Saúde Cobras e quedas: como lidar com acidentes em trilhas e cachoeiras

Cobras e quedas: como lidar com acidentes em trilhas e cachoeiras

Primeiros-socorros básicos podem ajudar, até a chegada dos bombeiros, em casos de emergência, como quedas, picadas de cobras e afogamentos

  • Saúde | Aline Chalet, do R7*

Quedas são mais comuns do que picada de cobras e afogamento, diz bombeiro

Quedas são mais comuns do que picada de cobras e afogamento, diz bombeiro

André Tal/Record TV

Locais como cachoeiras e trilhas são propensos a acidentes e alguns cuidados podem evitá-los, afirma o capitão André Elias, do Corpo de Bombeiros, em São Paulo. O primeiro passo, segundo ele, é se informar a respeito do local que se pretende visitar.

“É importante que você procure um local adequado, que permita visitação. Muitas reservas não são abertas ao público, outras necessitam de um guia profissional ou de uma liberação das autoridades.”

Ele explica que os locais permitidos vão ter condições melhores para evitar acidentes como trilhas mais abertas, locais para se apoiar, corrimãos, cordas e sinalização, para evitar que que as pessoas se percam e para orientar o que é permitido ou não naquele local.

“Se você adentrar uma área de preservação, além de poder sofrer um acidente e ter que acionar o corpo de bombeiros, pode levar uma multa ou até ser preso.”

Ele lembra que é sempre importante avisar alguém para onde vai e qual é o trajeto planejado, com horário de ida e retorno. “Se você demorar mais, isso pode ser um gatilho para que a pessoa procure por você. Além disso, se você precisar ligar para os bombeiros em uma emergência, você precisa saber se localizar, dizer onde está.”

Outra orientação é que, em passeios como esse, não se consuma bebidas alcoólicas ou outras substâncias. “Você está sob efeito de algo desse tipo e precisar usar todo o vigor, a disposição física e a mental estarão prejudicadas.”

Além disso, o consumo dessas substâncias pode favorecer afogamentos. “Se a pessoa não sabe nadar, não deve entrar na água que não consiga ficar de pé, principalmente em lugares que não conhece. Mas, às vezes, mesmo quem sabe nadar, sob efeito de álcool pode se afogar.”

Em caso de afogamento, o bombeiro orienta que a primeira atitude deve ser tentar jogar algum objeto para a pessoa boiar ou para conseguir puxá-la para fora da água. “Se você for tentar resgatá-la, é importante ter habilidade total no meio líquido.”

Se for possível tirá-la da água e a pessoa estiver tossindo, Elias orienta que se estimule a tosse. “Deite ela com o lado direito do corpo no chão, perna cruzada para que ela não role, o braço de baixo pode ser usado para apoiar a cabeça, monitore os sinais vitais, limpe as excreções que possam sair da boca e, se não estiver consciente, ligue imediatamente para o 193.”

O 193 é o número de emergência para acionar os bombeiros, que deve ser acionado em caso de acidentes desse tipo. Segundo o capitão, o tipo de acidente mais comum nesses ambientes são as quedas.

“Tem que tomar muito cuidado com as superfícies que possam ser escorregadias, utilizar quatro apoios ou ir sentado em algumas partes. Não confiar muito no próprio corpo e ter cautela.”

Se em uma queda for observada uma possível fratura ou torção, o membro deve ser imobilizado com algum artifício como cinto ou toco de árvore. “Se você não tem o treinamento prévio, o ideal é não tentar fazer a imobilização, você pode piorar a situação, então é fazer essa pessoa se mexer o menos possível até chegar o resgate, principalmente o membro afetado.”

Em caso de desmaio, é importante ligar imediatamente para o Corpo de Bombeiros ou para o Samu. Primeiramente, deve verificar se a pessoa responde a estímulos dolorosos ou estímulos verbais. “Não é para machucar, mas se você esfregar o meio do peito da pessoa com o ossinho do dedo dela vai causar uma dor que a pessoa deve reagir.”

Elias explica que a pessoa ao telefone do Corpo de Bombeiros já vai conseguir fazer possíveis orientações, mas caso a pessoa esteja realmente inconsciente é necessário verificar a respiração.

“Se a pessoa não estiver respirando, precisa iniciar imediatamente a ressuscitação cardiopulmonar. A pessoa que vai fazer precisa ter um mínimo de informação ou ela pode prejudicar ainda mais a situação. Mas, basicamente, você entrelaça a sua mão mais fraca em cima da mais forte e procura a linha entre os mamilos ou acima da boca do estômago e usa o peso do corpo para fazer compressões.”

Um último acidente comum nesse tipo de local são as picadas de cobra ou outros animais peçonhentos. O bombeiro explica que é preciso tentar capturar o animal ou tirar uma foto dele. “Precisa ter alguma maneira de identificar qual era o animal, cada cobra tem um tipo de soro específico que vai ser mais eficaz.”

Ele recomenda que se coloque um pano limpo para estancar o ferimento, tente manter a pessoa calma e evite atividades físicas intensas. “Se ela tentar sair do local correndo, os batimentos cardíacos vão aumentar e isso faz com que o veneno possa se espalhar mais rapidamente, então o ideal é ligar no 193 e deixar a pessoa numa posição confortável comprimindo o ferimento.”

*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini

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