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Mercado prevê fim do ciclo de queda da taxa Selic com aumento de risco fiscal

Expectativa de economistas e investidores é que a taxa básica seja mantida em 10,50% ao ano na reunião desta semana do Copom

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Taxa Selic pode ser mantida em 10,50% ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO - 17.04.2024

Após reduzir a taxa básica de juros nos últimos sete encontros, o Copom (Comitê de Política Monetária), do BC (Banco Central), volta a realizar nesta terça (18) e quarta-feira (19) reunião que pode resultar no fim da sequência de queda da Selic, iniciada em agosto de 2023.

Segundo a expectativa da maioria dos economistas e investidores, a taxa Selic deverá ser mantida em 10,50% ao ano pelo Copom, devido aos juros nos Estados Unidos, à inflação e ao aumento da percepção de risco fiscal no Brasil. Além disso, o BC poderá indicar o fim do ciclo de queda neste ano.

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“Na última reunião, em maio, o Copom tomou a decisão de diminuir o ritmo de corte de juros, com redução de 0,25 ponto percentual, e deixou em aberto as próximas decisões. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, tem reforçado a preocupação que o comitê tem com a depreciação das expectativas de inflação”, afirma Claudia Moreno, economista do C6 Bank.

Para ela, não vai ter redução de juros e o BC deve sinalizar que terminou o ciclo de corte. “O que a gente viu desde a última reunião foi uma piora na expectativa de inflação, ainda que lentamente, e uma depreciação cambial adicional. Por conta desses dois fatores, quando a gente considera a sensibilidade dos modelos e das projeções para a inflação do Banco Central, principalmente para 2025, a gente não vê espaço para novos cortes de juros”, acrescenta a economista.

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A estimativa para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) deste ano aumenta desde abril, se afastando da meta estipulada de 3%. O índice acelerou pelo segundo mês seguido, atingindo 0,46% em maio, com acumulado de 3,93% nos últimos 12 meses.

As recentes derrotas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para aumentar a arrecadação, e falas do presidente Lula provocaram aumento da percepção de risco do mercado. O dólar alcançou R$ 5,40 na quarta-feira (12) e o Ibovespa atingiu as mínimas do ano.

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“É razoável afirmar que as incertezas domésticas citadas nas comunicações mais recentes do comitê se mantiveram em patamar elevado, ou mesmo aumentaram, em particular no que diz respeito à percepção sobre riscos de mudanças nos principais parâmetros do arcabouço fiscal aprovado no ano passado”, avalia Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú Unibanco, em relatório na última semana.

O banco, assim como grandes instituições financeiras como o Bradesco, Santander e XP, prevê a manutenção do patamar atual de juros, de 10,50% ao ano, e alterou a estimativa para o fim do ano, que era de 10,25%.

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“Os desafios da política monetária aumentaram desde a última reunião do Copom. As expectativas de inflação subiram – afastando-se ainda mais da meta de 3,0% – devido ao cenário global adverso, incertezas fiscais domésticas, mercado de trabalho apertado e questões de credibilidade. Isso significa que a política monetária precisará ser mais restritiva do que se pensava anteriormente para manter a inflação próxima à meta segundo o modelo do Banco Central”, afirma Caio Megale, economista-chefe da XP, em relatório.

Histórico

De março de 2021 a agosto de 2022, o Banco Central elevou a Selic por 12 vezes consecutivas, num ciclo de “aperto monetário” em resposta à alta dos preços de alimentos, energia e combustíveis. Por um ano, de agosto de 2022 a agosto de 2023, a taxa foi mantida em 13,75% ao ano por sete vezes seguidas.

Desde agosto de 2023, começou a sequência de cortes de 0,50 ponto percentual em cada reunião, até maio, quando a redução foi de 0,25 ponto porcentual, em placar dividido, quando quatro diretores indicados pelo governo Lula votaram por corte maior, de 0,50. Agora, a expectativa é que ocorra uma decisão unânime de manutenção.

Entenda a Selic

A taxa básica de juros é uma forma de piso para os demais juros cobrados no mercado. Ela serve como o principal instrumento do BC para manter a inflação sob controle, perto da meta estabelecida pelo governo. Isso acontece porque os juros mais altos encarecem o crédito, reduzem a disposição para consumir e estimulam alternativas de investimento.

Quando o Copom aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Já quando os juros básicos são reduzidos, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo.

A Selic é usada nos empréstimos entre bancos e nas aplicações que as instituições financeiras fazem em títulos públicos federais.

É a taxa Selic que os bancos pagam para pegar dinheiro no mercado e repassá-lo em empréstimos ou financiamentos. Por esse motivo, os juros que os bancos cobram dos consumidores são sempre superiores à Selic.


Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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