A Escrita e a Leitura - Um casamento sem divórcio

Depois de mais de vinte anos contando histórias na TV, agora quero dividir minhas reflexões sobre as notícias com você leitor

A proposta aqui é estimular o pensamento crítico sobre o principal fato da semana

A proposta aqui é estimular o pensamento crítico sobre o principal fato da semana

R7

Quando pensei em escrever crônicas aqui, vi nessa oportunidade uma maneira de exercitar a Escrita. Sim, com letra maiúscula, por que não? Quero tratá-la como um sujeito vivo ou que, pelo menos, precisa ser mantido assim.

Sabe aquela paquera que atrai muito você? Essa é a Leitura. Uma não existe sem a outra. Mas nessa estreia, quero falar mais da Escrita, essa idosa a quem damos pouco valor e que precisa de mais respeito e consideração.

Não é por acaso que a Escrita está morrendo. Já perceberam isso? As pessoas não sabem mais escrever! A caneta virou quase uma peça de museu e o corretor não deixa ninguém exercitar o bom português. Dessa vez eu falo do idioma mesmo, com a letra que lhe cabe aqui...  Tenho a sensação de que saber escrever um texto interessante virou coisa do passado, sabe? Por isso, decidi falar da Escrita, essa moribunda que por séculos fez o mundo refletir, viajar, chorar e sorrir. Seria pretensão minha dizer que sozinho vou mantê-la com o coração batendo forte e cheio de vida. Mas é verdade que hoje ela respira por aparelhos e requer cuidados especiais.

O meu convite aqui nesse espaço é para uma jornada longa e cheia de percalços, com poucos finais felizes, mas que pode desvendar novos caminhos para refletirmos sobre a nossa atual realidade.

Essa crônica não inclui uma análise técnica das notícias. Não é isso. A proposta é estimular o pensamento crítico sobre o principal fato da semana por meio de um texto leve. Mas você sabe... Perder peso não é fácil. Significa exercitar essa velha senhora que precisa voltar a caminhar como antigamente, quando não se assassinava o português e as pessoas ainda tinham tesão em ler o que a gente escrevia.

A crônica também é uma maneira de deixar o bom-senso em dia. Até porque, precisamos repensar sobre nossas ações atualmente, não acham?! O interesse pela Leitura começa com uma Escrita sedutora. Esse exercício é meu.

Vou tentar usar minha única aliada para fazer com que a sua Leitura sobre o nosso cotidiano se torne um prazer. Porque é isso! Quando a relação é prazerosa, dá saudade...

De alguma maneira, tenho fé que sempre é possível usar a Escrita para despertar o interesse pela Leitura.

Sinto que temos perdido essa vontade e, mais ainda, a capacidade de nos indignarmos com tantas notícias ruins, de nos emocionarmos com as histórias reais, de respeitarmos a vida do próximo. Só pode ser a Escrita, porque isso tudo não é normal!

Proponho aqui apenas uma visão de um ângulo diferente, pela minha ótica. Depois de mais de vinte anos contando histórias na TV, agora quero dividir minhas reflexões sobre as notícias com você leitor.

Refletir é algo que a boa e velha Escrita ainda pode proporcionar.

Quem nasceu em meados do século passado tinha prazer na Leitura e isso não era por acaso. Meus pais que o digam... Como tinha gente que escrevia bem naquela época! Com o passar dos anos, tenho a sensação de que a Escrita foi perdendo o charme, o vigor, o brilho. Como deve ter sido bom conviver com os textos e as visões de Saramago, Quintana, Drummond... Época em que a cultura recebia o devido valor. Sei que ainda temos bons escritores, mas temo pelo futuro dessa idosa. Pense bem: Não adianta escrever se ninguém lê. A Escrita precisa ser estimulante, atrativa, levar o leitor a uma outra dimensão. Para escrever bem é preciso ler muito, repetidas vezes. É treino e quando se treina o suficiente, as duas melhoram. E, cá entre nós, uma boa Leitura não faz mal nenhum. Serve até de antídoto para a solidão do isolamento social... Viu como uma não vive sem a outra?

Já dizia a minha avó: " Escreveu, não leu, pau comeu". Saudade da "véia". Que Deus a tenha. Foi com os mais velhos que me apaixonei pela Escrita e vê-la na cadeira de rodas me faz relembrar do passado quando meus pais passavam o dia inteiro lendo... Mas vamos deixar de nostalgia e encarar essa jornada como uma tentativa de ressuscitá-la. Afinal, a Escrita pode até estar condenada, mas nunca matou ninguém à toa.

Volto por aqui de novo na sexta que vem. A gente se vê!

Leandro Stoliar
Jornalista

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