O que é que eu faço Sophia Quer pagar menos IR em 2021? Invista em previdência até dia 31

Quer pagar menos IR em 2021? Invista em previdência até dia 31

PGBL permite deduzir até 12% dos rendimentos tributáveis; entenda as diferenças entre cada um dos planos e qual é o mais vantajoso para você

Dinheiro da previdência não entra no inventário

Dinheiro da previdência não entra no inventário

GUILHERME DIONíZIO/ESTADÃO CONTEÚDO - 15/06/2020

Quem faz a declaração pelo formulário completo (de deduções legais) do Imposto de Renda tem até o dia 31 de dezembro para investir em um plano de previdência privada para diminuir a mordida do Leão em 2021.

O prazo para quem quer aproveitar a dedução de até 12% dos rendimentos tributáveis já no próximo ano é até o dia 31 porque a declaração de ajuste anual do IR leva em conta todas as movimentações feitas pelo contribuinte até o último dia do ano-calendário.

Mas é preciso ficar atento a vários pontos para poder usufruir da vantagem fiscal da previdência, pois caso escolha o plano errado ou declare pelo modelo simplificado, não terá a vantagem da dedução.

Um exemplo: a contribuição à previdência oficial é integralmente dedutível do IR, mas as contribuições à previdência privada são limitadas a 12% do rendimento tributável e só podem ser deduzidas se o contribuinte também tiver pago a previdência oficial.

As contribuições também têm de ter sido feitas no ano de 2020, não vale ter só saldo em previdência e querer deduzir.

Para o professor e educador financeiro do C6 Bank, Liao Yu Chieh, para investir em previdência e aproveitar as vantagens é preciso levar em consideração vários aspectos, como o tipo de plano, o tipo de tributação, o tipo de declaração do IR e também se tem herdeiros ou não.

"A previdência privada oferece uma vantagem importante na hora da sucessão que é o fato de ser liberada em cerca de um mês após a morte do titular do plano, explica o educador. "Se você tem herdeiros e quer deixar um dinheiro mais rápido para seus filhos ou pais, isso representa uma tremenda vantagem, pois além de ela não entrar em inventário, é o próprio titular da previdência quem diz quais são os beneficiários e qual o porcentual que deseja destinar a cada um, de forma simples, sem necessidade de testamento", diz.

Veja o que levar em consideração para poder aproveitar o benefício:

Tipo de plano


O primeiro ponto a levar em consideração é a escolha do plano. Só o PGBL (Plano Gerador de Benefícios Livres) permite que o contribuinte possa deduzir até 12% dos rendimentos tributáveis.

Leia mais: Ferramenta ajuda a comparar fundos previdenciários

O VGBL (Vida Gerador de Benefícios Livres) é considerado, para fins de Imposto de Renda, como uma aplicação financeira e não como um plano de previdência privada.

Tipo de declaração de IR

O modelo pelo qual o contribuinte declara o Imposto de Renda é fundamental para decidir se investe em previdência com fins de dedução.

Para aproveitar a vantagem fiscal, o modelo escolhido deve ser o das deduções legais (conhecido como modelo completo), pelo qual o contribuinte lista todos os gastos que teve com dependentes, educação, despesas médicas, etc.

Quem declara pelo modelo simplificado aceita uma dedução de 20% sobre os rendimentos tributáveis cujo limite varia ano a ano e não tem vantagem fiscal se contribuir para o PGBL.

É que o modelo simplificado dá um desconto geral que abrange todos os gastos que o contribuinte teve no ano com as despesas dedutíveis como educação, previdência privada e despesas médicas, por exemplo.

Regimes de Tributação

Outro ponto bem importante a considerar é o regime de tributação, ou quanto terá de pagar de imposto sobre o que o dinheiro vai render.

No regime de tributação regressiva, a alíquota do imposto diminui ao longo do tempo, começando em 35% em até 2 anos (por isso não é recomendado para curto prazo) e chega na menor alíquota de 10%, para quem deixa o dinheiro por mais de 10 anos.

O regime de tributação progressiva é o mesmo da tabela do Imposto de Renda Pessoa física, vai até 27,5%.

Então vou deixar de pagar IR se escolher o PGBL?

Não, ao investir em PGBL o investidor não vai deixar de pagar o Imposto devido para o governo, mas adiar esse pagamento apenas para quando houver o resgate do plano (no caso do PGBL).

A isso se dá o nome de "diferimento fiscal".

"O imposto que você deixa de pagar no ajuste ou restitui a mais pode ser usado para fazer um investimento, receber juros, mas terá de acertar as contas com o governo lá na frente, quando fizer o resgate do PGBL", diz Liao.

Mas ainda assim é possível ter outra vantagem adicional.

"Se o investidor escolher o regime de tributação regressiva e deixar o dinheiro aplicado por mais de 10 anos, vai pagar apenas 10% de imposto quando resgatar. Ou seja, ao invés de devolver os 27,5% de IR, pagará 10% e obterá um ganho real de 17,5% no IR, que é o quanto deixou de pagar de IR sobre o valor investido em PGBL aproveitando o benefício fiscal", explica o educador.

Como calcular

Para calcular quanto investir em previdência privada de modo a usufruir integralmente do benefício da dedução, você deve somar o total dos seus rendimentos tributáveis (que são o salário, a aposentadoria, a renda de aluguéis, a pensão alimentícia recebida, etc.) e depois calcule os 12% em cima desse valor.

Exemplo: se uma pessoa tem um rendimento bruto tributável de R$ 100 mil no ano, poderá deduzir até R$ 12.000 no ano com previdência privada. Isso significa que poderá aplicar, naquele ano, até esse limite para poder deduzir esse valor integralmente do Imposto de Renda.

Valores como décimo terceiro e PLR (Participação nos Lucros e Resultados) não entram nessa conta, pois são Rendimentos Tributados Exclusivamente na Fonte.

Mas se quiser aplicar em previdência acima desse limite de 12%, poderá optar pelo VGBL para ter outro tipo de vantagem fiscal na hora do resgate do plano: no VGBL apenas os rendimentos são tributados, enquanto no PGBL o IR incide sobre todo o montante da aplicação.

Compare PGBL e VGBL

PGBL
• Indicado para quem faz a declaração de ajuste renda pelo modelo completo
• Permite dedução de até 12% dos rendimentos tributáveis na declaração
• No resgate, o Imposto de Renda incide sobre o total da aplicação


VGBL
• Indicado para quem faz a declaração de ajuste pelo modelo simplificado ou para quem quer investir em previdência privada acima do limite de 12% de rendimento tributável
• Não permite dedução na declaração
• No resgate, o Imposto de Renda incide apenas sobre os rendimentos da aplicação

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