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Qual seria o salário mínimo ideal para conseguir viver e investir?

Especialistas em educação financeira explicam como fazer investimentos com poucos recursos

Renda Extra|Do R7

Salário mínimo passou de R$ 1.100 para os atuais R$ 1.212, sem aumento real
Salário mínimo passou de R$ 1.100 para os atuais R$ 1.212, sem aumento real Salário mínimo passou de R$ 1.100 para os atuais R$ 1.212, sem aumento real

No começo de 2022, o presidente Jair Bolsonaro sancionou o novo salário mínimo. O montante passou de R$ 1.100 para os atuais R$ 1.212, o que significa um aumento de 10,18%, abaixo da inflação de 10,42% medida pelo IPCA-15 no ano passado. Em outras palavras, o trabalhador perdeu poder de compra. Mas essa não é a primeira vez que isso acontece.

O último ano em que o salário mínimo teve reajuste acima da inflação foi em janeiro de 2019. Em 2020 e 2021, também não houve aumento real. Segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), a remuneração mínima necessária para uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças) seria de R$ 5.969,17 (dado de novembro 2021).

E, se essa situação já torna difícil equilibrar as contas em casa, separar um dinheiro para a reserva de emergência ou para investimentos é algo ainda mais complicado. Entretanto, mesmo sendo árduo, dar o primeiro passo em direção à educação financeira pode ser possível.

Foi o que aconteceu com Alex Vilela, dono da página Empreendedor Periférico, que já conta com mais de 90 mil seguidores no Instagram. Natural de Capão Redondo, em São Paulo, ele teve o primeiro contato com as finanças ainda adolescente, como vendedor de balas nos faróis da região. Hoje ele é parceiro da LTW Consult e Instituto Êxito, voltados para consultoria financeira direcionada ao público de baixa renda.

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Na visão de Vilela, educação financeira é essencial, especialmente para quem tem poucos recursos. “Eu tenho a convicção de que todo investimento começa com conhecimento. A diferença é que quem nasce em uma família mais privilegiada tem mais acesso a informação e educação”, afirma. “O mercado financeiro deveria ter muito mais pessoas de periferia, porque nós somos solucionadores de problemas por natureza.”

Além de Vilela, a reportagem conversou com as educadoras financeiras Juliana Achcar e Carol Stange. Veja as dicas dos especialistas para começar a investir, mesmo com baixa renda.

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Tente renegociar dívidas

Antes de pensar em qualquer tipo de investimento, entenda se você tem dívidas. Até porque não há nenhum tipo de rendimento que supere o valor cobrado em juros de um cartão de crédito, por exemplo, que podem chegar aos 300% ao ano.

Então, o primeiro passo é elencar suas dívidas e tentar renegociar, se possível. “A pessoa que tem uma renda baixa tem outros problemas a ser resolvidos antes de começar a investir. Pagar contas, sair de dívidas, tirar o nome do SPC Serasa, tudo isso que é um passo anterior a conseguir investir”, afirma Vilela.

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Uma saída que poucos conhecem é a possibilidade de trocar uma dívida alta por uma dívida mais baixa. “Dívidas caras são aquelas com juros abusivos, muito altos, como de cartão de crédito ou cheque especial. A pessoa pode tentar negociar um empréstimo consignado, que os juros são um pouco menores, mas sempre com muito planejamento”, explica Achcar.

Separe o que conseguir, não há limite mínimo

Ter uma reserva de emergência é importante para momentos de crise. Por isso, criar o hábito de poupar pequenas quantias ao mês, ou a cada dois meses, poderá fazer a diferença no futuro. Não há limite mínimo, seja R$ 50, R$ 20 ou R$ 5, o importante é ir formando, aos poucos, um pequeno "colchão" para imprevistos.

“Para a pessoa que ganha um salário mínimo, o primeiro passo é sair das dívidas. O segundo passo é fazer um fundo de reserva”, afirma Vilela. “O caminho é esse, começar a se programar e começar com pouco.”

Poupança não é necessariamente uma vilã

Para quem está iniciando nos investimentos e já tem uma pequena reserva de emergência, a poupança pode ser uma aliada. Mesmo que ela perca para a inflação, é um investimento simples, sem imposto de renda e com liquidez.

“É um meio de saque rápido de dinheiro. A pessoa de baixa renda tem muitos problemas a resolver, como acabar a luz, o gás ou queimar um chuveiro, comprar material escolar, pagar internet. São coisas que, por mais que pareçam simples para alguns, o pessoal mais periférico sofre muito com isso. Então o dinheiro tem que estar aplicado em um lugar simples, de resgate imediato”, explica Vilela.

Essa também é a visão de Achcar. “O pessoal demoniza muito, mas, se a pessoa não sabe nem por onde começar, a poupança pode ser um plano inicial de investimento. Claro que não é o plano ideal, tem opções melhores.”

Já para o público que tem um pouco mais de bagagem, investimentos mais conservadores como Tesouro Selic podem ser opções acessíveis. “Investimentos no Tesouro Direto podem ser feitos com valores iniciais abaixo de R$ 100, e investir é, sem dúvidas, um passo essencial para o futuro financeiro de todos”, afirma Stange.

Educação é o melhor investimento

Se há um investimento que pode dar um retorno excepcional é a educação. Para quem tem poucos recursos, "investir" em educação financeira (mesmo que seja por meio de conteúdos gratuitos) e capacitação pode ser a saída para conseguir aumentar a renda.

“Dependendo da situação, é preciso refletir: o que essa pessoa pode fazer para aumentar a renda dela, para conseguir alguma promoção ou um emprego melhor? Começar um pequeno negócio familiar é possível?”, ressalta Achcar.

Veja as dicas dos economistas para reduzir os gastos no supermercado

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