Saúde Risco de morte aumenta com a idade, mas estabiliza após 105 anos

Risco de morte aumenta com a idade, mas estabiliza após 105 anos

Estudo mostra que pode não haver um limite para a longevidade humana; há 500 mil pessoas com 100 anos ou mais, número que dobra a cada 10 anos

  • Saúde | Deborah Giannini, do R7

A pesquisa foi feita com italianos de 105 anos ou mais entre 2009 e 2015

A pesquisa foi feita com italianos de 105 anos ou mais entre 2009 e 2015

Pixabay

Um estudo publicado nesta segunda-feira (2) na revista Nature afirma que pode não haver um limite para quanto tempo uma pessoa possa viver.

Essa conclusão foi obtida pela demóloga Elisabetta Barbi, da Universidade Sapienza, e por Francesco Lagona, da Universidade de Roma, na Itália, após a análise da probabilidade de sobrevivência de quase 4 mil centenários com 105 anos ou mais.

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O rico de morte que, ao longo da vida, aumenta à medida que as pessoas envelhecem, se estabiliza após os 105 anos de idade, criando um “platô de mortalidade”. Segundo os pesquisadores, a chance de alguém morrer de um aniversário para o outro se mantém em 50%.

Isso significa que alguém como Chiyo Miyako, a tataravó japonesa que, aos 117 anos, é a pessoa mais velha do mundo, poderia viver nos próximos anos ou mesmo para sempre, pelo menos hipoteticamente.

Até quando um ser humano pode viver é tema constante de debate entre pesquisadores. É consenso entre os cientistas que o risco de morte aumenta ao longo dos anos até cerca de 80 anos. Mas há uma discussão sobre o que ocorre quando as pessoas entram nos 90.

Uma corrente acredita que há uma “vida útil” fixa para nossa espécie e que as taxas de mortalidade aumentam progressivamente. Já outra afirma que o risco de morte se estabiliza nos anos “ultradourados”. Assim, a expectativa de vida humana não teria um limite.

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De acordo com informações publicadas na Nature, o geneticista Jan Vijg e seus colegas da Faculdade de Medicina Albert Einstein, em Nova York, reacenderam o debate há dois anos ao analisarem as idades de morte dos indivíduos mais velhos do mundo ao longo de meio século. Baseados nesse estudo, estimaram que a longevidade humana tenha atingido um teto em cerca de 115 anos - 125 no máximo.

A conclusão foi que o envelhecimento humano teria atingido seu limite natural. A pessoa mais longeva da história é Jeanne Calment, uma supercentenária francesa que morreu aos 122 anos em 1997.

Mas o estudo publicado nesta segunda questiona essa teoria. Em parceria com o Instituto Nacional Italiano de Estatística, os pesquisadores coletaram registros de cidadãos com 105 anos ou mais entre 2009 e 2015, reunindo certificados de morte e nascimento para minimizar a chance de exagero de idade. A Itália tem uma das taxas de centenários per capita mais altas do mundo.

Segundo publicado na revista Nature, há no mundo 500 mil pessoas com 100 anos ou mais, um número que dobra a cada década. Especula-se que as células do corpo alcancem um ponto em que os mecanismos de reparo podem compensar os danos adicionais para manter o nível das taxas de mortalidade, mas, mesmo com essa pesquisa, a discussão sobre o que está por trás do nivelamento das taxas de mortalidade na vida adulta deve continuar.

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