Saúde Entenda a síndrome de Asperger que atinge bilionário Elon Musk

Entenda a síndrome de Asperger que atinge bilionário Elon Musk

2º homem mais rico do mundo assumiu que tem autismo nível leve, vejo o que é a doença e qual é relação tem com superdotados

  • Saúde | Carla Canteras, do R7

Empresário é detentor de fortuna estimada em mais de R$ 800 bilhões

Empresário é detentor de fortuna estimada em mais de R$ 800 bilhões

ALEXANDER BECHER/EFE/EPA

O segundo homem mais rico do mundo, de acordo com a revista Forbes, Elon Musk assumiu no programa "Saturday Night Live (SNL)", transmitido no canal NBC, dos Estados Unidos, que tem síndrome de Asperger e foi aplaudido de pé pela plateia.

O bilionário se junta ao grupo do qual faz parte a ativista ambiental sueca Greta Thunberg e, possivelmente, o físico alemão Albert Einstein além do compositor austríaco Amadeus Mozart, considerados gênios em suas atividades. 

No programa, Elon brincou: "Só quero dizer que reinventei os carros elétricos e estou mandando pessoas para Marte em um foguete. Você achou que eu também seria um cara normal e tranquilo?".

O empresário é dono da Tesla, fabricante de carros eletricos, e da SpaceX, desenvolvedora de foguetes.  

Desde de 2013, o manual de definição de doenças classificou a síndrome de Asperger dentro do Transtorno do Espectro do Autismo de nível leve.

A neuropsicóloga, Joana Portolese afirma que o autismo tem graduações diferentes e explica as características principais das pessoas atingidas pela forma mais leve.

"O paciente tem dificuldade da interação e comunicação social e a presença de comportamentos repetitivos e estereotipados, que é a sintoma principal do autismo", conta.

E completa: "Eles não apresentam a deficiência intelectual, a inteligência está preservada. Além do que são verbais, o que quer dizer que têm o comprometimento da interação social, mas falam", salienta a profissional, que é coordenadora do Programa do Transtorno do Espectro Autista do IPq (Instituto de Psiquiatria) da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo). 

Porém, ter a inteligência preservada não significa que todos os autistas leves são superdotados ou têm um dom especial como os famosos que assumiram ter a doença.

"É muito comum que os pais cheguem no consultório e perguntem: 'meu filho tem Asperger ele vai ser bom em quê?' Às vezes, ele não tem nenhuma super habilidade", alerta. 

Entre os pacientes com autismo, cerca 40% apresentam deficiência intelectual, mas Portolese lembra que não significa que o restante tenha uma inteligência especial.

"O que não quer dizer que 60% são superdotados. Temos uma faixa, que varia entre 3,5% e 5%, que tem uma inteligência em um nível superior e apresentam o hiperfoco em determinado assunto. É a associação da inteligência alta, com interesse no assunto. Por exemplo, tem crianças que conhecem todas as bandeiras do mundo, mas não se comunicam, não tornam aquele assunto interessante", observa a neuropsicóloga.  

Esse foco extremo em apenas um assunto também é uma das características da síndrome de Asperger.

"[Os indivíduos] acabam tendo o hiperfoco, tem hábitos mais inflexíveis de rotina e organizam a vida a partir desse foco. Mas, nas questões sociais eles não são tão bons. É difícil perceberem a sutileza social do outro, é difícil se modularem, por conta da dificuldade de comunicação social. Eles não percebem o que é abstrato ou não é explícito", ressalta Joana.

Duranta a entrevista, Elon Musk afirmou que tem um jeito de pensar diferente. "Olha, eu sei que às vezes digo ou posto coisas estranhas, mas é assim que meu cérebro funciona", disse ele. 

Joana conta que é verdadeira a explicação dada pelo bilionário.

"É difícil descrever essa diferença do jeito de pensar do autista. As pessoas têm um perfil mais imagético [se expressa por imagens], justamente pela dificuldade de sacar o social, porque é abstrato, implícito e sutil. Eles são mais ligados no que é concreto, aí resulta no que ele fala. É uma maneira diferente de processar a informação e pensar", diz ela. 

O diagnóstico do autismo é feito por um especialista, que pode ser um neuropediatra, psiquiatra da infância e adolescência ou o próprio pediatra.

A Sociedade Brasileira de Pediatria tem a indicação de um instrumento de rastreamento precoce chama de M-Chat. Nele, os pais ou principais cuidadores respondem a perguntas sobre as percepções das crianças.

Joana explica o que é importante observar as crianças, antes de procurar um especialista.

"Se é um bebê mais apático e fica mais focado em estímulos não sociais, não ergue o bracinho para ir para o colo dos pais, não interage com sorrisos, não atende a chamados, não tem a troca gostosa de sorrisos, não balbucia, não cantarola, não dá tchau... são coisas importantes de ver", afirma ela.

Quanto mais precoce for a descoberta da doença, mais chances a criança tem de evoluir e conseguir amenizar os problemas de comunicação social.

"O Elon assumir a doença é importante para falarmos do assunto. É assim: o meu filho pode ter autismo e eu só preciso intervir de uma maneira que o ajude, até para que ele possa adaptar ainda mais a essa forma que ele tem de funcionar e entender o mundo", finaliza Joana Portolese. 

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