% ao ano (2024), mas, nos Estados Unidos, enquanto a inflação não cede, a taxa de juros continua alta”, afirma Valéria.

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Devido ao aquecimento do mercado americano, o Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos, sinalizou que as taxas de juros devem permanecer mais altas por mais tempo com a persistência da inflação, algo entre 5,25% e 5,5%, o nível mais alto em 23 anos.

“Esse momento de incerteza faz com que a demanda e o preço do dólar aumentem, considerando que a moeda americana é a referência monetária mundial. Por isso, no Brasil, houve essa valorização do dólar”, acrescenta.

Isso é bom ou ruim para o Brasil?

Para Valéria, se o dólar está alto, é bom para um brasileiro que quer vender algum produto para fora (exportadores), mas é ruim para o brasileiro que precisa comprar algum produto lá de fora (importadores).

“O Brasil exporta (vende para fora) commodities agrícolas (soja), mineração, proteína (carne e frango), papel e celulose. Pelos produtos já negociados, os exportadores continuam recebendo a mesma quantidade de dólares, quando convertidos em reais, faz com que seus ganhos diminuam. Por outro lado, com o real depreciado, os Estados Unidos precisam de menos dólares para comprar a mesma quantidade que comprava antes. Se fica mais barato para eles, irão comprar mais, e então, o Brasil exporta mais a um dólar mais forte”, avalia a professora.

O mesmo raciocínio se aplica ao turismo. “Como os estrangeiros encontram preços mais baixos em reais em relação aos dólares, a tendência é aumento do turismo receptivo (mais visitantes). Já, para quem deseja viajar para o exterior, as despesas ficarão mais caras com o aumento da moeda estrangeira”, destaca Valéria.

Expectativa do mercado

segundo o último Boletim Focus, divulgado em 3 de junho, a expectativa do mercado é de que o dólar fique em torno de R$ 5,05 até o final do ano,

Em relatório mensal divulgado nesta sexta-feira, a XP manteve estimativa de dólar em R$ 5, no final de 2024.

“Apesar dos riscos, continuamos a projetar a taxa de câmbio a R$/US$ 5,00 no final de 2024 e R$/US$ 5,15 no final de 2025, devido aos efeitos da ampliação do diferencial de juros e fundamentos apontando que, nos patamares atuais, o real está desvalorizado”, afirma em nota.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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