Saúde Alcoolismo tem cura? Saiba como ajudar quem sofre da doença

Alcoolismo tem cura? Saiba como ajudar quem sofre da doença

Nem sempre um dependente químico tem consciência da sua condição. Psicóloga explica como identificar os sintomas e auxiliar essa pessoa

Alcoolismo tem cura? Saiba como ajudar quem sofre da doença

Não é recomendado esconder bebidas ou impedir que o adoecido saia de casa

Não é recomendado esconder bebidas ou impedir que o adoecido saia de casa

Pixabay

Quando a cervejinha depois do trabalho vira rotina e se estende para outros momentos, pode ser um sinal de dependência química. O alcoolismo é uma doença que afeta famílias por todo o Brasil e um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que 19,9 milhões de pessoas com mais de 18 anos consomem mais de quatro doses de álcool por dia.

A psicóloga especializada em dependência química pela USP, Vivian Weinz, explica que o alcoolismo não tem cura, mas pode ser controlado. “A recuperação precisa estar sempre em manutenção a partir do momento que o paciente entra em tratamento, porque a recaída pode se dar a qualquer tempo”, afirma.

Saiba como identificar os sintomas

O principal sintoma da dependência é a perda do controle e, normalmente, a pessoa só se dá conta quando o vício começa a afetar outras áreas da vida, como o trabalho, o controle financeiro e a relação familiar. “Só depois de muitas perdas importantes e significativas é que ele se dá conta de que precisa de um tratamento”, explica a psicóloga.

A afirmação “eu paro de beber quando eu quiser” é recorrente entre as pessoas que começam a apresentar sinais de descontrole sobre o consumo de bebida alcoólica. Mas Weinz alerta para o fato de que a doença é lenta, progressiva e fatal. “Começa com um uso recreativo, depois vira abusivo e, finalmente, uma dependência”, afirma.

De acordo com a especialista, há também uma predisposição genética que facilita o desenvolvimento da doença. “Pessoas que têm antecedentes históricos na família e não prestam atenção aos hábitos, podem desencadear uma dependência”, diz Weinz.

Como ajudar quem sofre da doença

Se engana quem pensa que o alcoolismo é um problema apenas de quem sofre com a doença. Também é importante que os familiares procurem ajuda, sobretudo psicológica, para que seja possível apoiar o ente adoecido. “Em uma casa onde há um dependente químico, a família também se descontrola”, explica a psicóloga.

Esconder a bebida ou mesmo apelar para medidas mais drásticas, como quebrar garrafas ou impedir que o familiar saia de casa, não é recomendado. “O paciente entra em recuperação à medida que ele se conscientiza, o familiar não pode fazer por esse indivíduo mais do que ele próprio”, finaliza Weinz. 

De acordo com Tadeu T. B., porta-voz da organização Alcoólicos Anônimos, é importante que os familiares evitem discussões com o adoecido no momento em que ele esteja sob efeito da substância. “Quando ele está alterado ou ansioso para a próxima bebida, a discussão traz resultados negativos e aciona todos os mecanismos de defesa dessa pessoa”, explica.

É possível superar

Léo Watanabe tem 45 anos e há 15 não consome mais nenhum tipo de bebida alcoólica. “Como a maioria dos alcoólatras, eu não me diagnosticava como um dependente. Eu bebia e parava por alguns dias, depois voltava a beber. Mas eu era compulsivo, muitas vezes bebia até não me lembrar onde estava”, lembra.

"A informação é a arma mais eficaz", afirma Watanabe

"A informação é a arma mais eficaz", afirma Watanabe

Reprodução

No caso de Watanabe, acompanhar a vida do pai, que também sofre com a doença, foi fator decisivo para que ele tivesse como meta uma vida sem o álcool.

“Sei que a batalha é diária, um dia de cada vez, venci o primeiro, portanto, posso vencer amanhã”, afirma.

“A informação é a arma mais eficaz, no sentido de conscientização do alcoólatra, daí pode nascer a vontade de vencer. Eu assisti a algumas matérias sobre o alcoolismo e li sobre o assunto”, recomenda.