Astronomia

Tecnologia e Ciência Astrônomos descobrem planeta onde um ano tem apenas oito dias

Astrônomos descobrem planeta onde um ano tem apenas oito dias

Astro, localizado fora do Sistema Solar, tem metade da massa da Terra e a temperatura da superfície pode chegar a 1.482ºC

Temperatura da superfície do astro pode chegar a 1.482ºC

Temperatura da superfície do astro pode chegar a 1.482ºC

Pixabay

Astrônomos do Instituto de Pesquisa Planetária, do Centro Aeroespacial alemão, descobriram um exoplaneta — isto é, um planeta localizado fora do Sistema Solar — onde um ano inteiro tem apenas oito dias de duração. Isso significa que o astro é localizado tão próximo de sua estrela-mãe (31 anos-luz) que completar uma volta inteira em torno dela leva pouco mais de uma semana. Para efeito de comparação, a Terra está a 0,00001581 anos-luz do Sol, a estrela central do nosso Sistema Solar. 

Segundo um artigo sobre o estudo publicado na revista científica Science, a temperatura da superfície do corpo celeste, catalogado como GJ 367 b, pode chegar a 1.482ºC. Ele também é bombardeado com radiação 500 vezes mais forte do que a radiação do nosso planeta.

Outra curiosidade sobre o GJ 367 b é que ele é menor do que a maioria dos exoplanetas descobertos até agora, que tendem a ser comparáveis ao tamanho de Júpiter. O planeta é ligeiramente maior do que Marte e tem metade da massa da Terra.

A descoberta

Para descobrirem o astro, os cientistas utilizaram um equipamento chamado Transiting Exoplanet Survey Satellite (Tess), da Nasa, a agência espacial americana. Trata-se de um caçador de planetas baseado no espaço que detecta planetas usando o chamado "método de trânsito".

Funciona da seguinte forma: pesquisadores observam a luz de estrelas distantes e, quando há uma diminuição do brilho, sabem que detectaram um novo exoplaneta. A ideia por trás desse método é que o corpo celeste estaria se movendo na frente da estrela, provocando uma queda de luminosidade.

Após ser descoberto com o Tess, o GJ 367 b foi investigado também com um telescópio. O equipamento pertence ao Observatório Europeu do Sul, é baseado no solo e usa um método diferente para determinar com mais precisão o raio e a massa de um planeta. Uma vez concluídos os cálculos, o astro foi classificado de planeta rochoso.

"Parece ter semelhanças com Mercúrio", disse a pesquisadora principal do estudo, Kristiane Lam. "Isso o coloca entre os planetas terrestres de tamanho inferior ao da Terra e traz a pesquisa um passo à frente na busca por uma 'segunda Terra'."

Apesar das semelhanças com o nosso planeta, o GJ 367 b não está nem perto de ser habitável — pelo menos por nós, humanos. A temperatura da superfície é tão alta que quase poderia vaporizar o ferro. Pesquisadores também acreditam que o planeta pode ter perdido toda a sua camada externa, chamada de manto externo. Mas estudar o astro pode ajudar os astrônomos a aprender mais sobre a formação de planetas e sistemas planetários, o que pode facilitar a compreensão sobre o desenvolvimento do nosso próprio planeta e do Sistema Solar.

"Já conhecemos alguns desses planetas [chamados de planetas de período ultracurto; USP, na sigla em inglês], mas suas origens são atualmente desconhecidas", afirmou Kristiane Lam. "Medindo as propriedades fundamentais do planeta USP, podemos ter um vislumbre da formação do sistema e da história da evolução."

*Estagiária do R7 sob supervisão de Pablo Marques

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