Rio de Janeiro Ativistas detidos na véspera da Copa já estão presos em Bangu

Ativistas detidos na véspera da Copa já estão presos em Bangu

Segundo Polícia Civil, 17 pessoas foram presas e dois menores apreendidos

Já estão presos no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, zona oeste do Rio, 17 manifestantes detidos no sábado (12) durante a operação Firewall, realizada pela Polícia Civil. Ao todo foram 17 manifestantes presos temporariamente por cinco dias e dois menores de idade apreendidos, todos suspeitos de participação em atos de vandalismo.

Todos os detidos, inclusive Elisa Quadros, a Sininho, que estava em Porto Alegre, passaram a noite na Cidade da Polícia, na região do Jacarezinho, zona norte do Rio e encaminhados para os presídios na tarde deste domingo (13), segundo informou a Seap (Secretaria de Administração Penitenciária).

A operação de caça aos manifestantes ocorreu justamente na véspera da Copa do Mundo. Em redes sociais, protestos já haviam sido marcados no Rio de Janeiro. Os 26 mandados de prisão foram expedidos pela 27ª Vara Criminal da Capital.

A polícia apreendeu com os suspeitos explosivos, arma de fogo, celulares, computadores também máscaras de proteção contra gás lacrimogêneo.

Em entrevista coletiva, o Chefe de Polícia Civil, delegado Fernando Veloso, afirmou que a quadrilha pretendia praticar atos violentos neste fim de semana.

— Provas colhidas ao longo das investigações e hoje evidenciam que esse grupo estava se mobilizando para praticar atos de violência.

O Chefe de Polícia ressaltou que manifestar é algo legítimo e a polícia não vai interferir em possíveis protestos, mas violência é inadmissível.

— Nós queremos paz e uma sociedade melhor.  À Polícia Civil não interessa quem está sendo investigado.  Temos que fazer nosso papel e não podemos permitir o caos.

Advogado vai pedir soltura de ativistas

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil seção Rio de Janeiro, Marcelo Chalréo, deve entrar ainda neste sábado (12) com pedido de liberdade, no plantão do Judiciário do Rio, para os ativistas presos pela Polícia Civil por envolvimento em atos de violência durante manifestações ocorridas na cidade, desde junho do ano passado.

Para Chalréo, as prisões são um “absurdo”. Na avaliação dele, as detenções ocorreram “com o objetivo de afastar essas pessoas de eventual participação em algum tipo de manifestação ou ato” e que foram decretadas sem fundamento legal “minimamente razoável, com claro intuito de tolher ou reprimir a manifestação de expressão dessas pessoas”.

De acordo com o advogado, não há motivo para que os manifestantes sejam presos de forma preventiva, inicialmente por cinco dias. Segundo ele, além dos 19 ativistas detidos, cerca de 20 jovens que se encontravam na casa deles no momento da prisão também foram levados pela polícia.

— Isso é uma ilegalidade da ação da polícia.

Os ativistas foram enquadrados em formação de quadrilha. Sobre a informação dada pela polícia de que a ativista Elisa Quadros Sanzi, a Sininho, seria a chefe da quadrilha, disse que essa é uma alegação “sem pé nem cabeça”. Embora reconheça que Elisa tem tido participação importante em algumas manifestações, considerou que “de forma nenhuma [ela] é uma liderança com esse caráter que quer dar a polícia”.

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