Tecnologia e Ciência Aves amazônicas diminuíram para se adaptar às mudanças climáticas

Aves amazônicas diminuíram para se adaptar às mudanças climáticas

Pássaros da floresta mais vasta do planeta também tiveram suas asas aumentadas e se encontram agora em menor número

Mudanças climáticas afetaram o tamanho das aves da floresta Amazônica nos últimos 40 anos

Mudanças climáticas afetaram o tamanho das aves da floresta Amazônica nos últimos 40 anos

Carl de Souza / AFP - 28.08.2021

Nos últimos 40 anos, a mudança climática não apenas reduziu o número de pássaros na floresta amazônica, como mudou o tamanho deles: tornaram-se menores e com asas mais longas.

O alerta é de um estudo publicado na sexta-feira (12) pela revista científica Science Advances que explicando que essas mudanças físicas, ocorridas ao longo de várias gerações, têm ajudado as aves a se adaptarem às condições cada vez mais quentes e secas da estação seca (de junho a novembro).

"Mesmo em meio à intocada floresta amazônica, estamos vendo os efeitos globais da mudança climática causada pelo homem", disse Vitek Jirinec, ecologista da Universidade do Estado da Louisiana (LSU) e autor principal do estudo (o primeiro a descobrir alterações no tamanho e forma dos corpos das aves não migratórias).

Para realizar o estudo, os autores analisaram dados de mais de 15 mil aves capturadas, medidas, pesadas, marcadas e soltas na Amazônia nos últimos 40 anos.

Os dados mostraram que, desde a década de 1980, quase todos os corpos das aves diminuíram de massa ou ficaram mais leves e que a maioria das espécies perdeu em média 2% do peso corporal em cada década.

Para uma espécie que pesava cerca de 30 gramas na década de 1980, a população pesa hoje em média 27,6 gramas.

Além disso, os dados foram coletados em uma ampla área da floresta tropical, o que mostra que as alterações nas aves não se limitam a um local específico, mas são um fenômeno "significativo e generalizado" que provavelmente não afeta apenas as aves.

"Se você olhar pela janela e pensar no que está vendo, verá que as condições não são as que eram 40 anos atrás, e é muito provável que as plantas e os animais estejam respondendo a essas mudanças", argumentou Philip Stouffer, pesquisador da LSU e coautor do estudo.

Os cientistas analisaram 77 espécies de pássaros da floresta tropical que vivem desde o solo frio e escuro da floresta até as áreas mais quentes e ensolaradas e descobriram que aqueles mais presentes no sub-bosque e estão mais expostas ao calor e às condições mais secas tiveram mudanças mais mais drásticas em seu peso e asas.

Os autores acreditam que as aves se adaptaram a um clima mais quente e seco, reduzindo a carga em suas asas (peso) e alongando seu comprimento para serem mais eficientes em termos de energia durante o voo. Esta foi a forma de adaptação às mudanças climáticas, mas serão capazes de lidar com um ambiente cada vez mais quente e seco? Essa questão permanece sem resposta, concluem os autores.

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