Secretário de Governo de Haddad deixa cargo após ter nome envolvido com máfia do ISS

Antonio Donato promete se defender de "denúncias infundadas" feitas contra ele

Antonio Donato chamou de "infundadas" as acusações contra ele

Antonio Donato chamou de "infundadas" as acusações contra ele

Valéria Gonçalvez/06.02.2006/ Estadão Conteúdo

O secretário de Governo da Prefeitura de São Paulo, Antônio Donato, confirmou nesta terça-feira (12) o pedido de afastamento do cargo. Em nota, Donato afirma que retomará o mandato de vereador na Câmara Municipal, "onde poderá, com a mais ampla liberdade, se defender de denúncias infundadas atribuídas à quadrilha de servidores municipais que fraudava o ISS (Imposto Sobre Serviços)".

Donato é citado em gravações nas investigações de fraudes na Prefeitura. Um dos cotados para assumir a pasta é o atual secretário de Saúde, José de Filippi Júnior.

No texto, Donato diz ter identificado "uma orquestração por parte dos servidores investigados para envolvê-lo de forma leviana e, assim, atrapalhar o curso das investigações". Ao comunicar o pedido de afastamento ao prefeito Fernando Haddad (PT), ainda de acordo com o comunicado, o secretário de Governo da Prefeitura de São Paulo citou o risco de "a quadrilha tentar atingir o governo do PT na cidade de São Paulo e prejudicar o andamento das investigações".

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A saída de Donato é estudada desde o início da divulgação das gravações em que membros da quadrilha do ISS demonstram intimidade com ele. Donato foi citado em conversas entre os investigados. Além de pedir ajuda para o secretário de Governo da Prefeitura, homem-forte da gestão Haddad, um dos acusados conversa com a companheira sobre supostas doações para a campanha de Donato a vereador em 2008.

Em matéria publicada pelo jornal Folha de S.Paulo desta quarta-feira, Donato teria empregado Eduardo Horle Barcellos, um dos quatro fiscais que estiveram presos até a semana passada por envolvimento no esquema de corrupção, em seu gabinete, de janeiro a abril deste ano. A transferência de Barcellos, da secretaria de Finanças para a de Governo, foi feita pelo próprio Donato, em 17 de janeiro.

Durante esse período as investigações conduzidas primeiramente pela CGM (Controladoria Geral do Município) já estavam em andamento. Após abril, Barcellos pediu para voltar para a secretaria de Finanças.

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O nome de Donato também está ligado à indicação de outro auditor suspeito de corrupção, Ronilson Bezerra Rodrigues, que ocupava a chefia de finanças da SPTrans, responsável pelo gerenciamento do transporte municipal. Sabendo da investigação da CGM, Ronilson teria procurado Donato.

Já a auditora Paula Sayuri Nagamati, exonerada na semana passada, declarou em depoimento ao MPE (Ministério Público Estadual), que Donato teria recebido dinheiro durante as eleições de 2008, recursos esses provenientes do esquema de corrupção na prefeitura. Já o secretário de Governo admitiu apenas conhecer Ronilson, mas negou veementemente qualquer irregularidade.