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Leozinho ZS, Thy e RK: no fundão da zona sul de SP, a esperança é o funk

Três jovens da periferia de São Paulo contam como o funk se tornou a esperança de conseguir uma vida melhor para a família e realizar sonhos

São Paulo|Kaique Dalapola, do R7


MCs Thy, Leozinho ZS e RK em arquibancada do Campo da Macaca, na zona sul
MCs Thy, Leozinho ZS e RK em arquibancada do Campo da Macaca, na zona sul

Alex Oliveira Santos desce os 15 degraus da casa onde mora com a mãe, atravessa a garagem, cumprimenta e se apoia em algum amigo para caminhar por cerca de 50 metros até chegar na arquibancada do Campo da Macaca, na região do Jardim Ângela, fundão da zona sul de São Paulo.

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Esse é o ritual dele, que há quase oito anos é conhecido como MC Leozinho ZS. Na beira da quadra de futebol society, o cantor costuma compor e cantar suas músicas que estão sendo elaboradas. “Mas a inspiração vem em outros lugares também, como em casa, na rua, todo lugar”.

Hoje com 19 anos, o artista canta músicas que passam mensagens sobre vivências na periferia, também conhecido no meio como “funk visão”. Conforme ele mesmo diz em uma das músicas, “que ironia, quem vai passar a visão hoje é cego”. Leozinho não enxerga desde os oito meses de idade.

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A esperança vem da música

Para Leozinho, a música é a grande esperança de conseguir realizar as vontades que tem desde a infância. "Quero viajar muito, poder tirar minha família do sufoco, dar uma melhora para minha mãezinha: sonho de qualquer favelado”.

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O MC acredita que vive agora o momento mais alto de sua carreira, começando a pagar as contas com dinheiro conquistado com shows. O que o colocou nos sons dos bailes funk e o transformou em um dos sucessos do funk foi a música "Erra quem quer", que lançou há cerca de três meses, em parceria com MC Lele JP.

Seguir firme nesta caminhada é a pretensão de Leozinho, que ainda traça como deseja ser visto pelos seus companheiros de quebrada. "Quero ser referência para os mais novos e que os mais velhos vejam que estou fazendo certo”.

A mesma vontade é compartilhada por tantos outros jovens da mesma região onde ele vive. Patrick Mendes Paiva, o MC Thy, 21 anos, por exemplo, afirma que "sempre teve o sonho de mostrar o talento para o mundo inteiro”.

Nascido em família de músicos, Thy cresceu cantando na igreja, onde também aprendeu a tocar diversos instrumentos. Durante a adolescência, começou a curtir funk e nasceu a vontade de se tornar MC. Hoje, na música, nutre o "sonho de dar o melhor para a família, crescer na vida, e seguir sendo humilde na quebrada”.

No entanto, até chegar a uma produção musical e publicação no YouTube para ter alguma chance de obter sucesso, os cantores precisam se virar como podem, dentro da realidade das periferias paulistanas. Leozinho diz que chegou a vender latinhas para pagar produção de música.

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Se não fosse o funk%2C com tantos problemas na mente%2C eu não sei o que seria de mim

(MC RK)

"O funk é o que faz eu ser mais feliz na vida", diz José Henrique Amaro, o MC RK, 21 anos, que mudou praticamente toda a vida para viver do gênero. RK nasceu em Peruíbe, no litoral paulista, e viveu uma vida cheia de dificuldades com a mãe até 2012, quando passou alguns dias na casa da irmã, no fundão da zona sul. Na capital, se encantou com os bailes funk — que não existiam onde morava — e decidiu se mudar definitivamente.

Mas, em São Paulo, também não teve vida fácil para curtir os bailes. Em uma pequena casa à beira de um córrego no final de uma extensa viela, RK vive com a irmã e sete crianças. Até chegar a se dedicar à música, trabalhou em diferentes áreas: foi garçom, pintor, pedreiro e vendedor de doces no ônibus.

"Última coisa que trabalhei foi vendendo chocolate no busão. A situação estava crítica e eu indo atrás, entregando currículo para arrumar um trampo de qualquer forma para ajudar minha família. A única opção que encontrei foi vender no busão. Tinha vergonha demais, mas com o tempo eu perdi essa vergonha, e percebi que não pode ter vergonha de ganhar dinheiro", afirma RK.

O cantor decidiu se dedicar totalmente ao funk somente neste ano. Ele ia junto com um amigo gravar suas músicas até ter essa amizade tragicamente interrompida. "Meu parceiro foi fazer coisa errada, tomou tiro e morreu, mas ele segue sendo minha inspiração", diz.

Parceria além da música

A parceria entre Leozinho, Thy e RK não se limita ao cantar. Embora tenham músicas juntos, eles estão lado a lado na hora de sair para os rolês — que geralmente são bailes funk —, na hora de curtir a rua e nos momentos difíceis também.

Eles se apoiam e esperam ficar cada vez mais estourados nas caixas de som, mandando a ideia que conscientiza os jovens da quebrada e dando a letra que diverte e bota a meninada para dançar. 

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