Saúde Entenda o que é a síndrome do pânico e como a condição afeta o organismo

Entenda o que é a síndrome do pânico e como a condição afeta o organismo

Apesar de serem um estado mental, crises podem causar repercussões negativas em todo o corpo, chegando aos sistemas cardiovascular e imunológico

  • Saúde | Do R7

Pacientes têm sensação de que vão morrer durante crises

Pacientes têm sensação de que vão morrer durante crises

Freepik/Reprodução

Medo constante sem motivo concreto, acompanhado da sensação de morte iminente ou de perda do controle sobre si — estes são alguns dos sintomas da síndrome do pânico, estado mental caracterizado por episódios recorrentes de ansiedade aguda.

Em entrevista ao R7, o psiquiatra Agamenon Honório explica que a condição também pode estar acompanhada de sintomas físicos, como tremores, taquicardia e sudorese intensa.

“O medo é algo natural; o que nós temos na ansiedade é algo que não tem uma relação direta com alguma situação. São medos que temos desde os homens das cavernas, quando tínhamos ameaças das feras e da escuridão; então o homem tem essa instância do próprio medo que [faz parte da] preservação da espécie, mas quando isso sai de controle é uma patologia, então requer um tratamento psiquiátrico”, explica.

A cantora Wanessa Camargo, que recentemente anunciou o término do seu casamento com o empresário Marcus Buaiz, foi diagnosticada com a síndrome e já falou publicamente sobre o assunto algumas vezes.

Apesar de ser uma condição mental, a síndrome do pânico está associada a uma série de repercussões físicas no organismo, conforme explica o psiquiatra. Isso se deve, em grande parte, aos hormônios e órgãos responsáveis pela manutenção da sobrevivência.

Algumas regiões do cérebro, como hipotálamo, hipófise e hipocampo, são capazes de passar por modulações quando identificam situações que são ameaçadoras, provocando reações de fuga ou de luta na pessoa afetada.

“Nesse momento a nossa [glândula] suprarrenal, através de todo esse eixo, começa a liberar determinados hormônios como adrenalina, noradrenalina e cortisol — que é o hormônio do dia que que deixa a pessoa pronta para viver e se movimentar. Mas isso está dentro de um eixo de equilíbrio; quando esse estresse é repetido [como na síndrome do pânico], ele pode acertar inúmeros órgãos do nosso corpo”, destaca Honório.

Nesse sentido, a síndrome do pânico pode provocar repercussões negativas no sistema cardiovascular, levando a quadros de hipertensão e lesões cardíacas; no sistema gastrointestinal, causando problemas como doença de Crohn, colite ulcerativa e síndrome do intestino irritável, que, por sua vez, provoca alterações digestivas, diarreias, sensação de desconforto e gastrites.

“O sistema imunológico é afetado de maneira muito forte, porque é como se estivéssemos o tempo inteiro em alerta. Nós temos a nossa capacidade de defesa, mas imagine ter uma defesa permanente quando não há uma situação real, porque a situação pode ser imaginária, mas o nosso organismo reconhece como se fosse de verdade. A pessoa entra em um estado de alerta intenso, e isso vai adoecer o corpo inteiro”, destaca o psiquiatra.

Além disso, no caso das mulheres, a parte ginecológica também pode ser impactada, levando a quadros de alteração menstrual ou períodos intensos de TPM (tensão pré-menstrual). Assim como a pele, que também pode sofrer com as alterações químicas desencadeadas pela síndrome do pânico, com episódios de psoríase e dermatites, por exemplo.

O tratamento, segundo o médico, pode ocorrer de forma multidisciplinar, envolvendo terapias comportamentais e medicamentosas, e até mesmo acupuntura. A síndrome do pânico tem cura, se diagnosticada e tratada de forma correta.

“As terapias cognitivo-comportamentais na psicoterapia são muito importantes; a ioga, a meditação podem melhorar muito esse estado geral do paciente. Às vezes é necessário fazer uso de um medicamento que age nos receptores que precisam ser estimulados para poder diminuir esse estado de estresse, porque aquele estado permanente de agitação precisa ter a contraposição de um medicamento para se acalmar”, explica Honório.

Últimas