Saúde Obesidade afeta cada vez mais crianças pobres no país, diz Unicef

Obesidade afeta cada vez mais crianças pobres no país, diz Unicef

Estudo divulgado nesta segunda-feira (14) mostra que parte desse grupo sofre de 'fome oculta', a deficiência de vitaminas; desnutrição atinge indígenas 

Um terço das crianças de 5 a 9 anos no Brasil tem excesso de peso

Órgão avisa sobre os perigos da obesidade na infância

Órgão avisa sobre os perigos da obesidade na infância

Freepik

Um estudo do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), divulgado nesta segunda-feira (14), alerta para a o excesso de peso de crianças e adolescentes no Brasil.

Segundo o órgão, uma em cada três crianças brasileiras entre 5 e 9 anos está acima do peso. Já entre os adolescentes, 17,1% sofrem de sobrepeso e 8,4% estão obesos.

"Apesar da Política Nacional de Alimentação Escolar [que garante alimentação nas escolas da rede pública em todo o país], a escola ainda é considerada um ambiente obesogênico, com lanches de baixo teor de nutrientes e alto teor de açúcar, gordura e sódio", observa a Unicef em seu relatório.

O órgão ressalta iniciativas positivas do governo brasileiro para combater a obesidade infantil.

"Para reverter esse cenário, o Brasil foca em políticas públicas para a prevenção do sobrepeso e da obesidade: incentivo ao aleitamento materno; regulação do marketing para crianças; melhoria na rotulagem nutricional; promoção da alimentação saudável nas escolas; entre outras."

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Obesidade atinge também os mais pobres

Passados 20 anos desde que o último relatório global semelhante foi divulgado, o Unicef aponta uma mudança na alimentação nessas duas décadas.

"Estamos deixando para trás dietas tradicionais e adotando dietas modernas, que frequentemente são ricas em açúcares e gorduras, e pobres em nutrientes essenciais. Esse é o pano de fundo para a desnutrição das crianças hoje".

Alimentação errada é apontada como uma das causas

Alimentação errada é apontada como uma das causas

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A imagem da desnutrição em boa parte do mundo, inclusive no Brasil, mudou, de acordo com o Unicef. Hoje, esse cenário engloba também crianças com déficit de crescimento (baixa estatura para a idade) e baixo peso para a idade.

Parte desse grupo sofre do que a entidade classifica como "fome oculta", caracterizada pela deficiência de vitaminas e minerais essenciais e também pelo crescente número de crianças e adolescentes afetados por sobrepeso ou obesidade.

O estudo reforça a ideia de que sobrepeso e obesidade não são mais condições que podem ser atribuídas aos ricos. Os pobres cada vez mais são afetados devido à ingestão de "calorias baratas" que são "provenientes de alimentos gordurosos e açucarados em todo o mundo".

"Eles [alimentos ultraprocessados] trazem consigo um risco aumentado de doenças não transmissíveis, como o diabetes tipo 2. A análise realizada como parte do estudo Global Burden of Disease sugere que dietas sem nutrição adequada são agora a principal causa de morte no mundo", afirma o fundo das Nações Unidas.

Desnutrição é maior entre indígenas

Indígenas sofrem mais com desnutrição, aponta Unicef

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Marcelo Camargo/Agência Brasil

Embora o Brasil tenha reduzido a desnutrição crônica "significativamente", segundo o relatório, entre 1990 e 2006 — de 19,6% para 7%), observa-se que o problema persiste em comunidades mais vulneráveis.

O Unicef cita dados do Ministério da Saúde que mostram que, em 2018, "a prevalência de desnutrição crônica entre crianças indígenas menores de 5 anos era de 28,6%".

Ainda de acordo com o documento, "os números variam entre etnias, alcançando 79,3% das crianças ianomâmis". Populações ribeirinhas também estão mais sujeitas à desnutrição.