Saúde Entenda o que é a 'doença da urina preta', que tem três casos em investigação no Pará

Entenda o que é a 'doença da urina preta', que tem três casos em investigação no Pará

A síndrome de Haff, nome técnico da enfermidade, acontece após a ingestão de peixe malconservado e pode matar

  • Saúde | Do R7

'Doença da urina preta' é rara e aparece após ingestão de peixes e crustáceos

'Doença da urina preta' é rara e aparece após ingestão de peixes e crustáceos

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A Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará recebeu a notificação de uma morte e de dois casos suspeitos de síndrome de Haff, ou, como é popularmente conhecida, "doença da urina preta". De acordo com o órgão, os casos investigados são na cidade de Óbidos, na zona rural do estado.

A síndrome de Haff é uma doença rara e é causada pela ingestão de peixes e crustáceos malconservados. "É uma doença bem rara, mas ela é causada por uma toxina presente nos peixes e crustáceos. Essa toxina causa uma lesão nos músculos, chamada de rabdomiólise. Essa lesão libera a proteína mioglobina, que cai na corrente sanguínea e sobrecarga os rins", explica a infectologista Ana Senni Rodrigues.

Os sintomas mais comuns da doença são: dores no corpo, dificuldade para andar, dormência no corpo e alteração da cor e quantidade da urina. Os efeitos da toxina aparecem de duas a 24 horas após sua ingestão.

"A toxina vai acometer principalmente o sistema muscular, e com isso acarreta o comprometimento do rim. Não tem um período de incubação longo, a ação é rápida, assim como quando comemos uma carne contaminada, [situação em] que a diarreia é bem imediata", observa Ana.

A alteração da cor do xixi, que dá origem ao nome popular da enfermidade, acontece pela liberação da mioglobina. "A urina fica escura por conta da proteína chamada mioglobina que temos no músculo; ela tem tipo sangue mesmo, como componente da hemoglobina, e por isso vai ficando escura", acrescenta a médica.

Não existe um remédio que neutralize a ação da toxina presente nos peixes e crustáceos, por isso o tratamento é clínico. "Não tem um tratamento específico, então o paciente é tratado a partir da dor e do problema que apresenta. Se está com o rim alterado, vai tratar com hemodiálise, hidratar. Se está com dor muscular, vai cuidar da dor", conta a infectologista.

A recomendação médica é procurar um serviço de saúde assim que os primeiros sintomas aparecerem, porque quanto antes a doença for descoberta mais chances de se curar.

"A doença pode levar à morte se a insuficiência renal for irreversível, vai evoluindo sem fechar um diagnóstico rápido. Às vezes, é difícil fechar um diagnóstico raro sem tirar uma boa história clínica, já que é uma doença rara e não se está habituado a ela. Pode levar à morte, mas tem casos reversíveis dependendo da lesão renal", afirma a infectologista.

A doença não é prevenível e não é de fácil identificação, uma vez que a toxina não altera cor, cheiro nem gosto dos alimentos. Além disso, não é encontrada somente no consumo cru das comidas. O cozimento não neutraliza a toxina.

A secretaria informou que os casos suspeitos estão sendo investigados com base em diagnóstico diferencial, ou seja, por exclusão de possibilidades. Além dos sintomas do paciente, já que não é possível a confirmação por meio de exames específicos. 

"A prevenção é só comer peixes e crustáceos dos quais conhecemos a procedência, como é o preparo e se é um peixe ou crustáceo fresco", alerta Ana.

Mas especialistas salientam que não é necessário diminuir o consumo de peixes, uma vez que a doença é muito rara. No ano passado, os estados da Bahia e de Pernambuco registraram casos da doença e duas pessoas morreram. 

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