Com caso do Morumbi, Polícia Civil mata mais em 1 dia que no ano todo

Até junho deste ano, cinco pessoas tinham morrido em supostos confrontos

Dez suspeitos de roubo a residência foram mortos pela polícia na zona sul

Dez suspeitos de roubo a residência foram mortos pela polícia na zona sul

Divulgação

Com o caso do Morumbi deste final de semana, policiais civis em serviço mataram mais pessoas em um único dia do que no ano todo na Grande São Paulo.

De acordo com dados da SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo), até junho deste ano, cinco pessoas tinham morrido em casos de "morte em decorrência de oposição à intervenção policial", como são registrados os supostos confrontos.

Em apenas um dia, 10 pessoas morreram na região do Morumbi, na zona sul de São Paulo, após uma operação conjunta do Garra (Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos) e do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais).

Com isso, a letalidade da Polícia Civil na Grande São Paulo já ultrapassa a de 2016 e é a segunda mais alta dos últimos cinco anos. Em todo o ano passado, policiais civis em serviço mataram 13 pessoas em supostos confrontos. Um ano antes, em 2015, foram 22 mortes nas mesmas circunstâncias. Em 2014, houve 11 mortes, e em 2013, 13 mortes.

Questionada sobre a ação do Morumbi, a SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública) afirmou que houve "confronto" entre os policiais e os criminosos. "A ocorrência foi registrada no DHPP como roubo a residência, porte ilegal de arma de fogo, associação criminosa, resistência, apreensão de veículo, homicídio decorrente de oposição à intervenção policial e está sendo investigada pela 3ª Delegacia de Polícia de Repressão a Homicídios Múltiplos", afirmou a pasta.

O R7 perguntou à SSP se a Corregedoria da corporação e o Ministerio Público acompanhariam o caso, se as armas utilizadas pelos policiais foram apreendidas e periciadas e sobre os procedimentos que a Polícia Civil tem adotado para evitar confrontos. A pasta não respondeu esses questionamento.

Perguntado sobre se há suspeita de excesso na ação, o governador Geraldo Alckmin defendeu a ação.

— Não há nenhuma informação a esse respeito. Quem está de fuzil não está querendo conversar. Eram criminosos fortemente armados, com munição que não pode ser utilizada [munições de uso restrito] e colete balístico.

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