A 18ª edição do Anuário revela uma inversão inédita das modalidades de subtração de celulares no Brasil. Pela primeira vez, o número de furtos superou o de roubos de aparelhos, com 494.295 contra 442.999 casos, respectivamente, ao longo de 2023. No total, foram 937.294 ocorrências de roubo e furto de celular registradas em delegacias por todo o país, quase dois celulares subtraídos por minuto. Ou seja: o país quase atingiu a marca de 1 milhão de telefones celulares furtados ou roubados, que acabam por alimentar a economia do crime no Brasil. Esse número de ocorrências registradas, de acordo com a pesquisa, aponta que esses aparelhos ocupam um novo espaço na dinâmica dos crimes patrimoniais. Os celulares se consolidam como porta de entrada frequente para outras modalidades delituosas em ascensão, como estelionatos e golpes virtuais.GOLPESUm golpe a cada 16 segundos. Esse é um dos dados revelados na 18ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado hoje pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O crescimento, em relação a 2022, foi de 8,2%. Observa-se também um número explosivo quando se compara com o ano de 2018: crescimento de 360%, medido até o ano passado. Se, por um lado, crimes de estelionato vem aumentando, a boa notícia é que houve queda de seis diferentes modalidades de roubos: em estabelecimentos comerciais (18,8%); em residências (17,3%); a transeuntes (13,8%); de cargas (13,2%); de veículos (12,4%); e de celulares (10,1%).CIDADES MAIS VIOLENTAS Esta edição Anuário traz também um ranking formado pelas dez cidades mais violentas do país. No topo da lista está o município de Santana, no Amapá, com 92,9 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes. E segundo lugar aparece Camaçari (BA), com 90,6 e em terceiro a cidade de Jequié (BA), com 84,4. O ranking segue com Sorriso (MT), com 77,7; Simões Filho (BA), com 75,9; Feira de Santana (BA), com 74,5; Juazeiro (BA), com 74,4; Maranguape (CE), com 74,2; Macapá (AP), com 71,3; e Eunápolis (BA), com 70,4. Seis dessas municipalidades estão no estado da Bahia.As regiões Nordeste e Norte continuam liderando o ranking de regiões mais violentas do país. “Nessas duas regiões estão localizados os estados que estão convivendo com um quadro acentuado de disputas entre facções de base prisional por rotas e territórios e, ao mesmo tempo, concentram a maioria dos estados com altas taxas de letalidade policial”, explica Renato Sergio de Lima, presidente do FBSP.VIOLÊNCIA CONTRA MULHERESUma informação alarmante: todas as modalidades de violência contra mulheres registraram aumento. O crescimento do registro de crimes de importunação sexual é o mais elevado: 48,7%. Em números absolutos, 41.371 ocorrências. O crescimento do registro do crime de assédio sexual foi de 28,5%, um total de 8.135 casos. Também houve uma alta das agressões decorrentes de violência doméstica, de 9,8%, com 258.941 registros. O número 190 foi acionado 848.036 vezes para reportar episódios desse tipo de agressão. No que se refere a ameaças, crescimento de 16,5% no número de casos – 778.921 em números absolutos. As medidas protetivas de urgência (MPU) ultrapassaram a barreira do meio milhão: houve concessão de 540.255 delas. A Justiça acatou mais de oito a cada dez pedidos: 81,4%. Os crimes de stalking tiveram 77.083 registros, em 2023, crescimento de 34,5%. “Esse dado é especialmente relevante por ser crime preditor de outras violências, como o feminicídio”, explica Samira Bueno, diretora-executiva do FBSP. Os feminicídios também continuam crescendo. De 2022 para 2023, alta de 0,8%. No total, 1.467 vítimas. Nesse universo, registra-se que 63,6% das vítimas são negras. A faixa etária que se estende dos 18 aos 44 anos corresponde a 71,1% dos casos. Mais da metade das mortes ocorre na residência – 64,3%. Entre as que morreram, 63% foram vítimas do parceiro íntimo; o ex-parceiro é o autor do crime em 21,2% dos casos. Nove em cada dez autores de assassinatos de mulheres são homens.APREENSÃO DE DROGAS E SISTEMA PRISIONALA publicação de 2024 traz ainda dados e informações sobre apreensões de drogas pela Polícia Federal. O volume de apreensões de cocaína e insumos cresceu 73,7% entre 2013 e 2023. Já o de maconha e seus insumos apresenta aumento de 87,1% no mesmo período. O Anuário também traz dados sobre o sistema prisional. Em 2023, havia, no Brasil, um total de 852.010 de pessoas encarceradas. O crescimento do número de presos, de 2022 até 2023, foi de 2,4%. Existem 208.882 presos provisórios - um em cada quatro presos não foi julgado ainda.