Saúde Vacinas oferecem proteção adicional a quem já teve Covid-19, apontam estudos

Vacinas oferecem proteção adicional a quem já teve Covid-19, apontam estudos

Os estudos, realizados no Brasil e na Suécia, não incluíram na análise de reinfecção a variante Ômicron e suas derivações

Agência EFE
Mais de 37% da população brasileira já recebeu a dose de reforço contra a Covid-19

Mais de 37% da população brasileira já recebeu a dose de reforço contra a Covid-19

Myke Sena/Ministério da Saúde

As vacinas contra a Covid-19 oferecem uma proteção adicional, principalmente da doença grave, a quem já foi infectado pelo coronavírus, de acordo com dois estudos publicados na revista científica The Lancet Infectious Diseases.

O primeiro estudo, realizado no Brasil, revelou que quatro vacinas (CoronaVac; Oxford-AstraZeneca, Janssen e Pfizer-BioNTech) dão proteção adicional contra a reinfecção sintomática, hospitalização e morte em pessoas que já tiveram Covid-19.

Outro estudo observacional na Suécia descobriu que, após três meses, as pessoas que se recuperaram da Covid-19 tinham um risco inferior de reinfecção até 20 meses depois. Além disso, a vacinação forneceu proteção adicional às pessoas com uma infecção anterior durante pelo menos nove meses.

Nenhum dos estudos inclui a análise da reinfecção a partir das variantes Ômicron do coronavírus Sars-CoV-2, causador da Covid-19.

As vacinas demonstraram ser altamente eficazes na prevenção da infecção sintomática e hospitalização entre aqueles que não tiveram Covid-19, mas tal precenção estava menos clara naqueles que tiveram a doença.

O principal autor do primeiro estudo, Julio Croda, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), disse que compreender a duração e eficácia da imunidade para aqueles vacinados com um diagnóstico prévio de Covid-19 é cada vez mais importante à medida que a pandemia avança e pode haver picos em variantes mais transmissíveis.

No estudo do Brasil, entre as pessoas que tiveram Covid-19 e depois foram vacinadas, a eficácia contra a reinfecção sintomática foi de 39% para a CoronaVac; 56% para a AstraZeneca; 44% para a Janssen; e 65% para a Pfizer. A eficácia contra a hospitalização e morte com a CoronaVac foi de 90%; Astrazeneca, 58%; Janssen e Pfizer, 90%.

"Tem havido um debate público em andamento sobre a necessidade de vacinar pessoas anteriormente infectadas. Os nossos resultados sugerem que os benefícios da vacina superam, de longe, quaisquer riscos potenciais e apoiam os argumentos a favor da vacinação, incluindo a série completa de vacinas, entre as pessoas com infecção anterior pelo Sars-CoV-2", afirmou Croda.

O estudo sueco examinou tanto a proteção a longo prazo contra infecções anteriores como o potencial de proteção adicional gerado pela imunidade híbrida (uma combinação de imunidade orientada por infecção e vacina).

Os resultados mostraram que a infecção anterior reduziu o risco de reinfecção em 95% e a hospitalização em 87% de três a 20 meses após a infecção inicial.

"Como esperado, houve um aumento da probabilidade de hospitalização durante os primeiros três meses após a infecção inicial, frisando que a imunidade provocada pela infecção não é isenta de riscos", analisou Anna Nordström, uma das autoras do estudo da Universidade de Umea.

No entanto, aqueles que se recuperaram experimentaram 87% de protecção contra a Covid-19 durante o resto do acompanhamento, que se manteve elevado até 20 meses.

A imunidade híbrida (duas doses de vacina e doença anterior) reduziu o risco de infecção em 66% nos primeiros dois meses e em 56% nos nove meses de acompanhamento.

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