Rio de Janeiro Especialista compara perda do fóssil Luzia com destruição da Mona Lisa

Especialista compara perda do fóssil Luzia com destruição da Mona Lisa

Pesquisadora afirma que não há reposição da peça destruída e que fóssil era um ícone da nossa pré-história

"Como se fosse no Louvre e destruísse a Mona Lisa", diz especialista

'Luzia' tinha mais de 12.000 anos

'Luzia' tinha mais de 12.000 anos

Wilton Júnior/Estadão Conteúdo 6.8.2001

Um incêndio destruiu, no último domingo (2), o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, zona norte do Rio de Janeiro. O local era o lar do grupo de fósseis mais antigos encontrado nas Américas, entre eles o esqueleto batizado de ‘Luzia’, com data aproximada de 10.000 a.C. O espaço é ligado à UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Os fósseis foram encontrados nos anos 1970, no sítio de Lapa Vermelha, na cidade de Lagoa Santa, em Minas Gerais. A missão franco-brasileira não imaginava, mas aquele achado seria considerado como a primeira ocupação humana no Brasil.

Trabalhos científicos mais aprofundados, que se iniciaram na década de 1980, mostraram que a morfologia do crânio, isto é, a classificação de forma e tamanho, era muito diferente dos exemplares asiáticos e dos nativos indígenas atuais.

A coordenadora do Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos da USP (Universidade de São Paulo) e docente da instituição, Mercedes Okumura, em entrevista ao R7, disse que a destruição do fóssil pode ser estimada como uma possível perda do quadro de Mona Lisa, pintado por Leonardo da Vinci no início do século 16 e exposto no Museu do Louvre, em Paris, na França.

“Isso é como se você fosse a Berlim e destruísse o busto de Nefertiti, como se fosse no Louvre e destruísse a Mona Lisa, é o equivalente para a ciência brasileira. É um dia difícil para a ciência brasileira”, contou Okumura.

A professora, que era docente de arquivologia da UFRJ e trabalhava nas dependências do Museu Nacional até junho deste ano, destacou que as pesquisas relacionadas a Luzia colocaram o Brasil no cenário cientifico do povoamento das Américas.

“Não tem preço, não tem reposição. A Luzia se tornou um ícone da nossa pré-história”, explicou Okumura. Não tem nem o que dizer, é o fóssil mais antigo das Américas”, concluiu a docente.

*Estagiário do R7, sob supervisão de Odair Braz Jr.

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