Saúde A uma semana do Natal, Brasil vive novo aumento do número de casos de Covid

A uma semana do Natal, Brasil vive novo aumento do número de casos de Covid

Enquanto milhões de brasileiros se preparam para viagens e reuniões sociais, internações avançam e já há reflexo nos óbitos

  • Saúde | Fernando Mellis, do R7

Resumindo a Notícia
  • Número de casos de Covid é o mais alto desde o fim de julho

  • Fiocruz detecta aumento das internações pela doença em todo o país

  • Óbitos voltaram a superar a marca de cem registros por dia

  • Especialistas dizem que viagens e reuniões podem impactar cenário

Média móvel de casos de Covid está em 36 mil por dia nesta semana

Média móvel de casos de Covid está em 36 mil por dia nesta semana

FERNANDO SILVA /PERA PHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO - 22.11.2022

O Brasil termina 2022 com uma terceira onda de casos de Covid-19. O tamanho dela, porém, ainda é difícil definir, uma vez que o número de testes positivos e internações vem crescendo a uma semana do Natal.

As viagens de férias, reuniões de amigos e familiares podem ter um impacto na disseminação do vírus, assim como já se observou no fim de 2021 e começo deste ano.

Dados do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) mostram que a média móvel diária de novos casos nesta semana (cerca de 36 mil) está no patamar mais elevado desde o fim de julho — quando o país passava por um declínio do número de infecções da segunda onda.

Especialistas ressaltam que o número de novos casos certamente está subnotificado, já que muita gente não realiza mais exames, e a popularização dos testes caseiros faz com que resultados positivos não sejam notificados aos governos.

Ainda assim, outro indicador é mais fiel para mostrar o avanço da Covid-19 no Brasil neste momento: as internações por Srag (síndrome respiratória aguda grave).

O mais recente boletim InfoGripe, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), alerta para o aumento de internações por complicações respiratórias em todo o país, principalmente entre adultos, sendo a Covid-19 a principal causa (76,7% dos casos).

Para o pesquisador da Fiocruz Leonardo Bastos, os indicadores de internações mostram "a ponta do iceberg, que são os casos graves".

"Mas talvez sejam mais relevantes, porque é o que pode causar uma superlotação em hospitais. Quando começamos a ver tendência de aumento de hospitalizações, tem que acender um alerta", afirma.

A epidemiologista e professora da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo) Ethel Maciel ressalta o fato de uma grande parcela da população estar sem as doses de reforço da vacina anti-Covid.

"Infelizmente, ainda temos pessoas que não tomaram nenhuma dose de reforço e acabam estando mais expostas, porque neste momento já sabemos que, para considerar alguém vacinado, precisa-se de pelo menos três doses. O esquema básico [de imunização] mudou com as variantes de preocupação", observa.

O vacinômetro do Ministério da Saúde mostra que 39,2 milhões de doses de segundo reforço haviam sido aplicadas até 15 de dezembro. O primeiro reforço foi aplicado em 101,9 milhões.

Diante desse cenário, os dois especialistas já adiantam que a Covid-19 deve continuar se disseminando neste fim de ano.

"A gente vai esperar neste Natal e Ano-Novo um aumento de casos. E uma preocupação sempre maior com os nossos mais vulneráveis, os idosos, os imunossuprimidos, as pessoas que precisam de uma proteção maior", complementa Ethel.

Por outro lado, o cenário é mais otimista do que há um ano, diz o pesquisador da Fiocruz. "Não é como no ano passado, quando chegou uma variante completamente nova [Ômicron]. Agora, é uma subvariante da Ômicron, mas continua sendo Ômicron."

Dados da Rede Genômica Fiocruz mostram que, em novembro deste ano, três subvariantes da Ômicron predominavam no país: BQ.1.1 (34,3%), BA.5.3.1 (14,1%), BQ.1 (14%).

Embora sejam mais transmissíveis, essas subvariantes não se mostraram mais perigosas do que as que que circularam anteriormente.

O pesquisador acrescenta que, normalmente, as curvas de casos de Covid-19 no Brasil duram cerca de oito semanas, entre subida, pico e descida. Se isso se confirmar nesta onda, iniciaríamos o ano em queda, mas esta não é uma garantia. 

"Como tem essa movimentação de fim de ano, essa mobilidade de pessoas, eventos com aglomerações, talvez isso estique [a curva de casos e internações] um pouco mais. Uma tendência natural das epidemias são essas ondas que sobem e descem, mas quando ela desce, isso aí é incerto. Talvez esse movimento de fim de ano faça com que essa queda seja um pouco mais lenta", pondera Bastos.

Óbitos

O que tem sido observado desde a onda do meio do ano no Brasil é que as vítimas da Covid-19 voltaram a ser majoritariamente os idosos e pessoas com alguma imunossupressão.

Mesmo com esquema vacinal completo, esses indivíduos não desenvolvem a mesma resposta imunológica contra o vírus em relação aos adultos saudáveis, por exemplo.

Entretanto, alguns adultos com esquema vacinal incompleto também estão sujeitos a complicações causadas pela Covid-19.

Bastos ressalta que tem sido observado, embora em menor número, aumento do número de internações de pessoas entre 40 e 60 anos. "O número é um pouco menor, mas aquela tendência de subida está ali."

A média diária de mortes pela doença voltou a ficar acima de cem nesta semana, após três meses abaixo desse patamar, segundo o Conass. 

As vacinas bivalentes, que oferecem um nível de proteção maior contra a Ômicron, começaram a chegar ao Brasil nesta semana, mas em quantitativo ainda baixo e sem previsão de quando devem começar a ser aplicadas. 

A professora da Ufes entende que os idosos e os imunossuprimidos devem ser priorizados. 

"Seria, sim, muito importante que a gente começasse a vacinar o público de idosos e grupos de risco, principalmente pensando nestas festas de fim de ano."

Medidas de prevenção

O alerta do aumento de hospitalizações nas últimas semanas serviu para que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinasse a volta da obrigatoriedade do uso de máscara em aviões e aeroportos.

Em São Paulo, a proteção facial também passou a ser exigida de quem anda no transporte público.

Porém, a percepção da necessidade do uso se torna cada vez mais individual, afirma Ethel Maciel.

"A gente não tem uma determinação para uso de máscara, as nossas medidas inexistem. Então, é difícil que nós tenhamos, pelo menos até o final deste governo, uma medida mais efetiva nesse sentido. É importante alertar as pessoas de que, sempre quando forem viajar, temos a obrigatoriedade nos aviões, mas não em ônibus, por exemplo. Utilize máscara, porque é um local fechado em que você vai ficar muito tempo."

Ela reforça a importância de optar, sempre que possível, por máscara com alta capacidade de filtragem, como a PFF2/N95 ou a cirúrgica (com três camadas).

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