Nirvana, pornografia infantil e sharenting: o erro de expor crianças

Processo de Spencer Elden, atualmente com 30 anos, contra icônica foto de álbum da banda acende alerta sobre publicação de imagens de bebês e crianças

Pornografia Infantil. Essa é a acusação do norte-americano Spencer Elden, de 30 anos, contra produtores e ex-músicos da banda Nirvana por exporem uma foto sua sem roupa (e sem fralda) nadando em uma piscina com uma nota de US$1, em 1991, quando estava com 4 meses.

A imagem estampou a capa do álbum que se tornou o mais famoso da banda. O advogado que representa Elden afirma que o conceito usado na criação promove "intencionalmente a pornografia infantil e a natureza chocante da imagem promove reconhecimento aos músicos às custas da exposição dele".

Jovem processa banda Nirvana por exploração sexual

Jovem processa banda Nirvana por exploração sexual

Reprodução

A ação pode chegar a mais de US$ 2bilhões (algo em torno de R$ 11 bilhões). Mas, Elden alega que dinheiro nenhum pode pagar os danos físicos e emocionais que essa foto causou. Ele também lembrou que não teve escolha sobre a forma como suas partes íntimas seriam usadas e exibidas para todo mundo.

Exposição excessiva

Há muitos pontos que chamam atenção nesse processo, mas um deles diz respeito a exposição excessiva que alguns pais submetem seus filhos, se esquecendo que as imagens podem colocar as crianças em risco.

Esse hábito tão atual de publicar fotos, vídeos e relatos sobre a vida dos filhos online tem até nome: sharenting (união das palavras share, que significa compartilhar, e parenting, que significa parentalidade).

Diversos artigos acadêmicos sobre privacidade infantil apontam que as crianças fazem parte da geração mais observada em toda a história. De acordo com um estudo da empresa de segurança digital AVG com dados de moradores de 10 países, três em cada quatro crianças com menos de 2 anos têm fotos na web.

Os riscos são vários, a começar pela ameaça ao bem-estar daquele pequeno. Além disso, pedófilos têm encontrado no mundo virtual um ambiente propício para ampliar as suas ações. Por isso, pais e responsáveis devem estar atentos a fim de protegerem as crianças e adolescentes.

Diante do tema, é essencial preservar a privacidade das crianças

Diante do tema, é essencial preservar a privacidade das crianças

Getty Images

Solução

Campanhas publicitárias, redes sociais, novelas, entre outros meios de comunicação, usam as imagens das crianças para conquistar audiência. De qualquer forma, seja para ganhos financeiros ou apenas para exibição, os responsáveis precisam pensar nas consequências dessa exposição e avaliar se vale, ou não, a pena.

Se Elden está movendo esse processo apenas por dinheiro não há como saber, mas, com certeza, ele não pôde opinar - aos 4 meses - se queria ou não estampar a capa de um CD, nu.

No relatório intitulado Sharenting: a privacidade das crianças na era das redes sociais, a advogada Stacey Steinberg deixa várias recomendações para quem quer proteger os filhos, como, por exemplo, ressalta a importância de criar alertas que avisem quando o nome da criança sair em algum resultado de busca na internet, sugere aos pais pedir permissão ao filho antes de compartilhar uma informação a seu respeito, orienta a nunca publicar fotos das crianças com pouca roupa e a considerar se a informação compartilhada pode gerar algum efeito negativo sobre o bem-estar físico e psicológico.

Hoje nosso grande desafio é cuidar e zelar pela infância. Os especialistas deixam claro que tudo que acelera esse período, que estimula a saída precoce dessa fase essencial, é negativo para o desenvolvimento.

Por isso, é essencial cuidar e respeitar a criança. Porque, infelizmente, a mesma sociedade que condena terríveis crimes envolvendo abusos infantis acaba promovendo uma cultura que valoriza a sensualização dos pequenos.

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