Se todos quisermos...

Neste 7 de setembro, vem a saudade Tiradentes e sua frase: "Se todos quisermos, poderemos fazer desse país uma grande nação"

Registro do do desfile cívico-militar de 7 de setembro, em Belo Horizonte, há dois anos

Registro do do desfile cívico-militar de 7 de setembro, em Belo Horizonte, há dois anos

Renato Cobucci/ImprensaMG

Quando chega a Semana da Pátria, meu coração se enche de alegria e minha memória ativa momentos especiais. Como não lembrar daqueles desfiles na Afonso Pena? A gente treinava os passos no Colégio Comercial Celso Brant - sei que você provavelmente nunca ouviu falar sobre - e, no feriado, acordava cedo, caprichava no uniforme, penteava bem os cabelos, se apresentava para o "especial" - ônibus cedido pelas empresas que não ousavam negar o pedido das forças militares - e seguia para a Afonso Pena. Lá, era preciso muita paciência, porque tinha de chegar por volta das 8 e esperar a nossa vez, nunca antes das 10, depois da passagem dos militares e de instituições de ensino mais importantes.

Quem tinha pressa? Quem estava preocupado com o sucesso no desfile? A gente queria era o pão com salame e o refrigerante gentilmente distribuídos... A gente queria era estar perto dos colegas, no meu caso das colegas porque não havia momento mais propício para o surgimento de um namoro. Ao passar diante de tanta gente que nos olhava e, mais que isso, aplaudia no palanque das autoridades, levantava a autoestima.

Depois, na profissão, por mais de 30 anos estava lá, na Afonso Pena, todo ano, agora para cobrir os desfiles. Dava para fazer de casa, tamanha a repetição: as 8 e meia a gente anunciava a chegada do comandante da quarta divisão de Exército, dez minutos depois do governador e, por volta de 9h20m, um oficial se aproximava montando um Jeep e pedia autorização para iniciar os desfiles. A única novidade em décadas foi quando um motorista distraído deixou o carro deslizar e, enquanto o oficial pedia autorização, a ponta do canhão fincado no Jeep bateu no palanque, causando um certo alvoroço e olhar assustado do então governador Hélio Garcia, famoso por estar sempre com cara de ressaca quando tinha de ir a solenidades pela manhã.

No mais, o 7 de setembro sempre foi motivo para entrevistar alguns brasileiros de verdade. Saudade de dois. Um de direita, Celso Brant. outro de esquerda, Darci Ribeiro. Ambos enlouquecidos de amor pela pátria, incansáveis lutadores pela moralidade e por verdadeiro nacionalismo. Se estivessem vivos, certamente estariam felizes pela mobilização que esse 7 de sembro está produzindo, mas, triste, porque os brasileiros estão em trincheiras opostas. E com
raiva, impaciência, absolutamente desinteressados de ouvir o outro lado.

A gente só quer conversar com os que pensam como nós, esquecendo que o maior presente de Deus é que somos únicos e a maior riqueza do Brasil é a diversidade.

Então, vem a saudade de outro grande brasileiro, Tiradentes, e sua frase definitiva: "Se todos quisermos, poderemos fazer desse país uma grande nação".

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