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Saúde Câncer de pele em 'áreas esquecidas' na hora do protetor solar inclui couro cabeludo e lábios

Câncer de pele em 'áreas esquecidas' na hora do protetor solar inclui couro cabeludo e lábios

Cuidados com essas regiões devem ser tomados mesmo quando não há exposição ao sol intenso, alerta especialista

  • Saúde | Do R7

Pequenas feridas que não cicatrizam e lesões com sangramento podem indicar câncer labial

Pequenas feridas que não cicatrizam e lesões com sangramento podem indicar câncer labial

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Quando se fala em câncer de pele, os lábios e o couro cabeludo são áreas pouco associadas ao problema. No entanto, apesar de menos comum, o Inca (Instituto Nacional de Câncer) estima que o câncer de boca, que inclui a região labial, é o quarto mais frequente entre homens na região Sudeste do Brasil, por exemplo.

A exposição excessiva ao sol está entre as principais causas da doença, mas a dermatologista Meire Gonzaga explica que o fator não está relacionado apenas a épocas de altas temperaturas, como o verão.

“O sol que a pessoa toma desde criança tem efeito cumulativo sobre a pele e as queimaduras que ela vai sofrendo ao longo da vida. E, quanto mais clara for a pele, maior e mais intenso será esse dano. Por isso é tão importante o uso do filtro solar, mesmo na região labial. Hoje em dia existem vários batons com filtro solar, que acabam sendo uma excelente alternativa”, afirma a médica.

Além disso, o tabagismo, o uso de piercings que atravessam a boca e o hábito de arrancar pequenas peles do lábio e de consumir chimarrão, que expõe a região a altas temperaturas, também podem contribuir para a formação do câncer da mucosa labial.

“Tudo o que provoca uma inflamação exagerada leva as células a ficarem nervosas e se multiplicarem atipicamente; é essa proliferação celular atípica que chamamos de câncer de pele”, explica Meire.

Já na região do couro cabeludo, além do dano solar, existem algumas pintas que podem se transformar em câncer de pele.

Sintomas e prevenção

A dermatologista explica que os principais sintomas de câncer na mucosa labial podem estar relacionados a pequenas feridas que não cicatrizam, pequenas cascas, lesões com sangramento ou placas esbranquiçadas nos lábios, também chamadas de leucoplasia. Já no couro cabeludo a presença de manchas e feridas que não desaparecem, ou mesmo pintas, também pode ser sinal de alerta.

Para ambos os problemas, a prevenção passa principalmente pelo uso do filtro solar. Para a boca, é importante que o fator de proteção seja acima de 30 e que o produto seja reaplicado várias vezes ao dia, já que a região é constantemente acionada e o protetor pode não se fixar.

Para a região do couro cabeludo, o cabelo já funciona como uma barreira contra os raios solares, mas para os que convivem com a queda dos fios ou a calvície vale usar os protetores solares em spray ou mesmo a linha usada no corpo.

“Para proteger os lábios e o couro cabeludo, é importante apostar em barreiras mecânicas de proteção, como usar chapéu, boné, viseira e não ficar com o rosto exposto sem proteção contra o sol”, ressalta a dermatologista.

O médico Sérgio Schalka, especialista da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) e coordenador do Consenso Brasileiro de Fotoproteção, acrescenta que o couro cabeludo, principalmente nos homens, e os lábios são "áreas esquecidas" do corpo na hora de aplicar o filtro solar.

"Uma mulher que tem um volume de cabelos muito grande está razoavelmente protegida. Os homens, mesmo quando não são completamente calvos, mas já têm uma certa rarefação,  precisam proteger o couro cabeludo porque ele recebe muita radiação. As pessoas não percebem porque, por ter uma pele um pouco mais grossa, não é comum que o couro cabeludo se queime. Não é porque ele não se queimou que a pele não foi agredida. A gente vê muito câncer de pele na região do couro cabeludo."

Como não há produtos específicos para o couro cabeludo, Schalka sugere uma alternativa que torna o processo mais fácil.

"O creme vai deixar o cabelo melecado, e a pessoa não vai gostar. O spray não é perfeito, deixa a região um pouco craquelenta, mas dá uma disfarçada depois que seca. E eu sempre reforço o uso do boné. As duas coisas, porque na hora em que a pessoa vai dar um mergulho no mar e tira o boné tem o protetor lá para ajudar."

Formas de tratamento

O tratamento dessas formas de câncer vai depender da gravidade do quadro, e nesse caso o diagnóstico precoce é importante para garantir uma boa recuperação e a eficiência da intervenção.

Na região da mucosa labial, é possível remover a lesão cancerosa por meio de cirurgia, sendo que em alguns casos é necessário retirar toda a parte vermelha dos lábios. No caso do couro cabeludo, a remoção cirúrgica também é uma das alternativas.

“Dependendo do tipo de lesão, é possível adotar medidas complementares, como a radioterapia e a quimioterapia. Tratar o câncer labial é mais difícil por atingir uma região pequena e multifuncional. Usamos os lábios para tudo, então acaba sendo um tumor cuja recuperação é mais complicada”, destaca a especialista.

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