São Paulo Com sindicato à beira do despejo, metroviários temem confronto

Com sindicato à beira do despejo, metroviários temem confronto

Após 30 anos, contrato de permanência da entidade na sede, na zona leste de SP, acabou, e o Metrô não quer prolongar o prazo

Ato de sindicalistas contra reintegração de posse

Ato de sindicalistas contra reintegração de posse

Divulgação/Sindicato dos Metroviários

Após três décadas, o Sindicato dos Metroviários de São Paulo corre o risco de perder a sede, no bairro do Tatuapé, zona leste de São Paulo. Isso porque o contrato de concessão da área usado pela entidade se encerrou no último mês de junho, e o Metrô de São Paulo, dono do terreno, não quer ceder novamente.

Ainda em junho, a 13ª Vara de Fazenda Pública do Estado de São Paulo decidiu que o sindicato precisa deixar o local, senão a Justiça de São Paulo pode emitir uma ordem de reintegração de posse autorizando "o arrombamento e força policial, se necessário".

Em reposta, o sindicato disse, por meio de nota, que a entidade não vai entregar o local, mesmo se a Justiça autorizar a retirada à força. "Caso o governo mantenha a intransigência, o enfrentamento será inevitável e as consequências imprevisíveis", afirmou o Sindicato dos Metroviários.

"É uma sede construída e mantida pelos metroviários de São Paulo em um terreno do Metrô. Agora, estão nos ameaçando de despejo e sem nenhuma indenização", disse Narciso Fernandes Soares, diretor suplente do sindicato.

Já no início deste mês de agosto, o próprio sindicato informou que a Justiça expediu o pedido de reintegração de posse da sede da entidade, e pediu ajuda para que "todas e todos da categoria, entidades, movimentos populares e sindicais que puderem, compareçam à sede". Ainda não há data para que aconteça o despejo.

"Jamais tamanho ataque pode ser visto à categoria profissional e sua entidade de representação sindical. Sequer o regime militar imprimiu tanta violência contra os trabalhadores e a um sindicato legitimamente estabelecido", disse o sindicato, em nota.

De acordo com representantes do sindicato, a expectativa é que a gestão João Doria (PSDB) dialogue com a entidade para que a categoria possa seguir as atividades no local. "Esperamos que o governo negocie mesmo sentido de não manter essa atitude antidemocrática", diz Narciso.

O desejo da categoria é que as negociações por um novo contrato aconteça depois que o governo paulista retirar o pedido de despejo. No entanto, Narciso destaca que, no atual momento, existe uma abertura da entidade para discutir com representantes do governo, mas esse diálogo não acontece com a direção do Metrô, bem como com o secretário de Transportes, Alexandre Baldy.

O R7 tentou contato com o Governo de São Paulo e Secretaria Estadual de Transporte, questionando sobre o processo de reintegração, o diálogo da gestão com a entidade, e possíveis prazos previstos pela governo. No entanto, não houve retorno até a publicação desta reportagem.

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