A improdutividade em meio à pandemia

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A Covid-19 tem alterado nossas rotinas e a forma como trabalhamos e como devemos nos comportar. Todas as mudanças, medos e sustos que essa doença vem causando em nós, aumenta o estresse e diminui a nossa produtividade e criatividade. São muitas inseguranças e incertezas, sem falar que já não estamos há um dia ou um mês nessa crise sanitária, mas sim, um ano lutando contra esse problema, que diariamente ceifa vidas, empresas, sonhos e deixa sequelas por onde quer que passe.

Como uma das medidas preventivas frente ao coronavírus no Brasil e no mundo, foi instaurado o isolamento social, permanecendo em suas residências. Com isso, as pessoas em suas casas, durante um longo período, tendem a desenvolver um sentimento de improdutividade ou inutilidade frente à sociedade.

Pensando nisso, tais sentimentos têm tomado o psicológico de muitos, tornando-se importante compreender e buscar melhorias, sempre diferenciando o que é uma estafa (fadiga causada pelo estresse), de um transtorno depressivo, que necessita de acompanhamento psiquiátrico.

Estar improdutivo, é uma consequência do sentimento de não ser suficiente ou de não conseguir alcançar os objetivos criados por si mesmo ou pela sociedade, trabalho, estudos. Enquanto que o sentimento de inutilidade, se dá para aquele que, por algum motivo não visualiza tarefas para serem realizadas, por esse motivo, não se sente útil, nem para si, nem para alguém.

A questão é: Qual o motivo dessas sensações serem tão frequentes e tão fortes?

O cérebro do ser humano já está cognitivamente “programado” a associar a ideia do estar em casa a momentos de descanso e lazer. Para algumas pessoas, a rotina de trabalhar em home office já era uma prática comum, porém, para a maioria da população, a rotina foi alterada para seguir as normas do distanciamento social e isso diz respeito tanto ao trabalho, como aos estudos, cuidados com os filhos, lazer e tarefas domésticas.

Para a maioria da sociedade, é necessário se deslocar para trabalhar, ou seja, trabalhar fora de casa, e com o distanciamento e as mudanças, o distanciamento social tem se mostrado um processo dificultoso, afinal, assim como o corpo físico, a mente também necessita passar por um processo de adaptação. Necessitando de um tempo para que o cérebro entenda que, neste momento, todas as atividades serão realizadas em casa, não sendo mais apenas um ambiente de descanso. Ressaltando que muitos não conseguem se sentar e dedicar as suas horas ao

trabalho, há filhos e responsabilidades que de pouco em pouco tomam tempo também dentro da rotina, o que distorce a percepção de produtividade. Muitas vezes você não está improdutivo, só precisa dar mais pausas para realizar outras atividades, continua produzindo, só não no mesmo ritmo e nem para a mesma tarefa o tempo todo. É necessário identificar onde está a falha ou o motivo que fez o seu rendimento diminuir em determinada área, tudo deve ser analisado, aliás são esses fatores que te fazem sentir que está sendo improdutivo.

De acordo com a Psicóloga Clínica e Especialista em Terapia Familiar e de Casal, Karoline Peixoto (CRP: 06/125071), o sentimento de improdutividade tem maior recorrência e se intensifica em pessoas que sofrem de quadros de ansiedade, que correspondem a cerca de 18,6 milhões de brasileiros, e depressão que, no Brasil, corresponde a 5,8% da população, segundo dados da OMS.

Para combater a improdutividade e a inutilidade, a psicóloga Karoline traz algumas dicas que são essenciais e podem ajudar tanto no período de isolamento quanto fora dele, veja abaixo:

“1. Primeiro de tudo, reconheça os seus sentimentos e respeite os seus limites. Não é sempre que é possível dar conta de tudo. E está tudo bem. Por trás de um corpo físico, existe um ser humano e é importante compreender que não há nenhum problema, um dia ou outro, não conseguir realizar tudo o que foi programado. Respeite seus limites e, quando estiver melhor, continue.

2. Crie uma rotina, estabeleça horários para cada atividade que pretende fazer durante o dia, é importante que a mente e o corpo se adaptem com uma rotina para facilitar a qualidade de vida.

3. Estabeleça ambientes. Como dito anteriormente, o cérebro associa estar em casa com momentos de descanso e lazer. Logo, é importante estabelecer onde será seu local de estudo ou trabalho e onde será o local de descanso. Dessa forma, a mente associa os ambientes com as atividades e há um foco maior para realizar o que precisa.

4. Nunca se compare ao outro. Cada pessoa é única e tem uma forma especial de ser e se relacionar. O uso de redes sociais, como, por exemplo, os stories do Instagram, nos quais, todos postam o que estão fazendo a qualquer momento do dia, pode dar a sensação de que o outro pode estar sendo mais produtivo do que você e isso, muitas vezes, não é verdade.

Redes sociais se limitam a pequenas coisas e somente ao que o outro quer mostrar, e fazer comparações é dar mais importância ao outro do que a si próprio. Estar

sendo produtivo não necessariamente é estar envolvido o tempo todo em atividades voltadas a estudo e trabalho, por exemplo, mas o próprio autocuidado, bem-estar e momentos de relaxamento e tranquilidade são formas de produtividade. Ser produtivo consigo mesmo!

No que se refere ao sentimento de inutilidade perante o momento de isolamento social, é interessante que a pessoa busque atividades que para ela façam sentindo, como algo que possa complementar na carreira, nos estudos ou, até mesmo, coisas que sempre teve vontade de fazer, mas que antes, talvez, não conseguia pelo fato de não ter tempo, como ler um livro, fazer cursos on-line ou tocar um instrumento que goste. No entanto, é importante que faça sentido para a vida da pessoa realizar esses complementos e atividades.

A partir dessas dicas, sentimentos como ansiedade podem ser amenizados durante essa fase de isolamento, contribuindo para passarmos por esse distanciamento com mais leveza e mais saudáveis emocionalmente. É sempre necessário estar em busca do nosso autoconhecimento e cuidado, visando o bem-estar da saúde física e mental. ” - Karoline Peixoto.

Já que leu até aqui, respire fundo e lembre-se: Não é só você que está passando por isso, você vai conseguir enfrentar isso! Continue em casa, se necessário mude aos poucos a sua rotina para que te ajude a se animar e aumentar a sua produtividade.

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