Quem ama cuida! Capacete para passageiro ou garupa

Garupa ou passageiro de motocicleta deve estar tão bem equipado quanto o piloto

Ambiente turismo/rodovia, ambos com capacete de fibra 5 estrelas

Ambiente turismo/rodovia, ambos com capacete de fibra 5 estrelas

Foto: Alides Rasabone Garcia

Às vezes circulo em lojas de equipamento de segurança para motociclista para observar o comportamento das pessoas.

É normal ouvir: vê um capacete baratinho.

Mas, ele carrega um capacete top de linha, de alta qualidade.

Quem ama cuida, já dizia minha avó.

O capacete tem que ser comprado de acordo com o ambiente a se explorar: urbano, turismo ou esportivo.

Uma vez em Milão, entrei em uma loja e a vendedora fez uma pergunta que jamais escutei no Brasil: qual o uso que você fará da motocicleta? E me levou para um determinado setor.

No Brasil a venda é prioridade, o sujeito tem uma moto esportiva de mais de 70 mil reais e compra um capacete injetado de ABS, exclusivo para ambiente urbano, mas por ter desenho ou fazer alusão a determinado piloto de motovelocidade, pensa estar protegido. Vez ou outra, até usa capacete adequado, mas a garupa tem um capacete com segurança pífio,mas o que importa é a equivocada certificação do INMETRO.

Não vejo uma marca sequer, fazer uma orientação, no mínimo, honesta e vide a famigerada Resolução 453/13 em vigor, para garantir, tão somente, a reserva de mercado.

Mas, hoje, tratemos do passageiro ou garupa. 

O passageiro de motocicleta, motoneta e ciclomotores, assim como o condutor ou piloto, só pode ser transportador se utilizar capacete de segurança, tal determinação legal está inserido no artigo 55, do Código de Trânsito Brasileiro.

Em autódromo capacete só de fibra e com argola em D

Em autódromo capacete só de fibra e com argola em D

Foto: Bira/Sport Speed

O correto seria, também, a obrigatoriedade do vestuário de proteção, todavia, o inciso III do artigo 55 do CTB, assim como o inciso III, do artigo 54 para o condutor, não foi regulamentado pelo CONTRAN, o que não o torna obrigatório.

Caso o condutor leve passageiro ou garupa sem o capacete comete infração gravíssima passível de multa e suspensão do direito de dirigir, além do recolhimento do documento do veículo, nos termos do  artigo 244, do CTB.

Mesmo que o capacete conste o tipo sanguíneo do condutor ou do passageiro, em caso de acidente é protocolo do socorrista fazer a “tipagem sanguínea” para o tratamento adequado da vítima.

Há três modelos de capacetes: fechado, aberto e escamoteável ou basculante, mais conhecido como robocop.

O mais indicado é o fechado que protege totalmente a cabeça e o rosto do motociclista. O aberto mantém exposto o rosto e o robocop, dependendo da dinâmica do acidente, pode destravar, abrir e expor o rosto da vítima, trazendo graves consequências.

Há ainda, dois tipos de fechos: o automático ou engate rápido e do de argolas em “d”. O mais seguro é de fecho de argolas, que em caso de acidente não abre como pode acontecer com o engate rápido.

Ambiente urbano pode usar ABS ou injetado, aqui continuo usando fibra

Ambiente urbano pode usar ABS ou injetado, aqui continuo usando fibra

Foto: Gustavo Epifânio

Há duas construções de capacete: o ABS ou Termoplástico e de fibras sintéticas (kevlar, carbono, fibra de vidro). O capacete com casco de ABS é mais barato porque é possível sua construção em grande escala industrial, enquanto o de “fibras sintéticas” é fabricado um a um manualmente, por isso a diferença de preço.

A diferença entre um casco de ABS e outro de fibras sintéticas, está na dissipação do impacto. Para melhor compreensão, nas palestras que realizo, sempre utilizo  duas bolas uma de basquete cheia e uma de futsal murcha para pedagogicamente exemplificar as diferenças: o casco de ABS seria a bola de basquete, por essa razão é recomendável seu uso em ambiente “street” ou urbano.

É essencial que a cabeça seja medida com uma fita métrica e com base no tamanho do crânio seja escolhido um capacete que fique justo, quase que a ponto de machucar, já que sofrerá um laceamento. Capacete frouxo na cabeça tem o mesmo efeito de um boné ou chapéu na cabeça.

Dica: Acesse o site da Sharp, divisão do departamento de Tranportes da Inglaterra, que certifica o capacete de 1 a 5 estrelas. Várias marcas testadas se encontram no mercado brasileiro. Click aqui

Por fim, recomenda-se a troca do capacete a cada 5 anos ou em caso de acidente. Minha recomendação é o capacete de uso diário ser substituído assim que ficar largo ou em caso de acidente, já que o estireno (isopor) interno tem efeito-memória. É um material que amassa com o uso normal e não recupera as dimensões originais. Isso significa que o capacete ficará folgado apenas com o uso e deverá ser trocado. Capacete descartado deve ser inutilizado para impedir o reúso por outro motociclista. Não se compra – nem se vende – capacetes USADOS.