Dois Emirates na pista. E uma tragédia é evitada

Aeronave intercontinental com passageiros abortou decolagem a 185 km/h para evitar choque. É o segundo incidente grave da companhia em menos de um mês 

Emirates: decolagem sem autorização em Dubai

Emirates: decolagem sem autorização em Dubai

Wikimedia Commons

O voo EK-524, de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, para Hyderabad, na Índia, decolou às 22h35 do último domingo (9) com um atraso de 50 minutos.

O motivo foi um grave incidente provocado por sua tripulação, segundo informações não oficiais. 

Esse voo era cumprido pelo Boeing 777-300ER da Emirates, de matrícula A6-EQA. Para melhor compreensão do leitor, será chamado aqui de Emirates 1. 

A aeronave estava acelerando para decolar da pista 30R de Dubai.

A velocidade já estava alta, em 100 nós (185 km/h), quando a tripulação foi instruída a rejeitar a decolagem.

A parada brusca foi causada, curiosamente, por um avião de mesmo modelo da mesma companhia.

Outro Boeing 777-300, de matrícula A6-EBY, que chamaremos de Emirates 2, cruzava a pista naquele momento, causando um incidente grave.

Após a ordem para rejeitar a decolagem, o Emirates 1 desacelerou com segurança e saiu da pista pela taxiway N4, atrás da aeronave que havia cruzado a pista.

O Emirates 2, que cumpria o voo EK-568 de Dubai para Bangalore, também na Índia, estava taxiando para a partida e foi liberado para cruzar da pista 30R da pista de táxi M5A para a pista N4. E ingressava na pista justamente quando o Emirates 1 iniciou a decolagem.

Fontes ouvidas pelo Aviation Herald relataram que o Emirates 1 não tinha recebido autorização do Controle de Tráfego Aéreo para decolar. 

O voo EK-568 (Emirates 2) continuou taxiando e partiu normalmente. Já o EK-524 (Emirates 1) taxiou de volta ao ponto de espera da pista 30R e partiu cerca de 30 minutos após ter a decolagem rejeitada.

Considerada uma das maiores e mais importantes companhias aéreas e uma das que mais exigem tecnicamente de sua tripulação, a Emirates protagonizou outro incidente gravíssimo no último 20 de dezembro.

A tripulação de um Boeing 777 não realizou o check-list para a decolagem de forma adequada, o que quase levou a aeronave a se chocar contra prédios em uma área urbana de Dubai.

Uma fonte ligada à Emirates informou ao Blog que um piloto da tripulação extra que estava no cockpit gritou desesperadamente ao perceber que o avião não subia.

"Sobe, pelo amor de Deus, sobe, sobe", gritou na cabine.

O avião teria experimentado um "tail strike" na manobra, o que fez com que parte da fuselagem da cauda raspasse na pista. Mesmo assim a tripulação optou por seguir para Washington, D.C., em vez de retornar a Dubai para examinar as condições do jato intercontinental.

Na ocasião, a companhia demitiu todos os quatro tripulantes que estavam na cabine. 

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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